Paciente de 52 anos apresenta dor espontânea em um molar inf...
Com base no quadro clínico, marque a opção correta sobre a classificação e manejo da lesão.
Gabarito comentado
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Tema central: lesão endo-periodontal. Quando uma infecção do sistema de canais radiculares (endodontia) progride pelo ligamento periodontal, pode simular ou agravar doença periodontal. O dado-chave é a ausência de vitalidade pulpar, indicando necrose e origem endodôntica primária, com comprometimento periodontal secundário.
Gabarito: B — Lesão endo-perio primária de origem endodôntica, com indicação de tratamento endodôntico prévio a qualquer abordagem periodontal.
Justificativa clínica: Dor espontânea, supuração vestibular, bolsa profunda isolada (10 mm), mobilidade II, teste pulpar sem resposta e radiolucidez envolvendo ápice e crista alveolar compõem o quadro clássico de uma infecção endodôntica drenando pelo periodonto. Nesses casos, a instrumentação e desinfecção dos canais (possivelmente com curativo intracanal de hidróxido de cálcio) levam à regressão do edema, fechamento do trajeto e redução da bolsa. Posteriormente reavalia-se o periodonto e, se necessário, realiza-se terapia periodontal complementar. Referências: Carranza’s Clinical Periodontology (lesões endo-perio), Siqueira & Lopes – Endodontia; AAP 2018 Classification; AAE – Glossary/Guides de diagnóstico.
Por que as demais estão incorretas?
A — Afirma que ausência de vitalidade sugere origem periodontal: erro conceitual. Periodontite isolada não costuma causar necrose pulpar; quando há necrose, a origem é tipicamente endodôntica. Tratar apenas o periodonto falha porque a fonte infecciosa é o canal radicular.
C — Mobilidade e bolsa profunda não definem origem periodontal. Lesões endodônticas podem produzir bolsa profunda e estreita por drenagem via canal lateral/fúrca. A mobilidade pode ser transitória pelo processo inflamatório e melhora após a terapia endodôntica. Excluir o tratamento endodôntico é inadequado.
D — “Sempre extrair” é falso. Grande parte das lesões endo-perio de origem endodôntica cicatrizam com tratamento de canal adequado, com regeneração óssea periapical e redução da profundidade de sondagem. Extração fica para casos irrestauráveis, fratura radicular vertical ou perda de suporte terminal. (AAE, Carranza)
Estratégia de prova:
- Valorize teste de vitalidade: negativo → pense em origem endodôntica.
- Sondagem: defeito profundo, isolado e estreito sugere via de drenagem endodôntica; padrão generalizado e múltiplos dentes sugere periodontal primário.
- Imagem: radiolucidez do ápice à crista indica possível comunicação pelo ligamento periodontal; traçar fístula com guta-percha ajuda a confirmar origem.
Conduta recomendada (resumo): acesso e desinfecção do sistema de canais, irrigação abundante, curativo com hidróxido de cálcio entre sessões, controle de dor e drenagem quando indicado; antibiótico apenas se houver sinais sistêmicos. Reavaliar em 4–8 semanas; se remanescer defeito periodontal, realizar raspagem/cirurgia conforme necessidade. (Siqueira & Lopes; AAP 2018; AAE)
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