Considerando o encaminhamento da paciente, assinale a alter...

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Q4192617 Medicina
Analise o quadro clínico a seguir para responder à questão:

Mulher de 62 anos, tabagista, portadora de doença pulmonar obstrutiva crônica grave, apresenta carcinoma epidermoide em mucosa de soalho de boca à direita com extensão para ventre lingual, acometimento de musculatura intrínseca da língua e músculo milo-hióideo. A lesão atinge a linha média e acomete pontualmente o rebordo gengival com uma pequena área de invasão cortical mandibular em topografia de incisivo lateral ipsilateral. Há múltiplos linfonodos cervicais suspeitos para acometimento secundário, ipsilaterais, com até 4 cm no maior diâmetro, sem evidências tomográficas de extensão extranodal. Após estadiamento sistêmico, sem evidências de doença metastática a distância, e sendo a neoplasia passível de ressecção cirúrgica, a paciente é encaminhada para tal.
Considerando o encaminhamento da paciente, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O decisivo é que tumor ressecável de soalho de boca com invasão cortical mandibular, cruzamento da linha média e múltiplos linfonodos ipsilaterais requer ressecção composta com esvaziamento cervical bilateral e reconstrução óssea microcirúrgica quando factível.

Tema central: Ressecção composta oral
Análise das alternativas
A
Errada
Erra na reconstrução. Mesmo admitindo ressecção composta e esvaziamento bilateral, a proposta de fechamento primário sem reconstrução óssea é inadequada para defeito segmentar mandibular envolvendo mento, porque há perda de continuidade óssea com grande repercussão funcional e estética. Em defeito composto anterior/mentoniano, a base sustenta necessidade de reconstrução óssea, preferencialmente microcirúrgica.
B
Errada
Erra por transformar DPOC grave em contraindicação absoluta de reconstrução microcirúrgica. A base é explícita em que pneumopatia crônica grave aumenta risco perioperatório, mas não exclui formalmente retalho livre por si só. A decisão depende de operabilidade global, e o enunciado já informa que a neoplasia é ressecável e a paciente foi encaminhada para cirurgia.
C
Errada
Erra por subtratar a mandíbula e o defeito composto. Mandibulectomia marginal com placa e retalhos locais não corresponde ao cenário descrito na base, porque há invasão cortical mandibular em contexto de lesão extensa de assoalho/língua, cruzamento da linha média e defeito anterior significativo esperado. Nessa formulação, a conduta compatível é mandibulectomia segmentar com reconstrução óssea, não preservação da continuidade mandibular.
D
Errada
Erra por afirmar contraindicação inexistente. O retalho miocutâneo de peitoral maior continua sendo opção reconstrutiva válida em cabeça e pescoço; sexo feminino e presença de tecido mamário não configuram contraindicação absoluta. Pode haver limitações técnicas ou estéticas, mas não veto universal.
E
Certa
A alternativa E é a correta porque reúne a conduta oncológica compatível com o defeito descrito. A invasão cortical da mandíbula, associada a acometimento de língua e milo-hióideo e ao cruzamento da linha média, favorece mandibulectomia segmentar em vez de mandibulectomia marginal. Como há risco de drenagem bilateral em tumor de soalho de boca que atinge a linha média, o tratamento cervical deve ser bilateral, com abordagem contralateral nos níveis I a III e esvaziamento terapêutico amplo no lado ipsilateral acometido. Além disso, a ressecção segmentar anterior/mentoniana gera defeito composto, para o qual a reconstrução microcirúrgica com retalho osteomiocutâneo é a opção compatível quando a paciente é operável.
Pegadinha da questão
A banca mistura dois desvios de raciocínio frequentes: usar a expressão "pequena área de invasão cortical" para induzir mandibulectomia marginal e usar a DPOC grave para induzir exclusão automática da microcirurgia, apesar de o conjunto anatômico do tumor exigir ressecção segmentar com reconstrução e de a comorbidade pulmonar não ser contraindicação absoluta ao retalho livre.
Dica para questões semelhantes
  • Em carcinoma de soalho de boca, não julgue a mandíbula por uma frase isolada sobre invasão cortical; integre localização anterior, necessidade de ressecção em continuidade e defeito esperado para decidir entre mandibulectomia marginal e segmentar.
  • Quando o tumor de cavidade oral atinge ou cruza a linha média, pense em drenagem cervical bilateral e procure se a alternativa contempla abordagem contralateral dos níveis de maior risco.
  • Defeito segmentar mandibular anterior com perda associada de partes moles pede reconstrução da continuidade óssea; fechamento primário ou apenas placa de reforço não resolve adequadamente esse cenário.
  • Comorbidade grave aumenta risco cirúrgico, mas não deve ser tratada como contraindicação absoluta sem que a base diga isso expressamente.

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