Homem afro-brasileiro de 48 anos é avaliado por quadro de a...

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Q4156986 Medicina
Homem afro-brasileiro de 48 anos é avaliado por quadro de anemia. Ele foi diagnosticado com celulite de extremidade inferior 2 meses antes, que vem sendo tratada, intermitentemente, com antibióticos orais. O histórico familiar e pessoal é negativo. Exames séricos: hemoglobina: 9,7 g/dL (era 14,9 g/dL); hematócrito: 29% (era 45%); plaquetas: 375.000/mm3 (era 420.000); bilirrubina total: 4,2 mg/dL (era 1,0 mg/dL); desidrogenase lática: 799 U/L (era 222); teste de Coombs direto e indireto: negativos; CD55/ CD59/ FLAER negativos; glicose 6-fosfato desidrogenase (G6PD): normal. Eletroforese de hemoglobina: Hgb A: 98%; Hgb A2: 2%. O esfregaço de sangue periférico não é digno de nota.
Nesse paciente, a principal hipótese diagnóstica é 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Hemólise não imune com bilirrubina e LDH elevadas após infecção/uso intermitente de antibióticos, com Coombs direto e indireto negativos e citometria sem evidência de clone HPN (CD55/CD59/FLAER), aponta para deficiência de G6PD; a dosagem enzimática normal na fase aguda não exclui o diagnóstico.

Tema central: Deficiência de G6PD
Análise das alternativas
A
Errada
Doença por aglutininas frias é hemólise imune, em geral mediada por complemento, e costuma cursar com teste de antiglobulina positivo. Aqui, Coombs direto e indireto são negativos, o que enfraquece fortemente essa hipótese. Além disso, o caso não traz contexto típico relacionado a frio.
B
Certa
A alternativa B é a que melhor integra os dados fornecidos: anemia hemolítica adquirida em curto intervalo, associada a infecção recente e uso intermitente de antibióticos, que são gatilhos clássicos de estresse oxidativo eritrocitário. Entre as opções, isso aponta para deficiência de G6PD. O resultado normal da dosagem de G6PD não invalida essa hipótese no cenário descrito, porque durante ou logo após a crise hemolítica pode haver falso-normal por destruição preferencial das hemácias mais deficientes e predomínio de reticulócitos/hemácias jovens, que têm maior atividade enzimática.
C
Errada
Doença hemolítica por anticorpos quentes também é hemólise autoimune e tipicamente se associa a Coombs direto positivo. O enunciado fornece Coombs direto e indireto negativos, dado que contraria diretamente essa alternativa.
D
Errada
Hemoglobinúria paroxística fria é uma hemólise imune bifásica, classicamente ligada a anticorpo de Donath-Landsteiner, mais frequente em crianças e em contexto pós-viral/frio. O quadro apresentado não traz esse padrão clínico nem dados laboratoriais que sustentem hemólise imune fria.
E
Errada
HPN exige evidência de clone com deficiência de proteínas ancoradas por GPI na citometria. O enunciado já informa estudo com CD55/CD59/FLAER sem evidência diagnóstica de HPN, o que torna essa alternativa incompatível com os exames fornecidos.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa exclusão de deficiência de G6PD pela dosagem enzimática normal na crise hemolítica; quem ignora essa limitação do exame abandona o diagnóstico correto apesar do gatilho oxidativo e da exclusão das demais opções.
Dica para questões semelhantes
  • Em anemia hemolítica, use primeiro o eixo hemólise imune versus não imune; Coombs negativo afasta fortemente as alternativas autoimunes da lista.
  • Se houver infecção ou fármaco oxidante desencadeando hemólise, pense em deficiência de G6PD mesmo com dosagem normal feita na fase aguda.
  • Quando a questão trouxer FLAER/CD55/CD59, esse é o exame-chave para HPN; citometria sem clone compatível praticamente elimina essa opção nas alternativas.
  • Esfregaço periférico sem achados marcantes não exclui hemólise oxidativa por deficiência de G6PD.

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