Adolescente, do sexo feminino, com 15 anos de idade, apresen...
A hipótese diagnóstica mais adequada ao quadro é
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Tema central: quadro agudo febril com choque e exantema em adolescente. A pista-chave é a associação de hipotensão (PA 80/60), exantema eritematoso difuso, hiperemia conjuntival e orofaríngea, sintomas gastrointestinais e lesão cutânea recente (piercing nasal), sugerindo Síndrome do Choque Tóxico (SCT), geralmente por Staphylococcus aureus produtor de toxina (TSST-1) com efeito “superantígeno”.
Alternativa correta: B - Síndrome do choque tóxico.
Justificativa: Critérios do CDC/UpToDate/Nelson: febre alta, hipotensão, exantema eritrodérmico, hiperemia de mucosas, e comprometimento de ≥3 sistemas. A paciente tem: febre 39°C; choque (PA 80/60); rash eritematoso; mucosas hiperemiadas (conjuntivas e orofaringe); GI (vômitos/diarreia); renal (creatinina 2,1 mg/dL); hepático (TGO/TGP >2x). Foco provável: piercing nasal há 4 dias. Hemograma com leucocitose neutrofílica e PCR elevada reforça infecção bacteriana. Referências: CDC case definition de SCT, UpToDate; Nelson Textbook of Pediatrics.
Por que as demais estão incorretas?
A) Dengue grave (grupo D): esperam-se leucopenia e plaquetopenia, hemoconcentração e dor retro-orbitária; aqui há leucocitose, plaquetas normais e sem contexto epidemiológico. Conjuntivite purulenta e foco de pele favorecem bactéria. (Diretrizes OMS/MS para dengue).
C) Escarlatina: cursa com faringite, exantema “lixa” e língua em framboesa, porém sem choque e sem lesão multissistêmica (creatinina/transaminases elevadas).
D) Endocardite infecciosa: quadro costuma ser subagudo com sopro novo, fenômenos embólicos e bacteremia persistente. Não explica exantema eritrodérmico difuso com hiperemia de mucosas e choque em 24h.
E) Doença de Kawasaki: típica em <5 anos, exige febre ≥5 dias. Plaquetose tardia é comum; choque é raro (Kawasaki “choque-like” é exceção). O tempo de febre (1 dia) e a falência orgânica apontam contra.
Conduta recomendada (provas e prática):
- Reanimação com cristaloide (20–30 mL/kg) e noradrenalina se refratário; UTI.
- Antibioticoterapia empírica com cobertura para S. aureus e inibição de toxina: vancomicina + clindamicina; considerar piperacilina-tazobactam/cefepime se foco não definido (IDSA/SBP).
- Controle do foco: remover o piercing e avaliar drenagem se coleção.
- Considerar imunoglobulina IV em casos graves/refratários (especialmente se streptocócico).
- Exames: hemoculturas, cultura do sítio, lactato, coagulograma, eletrólitos, função renal/hepática seriadas.
Dica de prova (pegadinhas): Kawasaki requer febre ≥5 dias; dengue costuma ter plaquetopenia; escarlatina não dá choque; foco cutâneo recente + choque + mucosas hiperemiadas é “assinatura” da SCT estafilocócica.
Referências: CDC Case Definition for TSS; UpToDate – Toxic shock syndrome; Nelson Textbook of Pediatrics; IDSA 2014 SSTI Guideline; AAP Red Book.
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