"Nunca ninguém disse que ele era um grande cachorro — ou mes...
TEXTO III
O FAZENDEIRO, SEU FILHO E O BURRO
Um fazendeiro e seu filho viajavam para o mercado, levando consigo um burro. Na estrada, encontraram umas moças salientes, que riram e zombaram deles:
- Já viram que bobos? Andando a pé, quando deviam montar no burro?
O fazendeiro, então, ordenou ao filho:
- Monte no burro, pois não devemos parecer ridículos.
O filho assim o fez.
Daí a pouco, passaram por uma aldeia. À porta de uma estalagem estavam uns velhos que comentaram:
- Ali vai um exemplo da geração moderna: o rapaz, muito bem refestelado no animal, enquanto o velho pai caminha, com suas pernas fatigadas.
- Talvez eles tenham razão, meu filho, disse o pai. Ficaria melhor se eu montasse e você fosse a pé. Trocaram então as posições.
Alguns quilômetros adiante, encontraram camponesas passeando, as quais disseram:
- A crueldade de alguns pais para com os filhos é tremenda! Aquele preguiçoso, muito bem instalado no burro, enquanto o pobre filho gasta as pernas. -
Suba na garupa, meu filho. Não quero parecer cruel - pediu o pai.
Assim, ambos montados no burro, entraram no mercado da cidade.
- Oh!!! Gritaram outros fazendeiros que se encontravam lá. Pobre burro, [...] carregando uma dupla carga! Não se trata um animal desta maneira. Os dois precisavam ser presos. Deviam carregar o burro às costas, em vez de este carregá-los.
O fazendeiro e o filho saltaram do animal e carregaram-no. Quando atravessavam uma ponte, o burro, que não estava se sentindo confortável, começou a escoicear com tanta energia que os dois caíram na água.
(Texto adaptado) Disponível em: <http://www.botucatu.sp gov.br/Eventos/2007/contHistorias/bauhistorias.pdf>
"Nunca ninguém disse que ele era um grande cachorro — ou mesmo um bom cachorro. Ele
era tão selvagem quanto uma banshee irlandesa e tão forte quanto um touro. Ele atravessava a
vida alegremente com um gosto mais frequentemente associado aos desastres naturais. Ele foi o
único cão que conheci que foi expulso da escola de adestramento”. E continuei: “Marley
mastigava almofadas, destruía telas, babava e revirava latas de lixo. Quanto à sua mente, vamos
apenas dizer que ele perseguiu seu rabo até o dia em que morreu, aparentemente convencido de
que estava a ponto de realizar um grande feito canino”. Ele não era só isso, no entanto, e descrevi sua intuição e empatia, sua delicadeza com crianças, seu coração puro. O que eu realmente queria contar era como este animal tocara nossas almas e nos
ensinara algumas das lições mais importantes de nossas vidas. “Uma pessoa pode aprender
muito com um cão, mesmo com um cão maluco como o nosso”, escrevi. “Marley me ensinou a
viver cada dia com alegria e exuberância desenfreadas, aproveitar cada momento e seguir o que
diz o coração. Ele me ensinou a apreciar coisas simples — um passeio pelo bosque, uma neve
recém-caída, uma soneca sob o sol de inverno. E enquanto envelhecia e adoecia, ensinou-me a manter o otimismo diante da adversidade. Principalmente, ele me ensinou sobre a amizade e o
altruísmo e, acima de tudo, sobre lealdade incondicional”. Era um conceito interessante que só então, após a morte dele, eu compreendia
inteiramente. Marley como mentor. Como professor e exemplo. Seria possível para um cachorro
— qualquer cachorro, mas principalmente um absolutamente incontrolável e maluco como o
nosso — mostrar aos seres humanos o que realmente importava na vida? Eu acreditava que sim.
Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas que não tinham
importância. Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife. Símbolos de
status não significam nada para ele. Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão
não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se
importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu
coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão
mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou
não. Enquanto eu escrevia a coluna de despedida para Marley, descobri que tudo estava bem à
nossa frente, se apenas pudéssemos ver. Às vezes, era preciso um cachorro com mau hálito,
péssimos modos e intenções puras para nos ajudar a ver. Terminei minha coluna, entreguei-a ao
meu editor e peguei o carro para voltar para casa, sentindo-me de algum modo mais leve, quase
flutuando, como se tivesse me livrado de um peso que nem sabia que carregava. (Texto adaptado). Disponível em:<http://colegioplante.com.br/wp-content/uploads/2016/05/IVIarley-Eu-John-Grogan.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2019. Tanto o texto I quanto o texto III nos mostram a relação do homem com um animal. No primeiro, com um cachorro; no segundo, com um burro. A partir dessa premissa, é correto afirmar que
Gabarito comentado
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