O paciente foi submetido à ressecção cirúrgica de espessura ...

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Q4192616 Medicina
Analise o quadro clínico a seguir para responder à questão:

Homem, hígido, é portador de carcinoma epidermoide em vermelhão de lábio inferior à esquerda, a 4 mm da comissura. A lesão tem 2 cm no maior diâmetro, 6 mm de invasão profunda, e não existem evidências de acometimento linfonodal cervical ou pulmonar às tomografias computadorizadas de face, pescoço e tórax realizadas com contraste iodado.
O paciente foi submetido à ressecção cirúrgica de espessura total, com margens radiais macroscópicas distando 1 cm da neoplasia e consideradas como livres de acometimento neoplásico por meio de exame anatomopatológico intraoperatório de congelação.
Assinale a alternativa correta quanto à reconstrução do defeito cirúrgico.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a topografia do defeito de espessura total em relação à comissura: a lesão estava a 4 mm da comissura labial e foi ressecada em espessura total, configurando defeito pericomissural. Nesse cenário, o retalho de Estlander é a opção clássica, por reconstruir a comissura com tecido labial vascularizado pela artéria labial, geralmente em um único estágio, o que torna a alternativa C a correta.

Tema central: Reconstrução labial pericomissural
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque fechamento primário simples não é a escolha preferencial para defeito de espessura total pericomissural com perda relevante de tecido. A proximidade da comissura favorece tensão, distorção comissural e comprometimento da continência oral e do resultado estético. O erro é ignorar que a relação com a comissura pesa mais do que apenas supor aproximação possível dos bordos.
B
Errada
Está errada por dois motivos médicos concretos. Primeiro, o retalho livre radial do antebraço não é a indicação típica para um defeito labial local desse porte quando há opção local clássica mais adequada. Segundo, a descrição técnica da alternativa é falsa: esse retalho não é caracterizado por pedículo curto e instável, e a recuperação esfincteriana motora não é vantagem padrão descrita dessa forma.
C
Certa
A alternativa C descreve a técnica compatível com o defeito esperado após a ressecção: defeito de espessura total, muito próximo da comissura, em área funcional e estética crítica. O retalho de Estlander é classicamente indicado para defeitos junto à comissura, porque transfere tecido labial semelhante, baseado na artéria labial, e permite reconstrução funcional da comissura em um estágio.
D
Errada
Está errada porque a profundidade da lesão não é a principal variável para programar a reconstrução do defeito labial; os critérios decisivos são tamanho do defeito resultante, espessura total e relação com a comissura. Também está errada ao afirmar necessidade de aguardar anatomopatológico definitivo para reconstrução em segundo tempo, já que o enunciado informa margens livres à congelação intraoperatória, o que permite reconstrução imediata. Além disso, a alegação de que margem macroscópica de 1 cm seria insuficiente, nos termos em que foi redigida, não é o critério que define a reconstrução neste caso e não invalida o cenário apresentado com margens intraoperatórias livres.
E
Errada
Está errada porque, embora o retalho de Karapandzic preserve feixes neurovasculares e função do orbicular, a alternativa traz uma afirmação tecnicamente falsa: essa técnica está, sim, associada a microstomia como desvantagem clássica. Além disso, entre as opções oferecidas, para defeito junto à comissura o Estlander é a reconstrução clássica.
Pegadinha da questão
A banca mistura dados oncológicos como profundidade tumoral e tamanho da lesão com o verdadeiro critério reconstrutivo decisivo, que aqui é anatômico-funcional: defeito de espessura total muito próximo da comissura. Outra armadilha é usar alternativas com partes verdadeiras, mas com erro técnico decisivo, como no Karapandzic e no retalho radial livre.
Dica para questões semelhantes
  • Em reconstrução labial, primeiro localize o defeito em relação à comissura; defeito pericomissural de espessura total aponta classicamente para Estlander.
  • Não use profundidade tumoral como critério principal de escolha do retalho; para reconstrução, pesam mais espessura do defeito, tamanho final e topografia.
  • Desconfie de alternativas com descrição técnica parcialmente correta, mas com erro decisivo, como negar microstomia no Karapandzic ou atribuir pedículo curto e instável ao radial livre.

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