Em 2023, cerca de 28 milhões de brasileiros de 14 anos
ou mais (ou 17,6% da população nesta faixa de idade) diziam
ter apostado no ano anterior, segundo estudo publicado pela
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria
com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em abril
deste ano.
Entre os apostadores, 10,9 milhões apresentavam
características de jogo de risco ou problemático — número
equivalente a 38,6% do total de apostadores e 7,3% da
população em geral. Dentro desse grupo dos apostadores
problemáticos, 1,4 milhão de brasileiros apresentava um
padrão de apostas compatível com o diagnóstico de transtorno do jogo, enfermidade caracterizada pelo desejo incontrolável de apostar mesmo diante de prejuízos — contingente
equivalente a 5% dos jogadores e 0,8% da população total
acima de 14 anos.
“Há mais de 30 anos, a ciência entendeu que o cérebro
não fica só dependente de substâncias químicas, mas também de comportamentos muito ativadores das áreas que processam prazer no cérebro”, diz Rodrigo Machado, psiquiatra do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de
Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Universidade de
São Paulo (FMUSP).
Mas houve uma mudança no perfil dos jogos de azar
que levou à explosão dos casos de dependência no Brasil,
especialmente desde 2018. “Com a tecnologia e a extrema
difusão dos cassinos online, passamos a ter cassinos no
bolso 24 horas. Qualquer pessoa consegue acessar as plataformas de apostas, bets esportivas etc., quando antes
você precisava se deslocar fisicamente até um determinado
lugar”, afirma o especialista em jogo compulsivo.
Outra mudança, diz ele, foi na própria dinâmica do jogo
de azar através das plataformas digitais. Por exemplo, apostas em jogos de futebol sempre existiram, mas antes só se
apostava no resultado final. Já nas plataformas de apostas,
é possível fazer as chamadas “apostas in-play”, enquanto
o jogo está acontecendo. “Quando você promove um ciclo
ultrarrápido de apostas, você encurta a distância entre o ato
de apostar e o resultado final, fazendo com que as pessoas
entrem num loop de compulsividade e, consequentemente,
de hiperestimulação dos centros que processam o prazer no
cérebro”, afirma Machado.
De acordo com as informações texto, é correto afirmar
que foi um fator determinante para o aumento dos casos
de dependência de jogos de azar no Brasil, nos últimos
anos,
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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