Sobre a hipercalemia na Insuficiência renal aguda, marque a ...

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Q3035805 Medicina
Sobre a hipercalemia na Insuficiência renal aguda, marque a opção correta.
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Tema central: Hipercalemia na Lesão Renal Aguda (LRA). Na LRA há redução abrupta da excreção renal de potássio, associada a acidose metabólica e catabolismo tecidual, favorecendo hipercalemia, que pode causar arritmias fatais (ondas T apiculadas, alargamento de QRS, “sine wave”, FV/assistolia).

Alternativa correta — A. A hipercalemia é a principal causa metabólica de óbito na LRA. Ela é a complicação metabólica mais imediatamente letal por desencadear arritmias graves, sendo prioridade terapêutica na emergência. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Treatment and pathogenesis of hyperkalemia); diretrizes KDIGO de LRA.

Por que as outras estão incorretas?

B. “Apenas a hipercalemia grave causa toxicidade cardíaca.” — Falso. A velocidade de elevação e o terreno clínico (acidose, uso de betabloqueadores, LRA) importam. Mesmo níveis moderados (5,5–6,0 mEq/L) podem gerar alterações no ECG e arritmias. Logo, qualquer hipercalemia com alteração eletrocardiográfica deve ser tratada com urgência.

C. “Medidas terapêuticas, incluindo diálise peritoneal, remanejam K para o meio intracelular.” — Falso. Há dois grupos de medidas: - Estabilizam membrana: gluconato de cálcio (não altera K). - Shift intracelular: insulina + glicose, beta-2 agonista, bicarbonato (se acidose). - Removem K do corpo: hemodiálise/diálise peritoneal, diuréticos de alça (se há diurese), resinas/binders. Diálise remove potássio, não apenas o desloca.

D. “Para K>6,5 mEq/L: gluconato de cálcio, bicarbonato, resinas, espironolactona e furosemida.” — Falso. A espironolactona é poupadora de potássio e pode piorar a hipercalemia; é contraindicada. As demais podem ter papel, mas a conduta padrão inclui também insulina + glicose e beta-agonista; em LRA grave, diálise é o método mais eficaz de remoção.

Conduta prática em K ≥6,5 mEq/L ou com alterações no ECG (Harrison’s/UpToDate/KDIGO): - Estabilizar: Gluconato de cálcio 10% 10 mL IV lento; repetir se necessário. - Deslocar K: Insulina regular 10 U IV + glicose 25 g; Nebulização de salbutamol 10–20 mg; Bicarbonato se acidose. - Remover K: Hemodiálise/diálise peritoneal; diurético de alça se houver diurese; resinas (SPS, patiromer, zircônio) como adjuvantes (efeito mais lento).

Estratégia de prova: Identifique “palavras-trincheira” como espironolactona (poupadora de K) e a confusão entre “remover” e “deslocar” potássio. Lembre: diálise remove K; cálcio protege coração; insulina/β2 e bicarbonato fazem shift.

Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine; KDIGO Clinical Practice Guideline for AKI; UpToDate – Hyperkalemia in adults: pathogenesis and treatment.

Gabarito: A

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