Poema de circunstância ...

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Q819527 Português

Poema de circunstância

Onde estão os meus verdes?

Os meus azuis?

O Arranha‐Céu comeu!

E ainda falam nos mastodontes,

nos brontossauros, nos tiranossauros

Que mais sei eu...

Os verdadeiros monstros, os Papões,

são eles os arranha‐céus!

Daqui

Do fundo

Das suas goelas,

Só vemos o céu, estreitamente, através de suas

empinadas gargantas ressecadas

Para que lhes serviu beberem tanta luz?!

Defronte

À janela onde trabalho

Há uma grande árvore...

Mas já estão gestando um monstro de permeio!

Sim, uma grande árvore... Enquanto há verde,

Pastai, pastai, olhos meus...

Uma grande árvore muito verde... Ah,

Todos os meus olhares são de adeus

Como o último olhar de um condenado!

(Mario Quintana. In: Literatura comentada. São Paulo: Nova Cultural, 1990.)


O texto apresenta como núcleo temático:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado:

Tema central: Interpretação de texto e semântica. O examinador exige que o candidato compreenda o núcleo temático do poema de Mario Quintana, identificando sua crítica por meio de figuras de linguagem.

Justificativa – Alternativa C (Correta):

A alternativa C é a que melhor traduz o tema central do poema: o progresso (representado pelos arranha-céus) como agente de transformação que destrói o ambiente natural para atingir seus objetivos. O autor personifica os edifícios como “monstros” que “comem” os verdes e azuis da natureza, ilustrando o custo da urbanização em detrimento da natureza. Isso se evidencia, por exemplo, nos versos: “O Arranha‐Céu comeu!” e “Os verdadeiros monstros, os Papões, são eles os arranha‐céus!”. Essa abordagem crítica aparece em obras como Moderna Gramática Portuguesa (Evanildo Bechara), ao tratar do significado contextuado e da função da metáfora na produção de sentidos em textos literários.

Análise das alternativas incorretas:

A) Aponta frustração diante do progresso, mas introduz um elemento ausente no texto: os “benefícios do progresso”, que em nenhum momento são exaltados pelo eu lírico. O texto é de crítica, não de resignação ou aceitação dos benefícios urbanos.

B) Sugere que o texto denuncia a desumanização causada pelo crescimento urbano irreversível. Porém, o foco do poema é a destruição da natureza (verdes, azuis, árvores), não apenas a questão da desumanização ou sua irreversibilidade.

D) Fala em completa desumanização sem vestígios de natureza. Isso não corresponde ao poema, que ainda faz referência à “grande árvore” e ao “último olhar” de despedida, indicando que ainda restam elementos naturais, mesmo ameaçados.

Dica para provas: Atenção às afirmações absolutas (como “não havendo mais quaisquer indícios”), pois muitas vezes exageram o sentido original do texto. Procure identificar termos que indicam opinião, ironia ou crítica, e apoie sua escolha em trechos literais do texto base.

Resumo: O núcleo do poema é a ação destruidora do progresso sobre a natureza para alcançar seus objetivos urbanos. A alternativa C resume isso com precisão.

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Comentários

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Annnn??? Odeio questões de interpretação

ONDE A PERSONAGEM DO TEXTO TRABALHA É NUM LOCAL COM VEGETAÇÃO, MAS NÃO HAVERÁ ESSA VEGETAÇÃO POR LONGO PRAZO, POIS OCORRE UMA CONSTRUÇÃO (OBJETIVA OU NÃO OBJETIVA).

BONS ESTUDOS!!!

questão viajada, man GAB C)

Como assim necessária? Ele está criticando a urbanização, é como se fosse um poema criticando a fome e a alternativa dizer que a fome é necessária.

SIMPLESMENTE IDECAN, vá com fé e com sua bagagem de conhecimento. se errar toca o barco... Não tem o que fazer.

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