Paciente, 35 anos, sexo feminino, é submetida à cirurgia bar...
Paciente, 35 anos, sexo feminino, é submetida à cirurgia bariátrica há cinco anos, com eliminação de aproximadamente 35kg (peso inicial 110Kg) e melhora das comorbidades pré-operatórias. Abandonou o acompanhamento multidisciplinar com poucos meses de pós-operatório. Dá entrada no serviço de urgência com quadro de icterícia (elevação principalmente de bilirrubina direta), febre de 38,9° C, calafrios e dor abdominal localizada em hipocôndrio direito, com irradiação para o dorso.
Com relação ao caso descrito, é correto afirmar que
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Assunto central: Abordagem clínica de paciente pós-cirurgia bariátrica com tríade de Charcot e suspeita de complicação infecciosa biliar.
Justificativa da alternativa correta (C):
A paciente apresenta febre alta, dor abdominal no hipocôndrio direito (com irradiação para dorso) e icterícia (predomínio de bilirrubina direta), configurando a clássica tríade de Charcot. Esse conjunto de sintomas é altamente sugestivo de colangite aguda, especialmente em pacientes com fatores de risco para coledocolitíase (como histórico de cirurgia bariátrica e eliminação de peso significativa).
De acordo com as Diretrizes de Tóquio 2018 (Critérios diagnósticos para colangite aguda): “A colangite aguda pode ser diagnosticada pela presença da tríade de Charcot, ou seja, dor no quadrante superior direito, febre alta (com calafrios) e icterícia. A tríade de Charcot tem alta especificidade...”
Colangite aguda secundária à coledocolitíase é a principal suspeita clínica, pois a obstrução do ducto colédoco por cálculos facilita infecção ascendente.
Análise das opções incorretas:
A) Colecistite aguda litiásica: Embora seja comum após rápida perda de peso, a icterícia não é manifestação clássica, já que a obstrução ocorre no ducto cístico, não no colédoco.
B) Hepatite medicamentosa: Faltam elementos no caso clínico (como uso excessivo de suplementos ou padrão lesional típico). Não gera a tríade de Charcot.
D) Desconsiderar a técnica bariátrica: Uma pegadinha importante: conhecer a técnica cirúrgica pode sim influenciar o acesso para procedimentos como CPRE, fundamental em colangite aguda, sobretudo em anatomias alteradas pós-bariátrica.
Estratégia de prova: Sempre atente para conjunto de sintomas compatível com síndromes clássicas (tríade de Charcot); cuidado com diagnósticos mais raros frente a dados claros.
Resumo da conduta: A colangite aguda é urgência médica! O manejo inclui estabilização, antibióticos de largo espectro e, se necessário, drenagem biliar urgente, conforme recomendações internacionais (Diretrizes de Tóquio 2018).
Referência: Diretrizes de Tóquio 2018; Sabiston – Tratado de Cirurgia; UpToDate – Cholangitis: Clinical manifestations, diagnosis, and management.
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