Paciente masculino, branco, 65 anos, hipertensão arterial es...

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Q679582 Medicina
Paciente masculino, branco, 65 anos, hipertensão arterial estágio 1 há 8 anos, cardiopata isquêmico, mas com função sistólica preservada. Tabagista há 40 anos, cerca de 20 cigarros/dia, é encaminhado ao nefrologista por apresentar creatinina plasmática em torno de 2mg/dl nos últimos quatro meses e progressivo aumento da dificuldade de controle pressórico no último ano, com instalação de hipertensão resistente . Exame comum de urina normal. Ultrassonografia abdominal mostrando rim direito com 10 cm e rim esquerdo com 8,4 cm no eixo bipolar, ausência de hidronefrose, bexiga normal, próstata com 35 g, resíduo pós miccional de 30 ml. Qual é a principal hipótese diagnóstica para a etiologia da doença renal crônica?
Alternativas

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Tema central: A questão aborda doença renal crônica (DRC) secundária a hipertensão arterial sistêmica (HAS) de longa data, enfatizando a necessidade de diferenciar etiologias prováveis a partir de dados clínicos, laboratoriais e de imagem.

Justificativa para a Alternativa Correta (C – Nefroesclerose hipertensiva):

O paciente apresenta HAS há 8 anos, progressão de dificuldade no controle pressórico (hipertensão resistente), creatinina persistentemente elevada (2 mg/dL) e exames de imagem com rim assimétrico, porém sem alterações urológicas obstrutivas. O exame de urina normal e a ausência de proteinúria significativa reforçam o diagnóstico.

Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 (Cap. 1), “A nefroesclerose hipertensiva é a causa mais comum de doença renal progressiva em adultos hipertensos.” A evolução é insidiosa, frequentemente assintomática, e associada à hipertrofia discreta dos rins, redução lenta da função renal e ausência de achados sedimentares marcantes.

Análise das Alternativas Incorretas:

A) Nefropatia obstrutiva: O ultrassom não mostra hidronefrose, a próstata apresenta tamanho regular (35g) e resíduo pós-miccional pequeno (30ml), excluindo obstrução significativa.

B) Glomerulonefrite rapidamente progressiva: O paciente não relata oligúria, síndrome nefrítica/nefrótica recente, nem hematúria. O exame de urina desviado seria esperado nesta patologia.

D) Doença vascular da artéria renal: Apesar de hipertensão resistente e assimetria renal sugerirem essa hipótese, haveria maior suspeita se houvesse início súbito da HAS, sopro abdominal ou perda renal acelerada (flash pulmonary edema). Aqui faltam esses indícios fortes. Além disso, a evolução é mais compatível com nefroesclerose do que com estenose arterial renal.

Estratégia para concursos: Quando a questão citar HAS crônica, lesão renal insidiosa, ausência de proteinúria importante e exames de imagem sem alterações obstrutivas, pense em nefroesclerose hipertensiva. Atenção para possíveis pegadinhas associando “rim assimétrico” exclusivamente a causas vasculares.

Resumo: O quadro clínico e laboratorial sugere fortemente nefroesclerose hipertensiva como a etiologia da DRC pelo histórico de HAS crônica mal controlada, alteração lenta da função renal e ausência de achados urinários relevantes. Para revisar, veja os capítulos sobre doença renal hipertensiva no Harrison’s Principles of Internal Medicine e as diretrizes nacionais.

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Comentários

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Diante dos achados clínicos do paciente descrito, a principal hipótese diagnóstica para a etiologia da doença renal crônica é a nefroesclerose hipertensiva. Isso porque o paciente apresenta hipertensão arterial estágio 1 há 8 anos, além de hipertensão resistente, o que pode ter levado a uma lesão renal crônica. Além disso, a ultrassonografia abdominal não mostrou sinais de nefropatia obstrutiva ou doença vascular da artéria renal, e exame comum de urina normal descarta glomerulonefrite rapidamente progressiva. Portanto, é importante investigar e tratar adequadamente a hipertensão arterial desse paciente para evitar a progressão da doença renal crônica.

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