Em relação à função renal residual nos pacientes com doença ...
Gabarito comentado
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Tema central: Função renal residual (FRR) em DRC terminal e sua mensuração em pacientes em diálise. A FRR influencia sobrevida, qualidade de vida e adequação dialítica.
Alternativa correta: D — A FRR pode ser estimada pela média dos clearances de creatinina e ureia obtidos em urina de 24h: Kr = (Ccr + Cureia)/2. Essa abordagem compensa vieses opostos (ureia é reabsorvida; creatinina é secretada) e aproxima a TFG verdadeira. É a prática recomendada para avaliar FRR e calcular adequação (Kt/V) principalmente na diálise peritoneal e, quando aplicável, na hemodiálise, conforme KDIGO/KDOQI e Daugirdas (Handbook of Dialysis). Referências: KDIGO 2012–2020; KDOQI 2015; UpToDate.
Por que isso é clinicamente importante? Maior FRR associa-se a melhor controle volêmico e de fósforo, menor inflamação, menor necessidade de diálise intensa e melhor sobrevida. Estudos como CANUSA (diálise peritoneal) e coortes em hemodiálise mostram FRR como forte preditor de mortalidade.
Análise das alternativas incorretas
A) “Pacientes com FRR substancial vivem menos.” Falsa. O oposto é verdadeiro: maior FRR → menor mortalidade, melhor nutrição e remoção de toxinas de médio peso molecular. Evidências observacionais consistentes (CANUSA; KDOQI 2015; UpToDate) respaldam.
B) “O clearance de ureia superestima a TFG.” Falsa. A ureia sofre reabsorção tubular, logo seu clearance é menor que a TFG (subestima). Por isso, isoladamente, o Cureia é conservador.
C) “O clearance de creatinina subestima a TFG.” Falsa. A creatinina sofre secreção tubular, especialmente em DRC avançada, levando o Ccr a superestimar a TFG em cerca de 10–20% ou mais. Bloqueios com cimetidina podem reduzir esse viés, mas não são rotina.
Dicas para a prova
- Fisiologia em uma frase: Ureia é reabsorvida → clearance menor que TFG; Creatinina é secretada → clearance maior que TFG; média dos dois ≈ TFG residual.
- Desconfie de enunciados com termos absolutos como “vivem menos” quando a evidência aponta claramente o inverso.
Referências rápidas: KDIGO (Adequação dialítica, 2012/2020), KDOQI 2015 (Adequação em HD/DP), Daugirdas – Handbook of Dialysis, UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. DRC/diálise).
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