Paciente do sexo masculino, com 58 anos, tabagista há quare...

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Q4156255 Medicina
Paciente do sexo masculino, com 58 anos, tabagista há quarenta anos (40 maços/ano) e etilista crônico, apresenta disfagia progressiva para sólidos há quatro meses, odinofagia, perda ponderal de 10 kg no período e sensação de “caroço” na garganta. Na videolaringoscopia, observa-se lesão ulceroinfiltrativa em recesso piriforme direito, estendendo-se para parede lateral da hipofaringe, limitada superiormente na prega faringoepiglótica, sem comprometimento da mobilidade das pregas vocais. A tomografia computadorizada evidencia lesão com realce heterogêneo após contraste, medindo 3,8 cm em seu maior diâmetro, restrita à hipofaringe, sem invasão de cartilagens ou estruturas adjacentes. Não há linfonodomegalias cervicais suspeitas. A biópsia confirma carcinoma epidermoide moderadamente diferenciado.
Qual o estadiamento clínico correto (TNM – AJCC 8ª edição) e a melhor opção terapêutica, respectivamente, para esse caso?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pelo AJCC 8ª edição para hipofaringe, tumor de 3,8 cm restrito à hipofaringe, sem fixação da hemilaringe/pregas vocais e sem invasão de cartilagens ou estruturas adjacentes maiores é T2; a ausência de linfonodos suspeitos define N0 e, sem metástase descrita, M0, resultando em estádio II, para o qual a alternativa compatível com preservação de órgão no contexto da questão é quimiorradioterapia concomitante.

Tema central: TNM da hipofaringe
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque T4 exige invasão de cartilagem tireoide/cricoide ou de estruturas adjacentes maiores, o que foi explicitamente negado na tomografia. A mobilidade das pregas vocais está preservada, o que também afasta doença localmente avançada por fixação. A laringectomia total com faringectomia parcial é conduta radical incompatível com os achados anatômicos descritos.
B
Certa
A alternativa B acerta o estadiamento e a conduta. O T é 2 porque a lesão mede 3,8 cm, está restrita à hipofaringe e não há fixação laríngea nem invasão de cartilagem ou estruturas adjacentes maiores; portanto, não preenche critério de T3 nem de T4. O N é 0 pela ausência de linfonodomegalias cervicais suspeitas, e o agrupamento T2N0M0 corresponde a estádio II. Entre as opções oferecidas, a quimiorradioterapia concomitante representa a estratégia de preservação de órgão aceita para esse cenário localizado sem fixação laríngea.
C
Errada
Errada porque, embora o estadiamento T2N0M0 estádio II esteja correto, quimioterapia de indução seguida de radioterapia exclusiva não é a estratégia terapêutica padrão preferencial nesta formulação de prova para esse cenário. A base sustenta que, entre as alternativas dadas, a opção consolidada de preservação de órgão é a quimiorradioterapia concomitante.
D
Errada
Errada porque, apesar de acertar T2N0M0 estádio II, a escolha terapêutica não é a melhor entre as opções apresentadas. Em tumor localizado de hipofaringe, sem fixação laríngea e sem invasão de estruturas adjacentes, a lógica contemporânea cobrada é preservação de órgão por tratamento não cirúrgico concomitante, e não laringectomia parcial como resposta preferencial.
E
Errada
Errada porque T3 em hipofaringe exige tumor maior que 4 cm, fixação da hemilaringe ou extensão ao esôfago. Nenhum desses critérios está presente: a lesão mede 3,8 cm, a mobilidade laríngea está preservada e não há extensão esofágica descrita. A proposta de laringectomia total com faringectomia parcial e esvaziamento bilateral supertrata um quadro que não tem critérios anatômicos de T3.
Pegadinha da questão
A banca tentou induzir superestadiamento pelo peso dos sintomas e pelo aspecto ulceroinfiltrativo, mas o T da hipofaringe é definido pela anatomia: tamanho, fixação laríngea e invasão de estruturas adjacentes. Como não há fixação nem invasão extrahipofaríngea maior, o caso permanece T2.
Dica para questões semelhantes
  • Em hipofaringe, diferencie T2 de T3 pelo trio: tamanho, fixação da hemilaringe e extensão ao esôfago; 3,8 cm sem fixação não é T3.
  • Não use disfagia, odinofagia ou perda ponderal para definir T anatômico; use os critérios estruturais do TNM.
  • Ausência de linfonodos cervicais suspeitos no enunciado sustenta N0 no estadiamento clínico.
  • Quando a alternativa terapêutica confronta cirurgia radical versus preservação de órgão em tumor localizado sem invasão de cartilagem, a opção preservadora tende a ser a correta no contexto de prova.

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