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Q3874647 Medicina
Mulher cis, 29 anos, profissional do sexo, busca iniciar profilaxia pré-exposição (PrEP) da infecção por HIV. Relata múltiplos parceiros, sexo vaginal e anal receptivo, e uso irregular de preservativo. Não faz uso de medicações contínuas e nega tratamento prévio para hepatite B. Não há sinais clínicos de cirrose. Exame físico do abdome normal. 

Exames laboratoriais recentes mostram:

HBsAg: reagente; Anti-HBc total: reagente; HBeAg: não reagente; Anti-HBe: reagente; Anti-HBs: não reagente; aspartato aminotransferase 12 U/L (VR: 5 - 40U/L); TGP 22 U/L (VR: 7 - 56/L); Carga viral HBV: 5.400 UI/mL; Anti-HIV: não reagente; TFG: 86mL/min/1,73m²

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas PrEP HIV 2025, marque a alternativa CORRETA quanto ao uso de PrEP para HIV nesta paciente1.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pelo PCDT PrEP HIV 2025, a infecção pelo HBV não contraindica PrEP oral diária; em pessoa com HBsAg reagente e TFG preservada, a alternativa correta é manter a possibilidade de TDF/FTC, com acompanhamento específico da hepatite B e cautela na interrupção pelo risco de exacerbação hepática.

Tema central: PrEP na hepatite B
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma hepatite B ativa em contraindicação à PrEP, o que contraria frontalmente o PCDT 2025. A base afirma que HBV não contraindica PrEP oral diária e que, mesmo com diagnóstico de hepatite B, ela pode ser iniciada. O risco relevante não é proibição de uso de tenofovir ou entricitabina, mas exacerbação hepática se o esquema for interrompido sem seguimento.
B
Errada
Está errada porque, na hepatite B crônica, a modalidade de escolha não é PrEP sob demanda, e sim PrEP diária. O critério médico decisivo é o problema do uso intermitente em quem tem HBV crônico, já que TDF/FTC atua contra o HBV e a interrupção exige cautela. A afirmação de que seria "igualmente eficaz" e mais segura nesse cenário não é a recomendação do protocolo citado.
C
Errada
Está errada porque o protocolo não exige adiar PrEP até resolver a viremia do HBV, nem estabelece entecavir como etapa obrigatória anterior. A base é explícita ao dizer que, mesmo havendo HBV, a PrEP diária pode ser iniciada, com encaminhamento para avaliação e acompanhamento específico da hepatite B. Além disso, a alternativa ignora o dado central de que TDF/FTC tem atividade anti-HBV.
D
Certa
A alternativa D coincide com a diretriz decisiva da questão. A paciente tem indicação de PrEP pelo risco sexual e teste anti-HIV não reagente, e os marcadores mostram infecção crônica pelo HBV, o que não impede iniciar PrEP oral diária. O ponto técnico central é que TDF/FTC tem atividade anti-HBV; por isso, em hepatite B crônica, o protocolo prefere PrEP diária e exige acompanhamento específico, especialmente se houver interrupção, pelo risco de exacerbação da hepatite.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre dois fatos diferentes: HBV crônica não contraindica iniciar PrEP diária, mas a interrupção de TDF/FTC em portador de HBV exige monitorização pelo risco de exacerbação hepática.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado trouxer HBsAg reagente com anti-HBc reagente e anti-HBs não reagente, pense em infecção pelo HBV, não em imunidade vacinal.
  • Em questão baseada no PCDT PrEP 2025, hepatite B crônica aponta para PrEP oral diária com TDF/FTC, não para contraindicação automática.
  • Quando o esquema de PrEP tem atividade contra o HBV, o ponto crítico costuma ser o risco na interrupção e a necessidade de seguimento clínico-laboratorial.
  • Não use transaminases normais ou HBeAg negativo para excluir HBV relevante se o enunciado já mostra HBsAg positivo e carga viral detectável.

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