Paciente masculino, 70 anos, com histórico de cirrose hepát...
Paciente masculino, 70 anos, com histórico de cirrose hepática devido a Hepatite C crônica, apresenta quadro de ascite refratária ao tratamento convencional com diuréticos e com infecções urinárias de repetição. Durante avaliação clínica, foi realizada tomografia computadorizada, que acusou presença de gás na parede vesical.
A abordagem terapêutica mais apropriada para esse paciente consiste em
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Tema central: quadro compatível com cistite enfisematosa — infecção urinária complicada por bactérias formadoras de gás, caracterizada por gás na parede vesical à TC. Fatores de risco: idade avançada, imunossupressão/cirrose, ITU recorrente, obstrução urinária, diabetes.
Raciocínio diagnóstico: a tomografia é o exame mais sensível para demonstrar gás intramural, achado chave para cistite enfisematosa (diferenciar de gás apenas intraluminal ou fístulas). Clinicamente, cursa com sintomas de ITU, pneumatura ocasional, e risco de sepse. Referência: UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Alternativa correta: D — cateter vesical de demora associado a antibioticoterapia. A drenagem vesical contínua (Foley) reduz estase, facilita eliminação de debris/gás e melhora penetração do antibiótico. Iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro contra Enterobacterales (ex.: cefalosporina de 3ª geração, piperacilina-tazobactam ou carbapenêmico nos graves), ajustando à urocultura, por 10–14 dias, com suporte clínico. Conduta respaldada por revisões e diretrizes de ITU complicada (IDSA) e sínteses do UpToDate.
Por que as demais estão incorretas?
A) Cateter + oxigênio hiperbárico: a oxigenoterapia hiperbárica tem evidência limitada e não é terapia de primeira linha; pode ser adjuvante em casos refratários/necrosantes. O essencial é ATB + drenagem vesical.
B) Cistectomia com neobexiga: excessivamente agressiva; reservada para falha de tratamento clínico, perfuração ou bexiga gangrenosa — situações raras.
C) Cistoscopia para descompressão/irrigação: a manipulação endoscópica não é necessária na fase aguda e pode piorar a infecção. A descompressão adequada é com sonda vesical de demora.
E) Observação clínica: contraindicado. A cistite enfisematosa é infecção grave com risco de sepse e progressão para pielonefrite enfisematosa se não tratada prontamente.
Estratégia de prova: ao ver a expressão “gás na parede vesical (TC)”, pense imediatamente em cistite enfisematosa. A conduta padrão é ATB sistêmico + sonda vesical. Termos como “ascite refratária” são contexto de alto risco infeccioso, mas o achado tomográfico define a conduta.
Referências sucintas: UpToDate – Emphysematous cystitis (diagnosis and management); Harrison’s Principles of Internal Medicine, infecções do trato urinário; recomendações gerais para ITU complicada (IDSA).
Gabarito: D
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