Paciente do sexo masculino, 45 anos, com histórico de litía...
Paciente do sexo masculino, 45 anos, com histórico de litíase renal recorrente, apresenta um quadro de cálculo de 1,5 cm em ureter médio direito. É submetido a uma ureteroscopia flexível com laser para fragmentação do cálculo. Durante procedimento, ocorre perfuração do ureter médio com extravasamento do contraste para a cavidade abdominal.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta apropriada para essa complicação.
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Complicação intraoperatória de ureteroscopia: perfuração ureteral com extravasamento de contraste. Conduta visa preservar o ureter, evitar urinoma/infecção e reduzir risco de estenose.
Raciocínio clínico: A perfuração durante ureteroscopia indica interromper a manipulação para não ampliar a lesão. A medida padrão é derivar a urina com stent duplo J, permitindo cicatrização da mucosa e muscular. O tempo de permanência recomendado é, em geral, 4 a 6 semanas (muitos serviços adotam 4 semanas) antes de reabordar o cálculo. Cirurgia imediata é reservada para avulsão, transecção completa ou isquemia extensa.
Alternativa correta (A): Interromper o procedimento e passar stent ureteral por 4 semanas. Justifica-se porque: 1) reduz extravasamento; 2) favorece cicatrização; 3) diminui risco de estenose; 4) evita piora da lesão com manipulação adicional. Após 4 semanas, reprograma-se a abordagem do cálculo. Evidência: EAU Guidelines on Urolithiasis (2024) e AUA/UpToDate recomendam derivação com duplo J por 2–6 semanas (prática comum 4–6 semanas) em perfurações sem perda segmentar.
Análise das incorretas:
B) Cirurgia laparoscópica imediata com stent por 6 semanas: excessiva para perfuração iatrogênica sem avulsão/transecção. A abordagem conservadora com stent é padrão. Reserva-se reparo cirúrgico para lesões extensas ou falha da derivação.
C) Finalizar retirada dos fragmentos e stent por 4 semanas: inadequado. Após perfuração, continuar a extração aumenta extravasamento, sangramento e risco de avulsão/estenose. O correto é abortar a manipulação.
D) Cirurgia laparoscópica imediata e stent por 2 semanas: além de indicar cirurgia indevida, o tempo de 2 semanas pode ser insuficiente para cicatrização adequada em perfurações, elevando risco de estenose.
E) Interromper e stent por 2 semanas: acerta em interromper e stentar, mas o período é curto para perfuração com extravasamento visível. Diretrizes recomendam preferir ~4–6 semanas, sobretudo em ureter médio, para melhor reparo.
Dicas de prova e prática:
- Extravasamento de contraste = sinal de perfuração significativa; não prossiga com litotripsia.
- Padrão-ouro: duplo J (e considerar antibiótico e drenagem percutânea se urinoma/sepse).
- Reabordagem eletiva após cicatrização; monitorar sintomas e, se necessário, realizar imagem de controle.
Referências essenciais: EAU Guidelines on Urolithiasis (2024); AUA Guideline on Surgical Management of Stones; UpToDate – Complications of ureteroscopy and their management.
Gabarito: A
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo