Lactente de 2 meses com quadro de tosse persistente há 10 di...

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Q3874024 Medicina
Lactente de 2 meses com quadro de tosse persistente há 10 dias, sem febre. Nascido a termo, parto vaginal sem intercorrências. Relato de ter feito tratamento para conjuntivite aos 14 dias de vida. Ao exame, encontra-se taquipneico, tem ausculta pulmonar com crepitações, sem outras alterações. Hemograma com discreta eosinofilia. Radiografia de tórax com infiltrado intersticial e opacidades paracardíacas.

Sobre o agente etiológico mais provável, marque a alternativa CORRETA.
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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Lactente de 2 meses com tosse persistente, ausência de febre, conjuntivite neonatal prévia, taquipneia, crepitações, discreta eosinofilia e infiltrado intersticial tem quadro típico de pneumonia afebril por Chlamydia trachomatis, adquirida no canal de parto; por isso, a alternativa A é a correta.

Tema central: Pneumonia afebril por Chlamydia trachomatis
Análise das alternativas
A
Certa
Chlamydia trachomatis é o agente que melhor integra todos os achados do caso em um mesmo quadro clínico-epidemiológico: aquisição perinatal no canal de parto, conjuntivite neonatal inicial e, entre 1 e 3 meses de vida, evolução para pneumonia subaguda/afebril com tosse persistente, taquipneia, crepitações, infiltrado intersticial e eosinofilia periférica. O ponto decisivo não é a radiografia isoladamente, mas a combinação entre idade, ausência de febre, conjuntivite neonatal prévia e eosinofilia.
B
Errada
Adenovírus pode causar pneumonia em lactentes, mas o padrão esperado costuma incluir febre e quadro viral mais exuberante. Aqui, o conjunto afebril e subagudo, somado à eosinofilia e ao antecedente de conjuntivite neonatal por provável transmissão no parto, não é o padrão típico de adenovírus e favorece fortemente Chlamydia trachomatis.
C
Errada
Streptococcus agalactiae é causa importante de sepse e pneumonia neonatal, sobretudo em apresentação mais precoce e com perfil infeccioso invasivo. O caso não descreve quadro séptico nem apresentação neonatal típica, e o antecedente de conjuntivite neonatal seguido de eosinofilia não se encaixa nessa etiologia. Há discordância tanto da faixa temporal quanto da síndrome clínica.
D
Errada
Mycoplasma pneumoniae é muito menos provável aos 2 meses, sendo agente mais compatível com crianças maiores. Além da incompatibilidade etária, não explica a sequência perinatal característica de conjuntivite neonatal nas primeiras semanas de vida seguida de pneumonia afebril com eosinofilia.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de marcar agente viral ou 'atípico' genérico apenas porque a radiografia mostra infiltrado intersticial. O discriminador real do caso é a combinação de lactente de 2 meses + ausência de febre + conjuntivite neonatal prévia + eosinofilia, que aponta para Chlamydia trachomatis.
Dica para questões semelhantes
  • Em lactente de 1 a 3 meses com pneumonia afebril, procure antecedente de conjuntivite neonatal: essa sequência temporal favorece Chlamydia trachomatis.
  • Não use infiltrado intersticial isoladamente para definir etiologia; no lactente jovem, o contexto clínico e epidemiológico pesa mais.
  • Eosinofilia periférica em pneumonia de lactente é dado de apoio importante para Chlamydia trachomatis.
  • Em pneumonia 'atípica', a idade ajuda a excluir opções: aos 2 meses, Mycoplasma pneumoniae fica epidemiologicamente desfavorecido.

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