Paciente adulto, obeso (IMC: 38), internado em UTI após tra...

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Q4192613 Medicina
Paciente adulto, obeso (IMC: 38), internado em UTI após traumatismo cranioencefálico grave, encontra-se sob intubação orotraqueal e ventilação mecânica há doze dias, sem perspectivas de desmame. Decide-se pela realização de traqueostomia percutânea à beira do leito. Durante o procedimento, ocorre sangramento em maior quantidade que o habitual e dificuldade na progressão da cânula de traqueostomia. Após sete dias, o paciente evolui com enfisema subcutâneo e redução na saturação de O2 .
Com base nesse cenário, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A obesidade importante, especialmente com pescoço espesso e marcos cervicais pouco palpáveis, é um fator de maior risco técnico ou contraindicação relativa à traqueostomia percutânea. No caso, o IMC 38, o sangramento acima do habitual e a dificuldade de progressão da cânula indicam maior chance de falsa via, mau posicionamento e complicações hemorrágicas, o que sustenta o gabarito D.

Tema central: Traqueostomia percutânea no obeso
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cria uma regra temporal rígida de 21 dias que não existe como critério universal de indicação. A decisão de traqueostomia depende da expectativa de ventilação prolongada, necessidade de via aérea estável e contexto clínico. No caso, 12 dias de ventilação mecânica sem perspectiva de desmame já tornam a indicação clinicamente plausível.
B
Errada
Está errada porque não há consenso válido de que a técnica percutânea apresente maior risco de estenose traqueal tardia do que a técnica aberta. A base não sustenta essa superioridade da abordagem aberta como regra geral, então a afirmação de consenso é falsa.
C
Errada
Está errada porque atribui de forma simplista a dificuldade de passagem da cânula a 'variações anatômicas cervicais' como principal causa. No cenário dado, o mais relevante é a dificuldade técnica do acesso percutâneo em paciente obeso: maior profundidade da traqueia, marcos pouco palpáveis, desalinhamento do trajeto, punção inadequada, falsa via ou problema na dilatação.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a obesidade aumenta a espessura das partes moles cervicais, dificulta a palpação dos anéis traqueais, a punção em linha média e a dilatação controlada na técnica percutânea. Isso eleva o risco de acesso inadequado ao lúmen traqueal, falsa via, mal posicionamento da cânula e sangramento. Portanto, no contexto descrito, a obesidade funciona como contraindicação relativa ou fator de maior risco técnico para a via percutânea.
E
Errada
Está errada porque enfisema subcutâneo tardio associado a queda de saturação após traqueostomia não é achado benigno para mera observação. Esse quadro sugere complicação relevante da via aérea, como mau posicionamento da cânula, obstrução, falsa via, lesão traqueal ou extravasamento de ar.
Pegadinha da questão
A banca mistura duas confusões reais: fazer o candidato tratar obesidade como se não mudasse a seleção técnica da traqueostomia percutânea e, ao mesmo tempo, minimizar sinais de complicação mecânica como dificuldade de passagem da cânula, sangramento e enfisema subcutâneo com dessaturação.
Dica para questões semelhantes
  • Em traqueostomia percutânea, valorize obesidade, pescoço espesso e marcos cervicais ruins como fatores de maior risco técnico, não como detalhe secundário.
  • Não aceite regra fixa de tempo para indicar traqueostomia por ventilação prolongada; o critério é o contexto clínico e a perspectiva de desmame.
  • Dificuldade de progressão da cânula e sangramento durante o procedimento devem fazer pensar em falsa via ou mau posicionamento, especialmente no obeso.
  • Enfisema subcutâneo após traqueostomia, principalmente com dessaturação, deve ser lido como complicação da via aérea até prova em contrário.

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