Paciente de 82 anos, portadora de arritmia em uso de Xarelt...

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Q4155154 Medicina
Paciente de 82 anos, portadora de arritmia em uso de Xarelto, interna por quadro de dor de início súbito em pé direito, associada a resfriamento do membro. Ao exame físico, é notado palidez do membro, sem qualquer déficit sensitivo ou motor. Quanto aos pulsos, nota-se presença apenas de pulso femoral 3+/3+ no membro da queixa, ao passo que, no membro contralateral, o pulso femoral e poplíteo é 3+/3+. O Doppler de ondas contínuas de artérias podálicas demonstra fluxo arterial bifásico no membro esquerdo e fluxo arterial monofásico no membro da queixa.

Referente a esse caso, assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico, bem como a classificação clínica atribuível.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso reúne os critérios de isquemia arterial aguda de membro com provável etiologia embólica: dor de início súbito, palidez e resfriamento, arritmia como fonte cardioembólica e preservação da viabilidade por ausência de déficit sensitivo e motor. Isso define Rutherford I e sustenta a alternativa D.

Tema central: Isquemia aguda de membro
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por dois motivos independentes. Primeiro, o quadro não é de oclusão arterial crônica: dor súbita, palidez e resfriamento caracterizam isquemia arterial aguda. Segundo, Rutherford III exige dano irreversível, com anestesia profunda e paralisia, achados explicitamente ausentes, já que não há déficit sensitivo nem motor.
B
Errada
A etiologia embólica é compatível, mas a classificação está errada. Rutherford IIa pressupõe membro marginalmente ameaçado, com algum grau de perda sensitiva mínima; o enunciado afirma ausência de qualquer déficit sensitivo ou motor. Portanto, o membro é viável e a classe correta é Rutherford I, não IIa.
C
Errada
Está errada na etiologia e na classificação. O caso favorece embolia, pela instalação súbita, pela arritmia como fonte embólica e pela falta de elementos de doença arterial crônica prévia. Além disso, Rutherford IIb exige ameaça imediata do membro, com déficit sensitivo mais evidente e algum grau de fraqueza muscular, o que não está presente.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o quadro é compatível com oclusão arterial aguda por provável mecanismo embólico. O elemento mais forte para embolia é a instalação abrupta em paciente com arritmia, fonte cardioembólica clássica, associada à preservação do pulso femoral com perda distal no membro acometido e sem descrição de claudicação ou de doença arterial periférica crônica avançada. A classe clínica é Rutherford I porque o exame não mostra perda sensitiva nem déficit motor, que são os achados decisivos para definir ameaça à viabilidade. O Doppler com fluxo monofásico no membro sintomático indica comprometimento arterial, mas não reclassifica o caso para IIa ou IIb na ausência de alteração neurológica.
E
Errada
Está errada porque mistura um quadro agudo com categoria de classificação de isquemia crônica. Rutherford IV é usado para doença arterial periférica crônica com dor em repouso, não para isquemia arterial aguda. Além disso, a cronologia súbita do caso afasta oclusão arterial crônica como diagnóstico principal.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar o Doppler monofásico como prova de membro ameaçado e misturar a classificação de Rutherford da isquemia aguda com categorias de doença arterial crônica. Aqui, a viabilidade foi definida pelo exame neurológico normal.
Dica para questões semelhantes
  • Em isquemia arterial aguda, classifique Rutherford pelo exame sensitivo e motor; sem déficit neurológico, o membro é Rutherford I.
  • Para diferenciar embolia de trombose, valorize instalação súbita, fonte cardioembólica e ausência de história de doença arterial crônica.
  • Não use o padrão monofásico do Doppler isoladamente para definir IIa ou IIb; ele deve ser correlacionado com a clínica.
  • Se a alternativa falar em quadro crônico, confronte primeiro com a cronologia do caso: início súbito favorece oclusão aguda.

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