Militar veterano de 84 anos, portador de insuficiência cardí...

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Q3874798 Medicina
Militar veterano de 84 anos, portador de insuficiência cardíaca (NYHA IV), levado ao Hospital da Polícia Militar por familiares devido a prostração e acentuação do edema de membros inferiores, sendo identificado infecção urinária. Possui histórico de múltiplas internações, declínio funcional acentuado, demência FAST 6c e perda ponderal importante. Em acompanhamento ambulatorial fonoaudiológico já foi evidenciada disfagia grave para líquidos e pastosos finos, com alto risco de broncoaspiração. Apesar da dificuldade atual de comunicação, o paciente manifesta desejo de se alimentar por via oral. Familiares preocupados questionam quanto à conduta nutricional. 

Qual a abordagem CORRETA neste caso? 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a alimentação oral de conforto em doença avançada: o enunciado traz insuficiência cardíaca NYHA IV, demência FAST 6c, múltiplas internações, perda ponderal, disfagia grave e desejo expresso de comer por via oral, cenário em que conforto e autonomia residual prevalecem, e como sonda enteral ou gastrostomia não eliminam broncoaspiração nem mudam desfechos centrais da demência avançada, a conduta compatível é oferecer pequenas porções por via oral.

Tema central: Alimentação oral de conforto
Análise das alternativas
A
Errada
A gastrostomia endoscópica está errada porque transforma perda ponderal e disfagia em indicação automática de procedimento invasivo, o que não se sustenta neste cenário. Em demência avançada e doença terminal, PEG não demonstra benefício robusto em prevenção de aspiração, melhora global ou reversão do processo terminal, além de não eliminar o risco fisiopatológico de broncoaspiração. Também contraria a preferência manifestada de alimentação por via oral e se torna medida desproporcional ao objetivo de conforto.
B
Errada
A sonda nasoentérica está errada pelo mesmo núcleo fisiopatológico: ela não corrige a aspiração orofaríngea e não protege de forma confiável contra broncoaspiração, porque o paciente continua podendo aspirar saliva, secreções e conteúdo refluxado. Em paciente com doença avançada e foco plausível de conforto, acrescenta procedimento e desconforto sem ganho proporcional nos desfechos centrais descritos na base.
C
Errada
Jejum absoluto com soro glicosado está errado porque não constitui manejo nutricional adequado, não atende ao desejo do paciente de se alimentar por via oral e impõe restrição sem benefício proporcional no contexto paliativo. Além disso, não resolve o problema clínico de base de modo tecnicamente superior e pode aumentar desconforto, o que contraria o critério decisivo de conforto e proporcionalidade terapêutica.
D
Certa
A alternativa D está correta porque corresponde à alimentação oral de conforto/risk feeding em paciente com doença avançada, disfagia grave e desejo manifesto de se alimentar. Nesse contexto, nutrição artificial por sonda ou gastrostomia não previne de forma confiável a broncoaspiração, já que a aspiração pode ocorrer por saliva, secreções orofaríngeas e refluxo/conteúdo gástrico, e também não oferece benefício clínico relevante consistente em sobrevida, funcionalidade, prevenção de pneumonia aspirativa ou qualidade de vida na demência avançada. Assim, a oferta oral assistida em pequenas quantidades é a medida proporcional e coerente com o objetivo de conforto.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa ideia de que disfagia grave com risco de aspiração exige automaticamente sonda ou gastrostomia; o ponto correto é que, em demência avançada e terminalidade, essas vias não impedem broncoaspiração e podem ser menos adequadas do que alimentação oral de conforto quando essa é a vontade do paciente.
Dica para questões semelhantes
  • Em doença avançada com declínio funcional e demência tardia, primeiro identifique se o objetivo dominante é conforto e proporcionalidade terapêutica.
  • Não trate disfagia grave como indicação automática de sonda: verifique se a via enteral realmente muda a fisiopatologia e os desfechos relevantes do caso.
  • Se o paciente deseja comer e a base do caso é paliativa, pense em alimentação oral de conforto com pequenas quantidades, reconhecendo risco sem prometer segurança absoluta.

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