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Q3450511 Odontologia
Paciente de 45 anos apresenta-se com queixas de desconforto gengival e sangramento durante a escovação na região do incisivo central superior direito. Ao exame clínico, observa-se uma restauração em resina composta na face vestibular deste dente, estendendo-se a nível subgengival. A sondagem periodontal revela profundidade de sondagem de 6 milímetros e sinais de inflamação local. Considerando o quadro clínico descrito, marque a opção que apresenta a conduta mais adequada para tratar a invasão do espaço biológico causada pela restauração em resina composta.
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Tema central: invasão do espaço biológico (atualmente denominado anexo supracrestal) por margem restauradora subgengival, causando inflamação e aumento de profundidade de sondagem. Quando a margem invade o anexo supracrestal, ocorre sangramento persistente e “bolsa” inflamatória. Para saúde periodontal, a margem deve ficar ≈3 mm da crista óssea (sulco + epitélio juncional + tecido conjuntivo) — média de 2,04 mm para o anexo, segundo Gargiulo, somada ao sulco gengival.

Alternativa correta: B – Remover a restauração e planejar aumento de coroa clínica antes de confeccionar a nova restauração. O raciocínio é etiológico: a inflamação decorre da violação do anexo supracrestal; portanto, é necessário reposicionar a margem restauradora em tecido saudável. O aumento de coroa clínica (retalho com osteoplastia/osteotomia e reposicionamento apical) restabelece ≥3 mm entre margem e crista óssea, permitindo selamento adequado e controle de placa. Após cicatrização, realiza-se a nova restauração com término acessível e polível.

Por que as outras estão incorretas?

A – Profilaxia, polimento e AINE não corrigem a causa (margem em área interditada biológica). Sem reposicionar a margem, o sangramento e a sondagem aumentada persistem. Anti-inflamatórios não tratam lesão por invasão tecidual.

C – Antibióticos sistêmicos são inapropriados na ausência de infecção aguda disseminada. A inflamação é local e induzida por trauma/restauração; antibiótico não restaura o espaço biológico e expõe a riscos de resistência. Diretrizes periodontais (AAP/EFP) não indicam antibiótico para essa situação.

D – “Substituir e tornar supragengival” sem cirurgia costuma ser inviável quando a crista óssea está próxima. Sem ganho de coroa clínica, não há espaço para um término supragengival estável; tende a gerar degraus/overcontorno ou retração gengival indesejada, mantendo inflamação.

Como interpretar na prova: termos como “margem subgengival”, “sangramento persistente” e “PS 6 mm localizada” devem acender o alerta para violação do anexo supracrestal e necessidade de terapia cirúrgica (aumento de coroa clínica) antes da nova restauração. Radiografia e sondagem transgengival ajudam a medir a distância margem–crista óssea e planejar o nível ósseo/alargamento do tecido.

Pontos clínicos e opções: Em região estética, pode-se considerar extrusão ortodôntica como alternativa ao aumento de coroa clínica para preservar arquitetura gengival, mas não era opção aqui. O objetivo é sempre restabelecer a relação margem–tecido–osso saudável e facilitar higiene e polimento.

Referências essenciais: Carranza’s Clinical Periodontology; Lindhe – Clinical Periodontology and Implant Dentistry; Gargiulo et al., 1961 (dimensões do anexo); World Workshop AAP/EFP 2017 (termo “anexo supracrestal” e manejo).

Gabarito: B.

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