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Q535969 Português

                                             Democracia e autoritarismo


      O fato de que as pessoas que vivem em um regime democrático não saibam o que é democracia é uma questão por si só muito grave. O saber sobre o que seja qualquer coisa – e neste, caso, sobre o que seja a democracia – se dá em diversos níveis e interfere em nossas ações. Agimos em nome do que pensamos. Mas muitas vezes não entendemos muito bem nossos próprios pensamentos, pois somos vítimas de pensamentos prontos.

      Creio que, neste momento brasileiro, poucas pessoas que agem em nome da democracia estejam se questionando sobre o que ela realmente seja. É provável que poucos pratiquem o ato de humildade do conhecimento que é o questionamento honesto. O questionamento é uma prática, mas é também qualidade do conhecimento. É a virtude do conhecimento. É essa virtude que nos faz perguntar sobre o que pensamos e assim nos permite sair de um nível dogmático para um nível reflexivo de pensamento. Essa passagem da ideia pronta que recebemos da religião, do senso comum, dos meios de comunicação para o questionamento é o segredo da inteligência humana seja ela cognitiva, moral ou política.

      [...] a democracia flerta facilmente com o autoritarismo quando não se pensa no que ela é e se age por impulso ou por leviandade. Eu não sou uma pessoa democrática quando vou à rua protestar em nome dos meus fins privados, dos meus interesses pessoais, quando protesto em nome de interesses que em nada contribuem para a construção da esfera pública. Eu sou autoritária quando, sem pensar, imponho violentamente os meus desejos e pensamentos sem me preocupar com o que os outros estão vivendo e pensando, quando penso que meu modo de ver o mundo está pronto e acabado, quando esqueço que a vida social é a vida da convivência e da proteção aos direitos de todos os que vivem no mesmo mundo que eu. Não sou democrática quando minhas ações não contribuem para a manutenção da democracia como forma de governo do povo para o povo, quando esqueço que o povo precisa ser capaz de respeitar as regras do próprio jogo ao qual ele aderiu e que é o único capaz de garantir seus direitos fundamentais: o jogo da democracia.


                                       (Marcia Tiburi. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2015/03/

                                                                         democracia-e-autoritarismo/. 18/03/2015. Adaptado.) 

No trecho “O questionamento é uma prática, mas é também qualidade do conhecimento. É a virtude do conhecimento.” (2º§) é correto afirmar que
Alternativas

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Comentário da Questão – Morfologia / Interpretação Textual

Tema central da questão:
Esta questão aborda principalmente sujeito elíptico (ou oculto) e interpretação do texto, com foco em identificar a permanência do referente sintático entre frases distintas.

Análise do trecho:
Em: “O questionamento é uma prática, mas é também qualidade do conhecimento. É a virtude do conhecimento.” temos três frases seguidas. Na terceira frase, o sujeito não foi explicitamente mencionado (“É a virtude do conhecimento”), mas, pelo contexto e pela coesão textual, está claro que se refere a “o questionamento”, o mesmo sujeito da frase inicial.

Esse recurso textual é chamado de sujeito elíptico ou sujeito oculto. Como explica Celso Cunha & Lindley Cintra, “o sujeito pode estar oculto quando já determinado anteriormente no texto, tornando desnecessária sua repetição.” (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Justificativa da alternativa correta:
Alternativa B está correta: Subentende-se que o sujeito da segunda frase é o mesmo que o expresso na primeira. O uso do sujeito elíptico mantém a coesão e evita repetições desnecessárias.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) O termo “também” é um advérbio de inclusão, ou seja, exerce função aditiva e não conclusiva. Ele acrescenta uma informação (“é também qualidade”), não indica conclusão.
  • C) O “mas” estabelece relação de adversidade – contrapondo duas afirmativas (“é uma prática, mas…”). Portanto, está correto chamar de termo adversativo, mas esse não era o foco da pergunta.
  • D)Prática” funciona como predicativo do sujeito (“O questionamento é prática”), ligado ao sujeito por verbo de ligação; não é termo que complemente a ação verbal.

Estratégia para questões similares:
Ao identificar verbos sem sujeito explícito, retorne à frase anterior e confira se o contexto permite assumir o mesmo referente. Muitas questões de banca exploram essa coesão textual e o conhecimento dos sujeitos elípticos/ocultos — recurso frequente na prova.

Resumo da regra:
“O sujeito elíptico é aquele que não aparece de forma explícita na oração, mas pode ser identificado pelo contexto (Cunha & Cintra, 2013).”

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Subentende-se que o sujeito da segunda frase é o mesmo que o expresso na primeira.

O questionamento é uma prática, mas é também qualidade do conhecimento. É a virtude do conhecimento.”

Subentende-se que o sujeito da segunda frase é o mesmo que o expresso na primeira.

Nota-se que é um caso de sujeito elíptico/oculto. A segunda frase está fazendo referência ao sujeito da primeira.

O que é uma prática? o questionamento.

O que é a virtude do conhecimento? o questionamento.

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