Considere o fragmento abaixo (extraído do 4º parágrafo) para...
“Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física. William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”.
Analise as assertivas a seguir:
I. Ocorre, entre as ideias apresentadas nos dois períodos iniciais do trecho, uma relação de contraste associada ao ato de ver. II. A referência intertextual apresentada no trecho indica que “ver” está associado ao campo da subjetividade. III. O terceiro período recorre a uma relação de comparação para endossar um posicionamento apresentado. IV. O fragmento “Mas existe algo na visão que não pertence à física” é compreendido como uma oposição à ideia de que “ver é muito complicado”.
Estão corretas apenas as afirmativas
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Tema central: A questão exige interpretação de texto, com foco em análise de relações lógicas (contraste, comparação, oposição), intertextualidade e leitura fina do sentido das ideias dentro do fragmento apresentado. Esses pontos são amplamente explorados em provas de concursos para o cargo de Primeiro Tenente.
Justificativa da Alternativa Correta (C – I, II e III):
I – Correta. Há contraste entre a afirmação "ver é muito complicado" e a explicação seguinte, que sugere que, apesar de os olhos serem cientificamente simples, o ato de ver não é. Pela norma-padrão, o contraste é indicado pelo emprego de conectores como "isso é estranho porque...", que opõem ideias do fácil e do complicado.
II – Correta. A referência intertextual a William Blake (“A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”) ressalta que a visão é subjetiva: cada um percebe de modo distinto. Segundo Koch e Elias (“Ler e Compreender”), a intertextualidade amplia o sentido do texto, atestando o campo subjetivo da percepção.
III – Correta. O terceiro período estabelece uma comparação explícita entre a física dos olhos e a de uma máquina fotográfica (“...é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica...”). Isso reforça a facilidade científica dos olhos, servindo de fundamentação ao posicionamento inicial.
IV – Incorreta. O trecho “Mas existe algo na visão que não pertence à física” não se opõe à ideia de que ver é complicado; pelo contrário, complementa o argumento, ao proclamar que a dificuldade de ver decorre de aspectos que transcendem explicações físicas. A oposição aqui não é com o “complicado de ver”, mas com a “compreensão científica” anterior.
Análise das Alternativas Incorretas:
A) I e II: Está incompleta, pois a III também está correta.
B) III e IV: A IV está errada, conforme explicado.
D) I, III e IV: A IV é o ponto de erro decisivo.
Estratégia para Concursos: Atenção às relações lógicas expressas por conectivos, comparações e intertextualidades no texto. O examinador pode explorar pequenas mudanças semânticas e o raciocínio textual. Consulte sempre as ideias centrais do fragmento para evitar distrações por detalhes superficiais.
Referências:
BECHARA, Evanildo – Moderna Gramática Portuguesa.
KOCH, Ingedore e ELIAS, Vanda – Ler e Compreender: os sentidos do texto.
Gabarito: C) I, II e III.
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