Homem de 59 anos, com câncer de pulmão de células não peque...
O melhor passo inicial no manuseio desse paciente é
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Tema central: quadro típico de neuropatia periférica induzida por quimioterapia (NPIQ/CIPN), sobretudo por platinas (cisplatina), com dor em queimação e perda sensitiva em “padrão stocking” (distal, simétrica, pior à noite). Ausência de lombalgia, déficits motores ou disfunção esfincteriana afasta compressão medular.
Alternativa correta: A – prescrever duloxetina. A duloxetina é a intervenção com melhor evidência para dor dolorosa por CIPN. Ensaio clínico randomizado (Smith et al., JAMA 2013) mostrou redução clinicamente significativa da dor versus placebo, especialmente com 60 mg/dia após titulação a partir de 30 mg/dia. Diretrizes ASCO (2020/2022) e ESMO recomendam duloxetina como primeira linha para CIPN dolorosa. Mecanismo: inibição da recaptação de serotonina e noradrenalina modulando vias descendentes inibitórias da dor.
Raciocínio diagnóstico: homem pós-quimioterapia com cisplatina, dor em queimação nos pés e hipoestesia distal bilateral, exames básicos normais. Padrão sensitivo, simétrico, comprimento-dependente, sem sinais de lesão central → CIPN. Na CIPN por platinas há dano dos neurônios do gânglio da raiz dorsal e degeneração axonal sensitiva.
Análise das alternativas incorretas
B – TENS: evidência limitada e heterogênea; não é recomendada como passo inicial em CIPN dolorosa segundo ASCO/ESMO. Pode ser adjuvante, não primeira linha.
C – Oxicodona: opioides não são tratamento de escolha para dor neuropática por CIPN; reservados para casos refratários devido a efeitos adversos e risco de dependência. Diretrizes não os priorizam.
D – Níveis séricos de B12: deficiência de B12 pode causar neuropatia, mas aqui o contexto típico de CIPN, curso temporal pós-quimioterapia e ausência de outras pistas (anemia macrocítica, comprometimento proprioceptivo marcado) tornam o teste não o melhor passo inicial. Pode ser considerado se quadro atípico ou refratário.
E – Ressonância de coluna: indicada diante de “sinais de alarme” (dor lombar intensa, déficit motor assimétrico, nível sensitivo, alterações esfincterianas). Ausentes no caso; portanto, não é a conduta inicial.
Estratégia de prova: em paciente pós-platina com dor distal em queimação e déficit sensitivo simétrico, pense em CIPN e escolha duloxetina como primeira linha. Investigações adicionais ficam para casos atípicos ou com sinais de alarme.
Referências essenciais: ASCO Guideline Update – Prevention and Management of Chemotherapy-Induced Peripheral Neuropathy (2020/2022); ESMO Clinical Practice Guidelines (Supportive and Palliative Care); UpToDate: Chemotherapy-induced peripheral neuropathy; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: A
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