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Q4156252 Medicina
Homem com 74 anos, diabético, insulinodependente, apresenta-se ao pronto-socorro com dor intensa em região cervical direita, febre (38,5 ºC), disfagia, odinofagia e trismo moderado com evolução de cinco dias. Tem histórico de manipulação dentária do terceiro molar inferior direito há dez dias. Ao exame físico, observa-se aumento de volume e hiperemia em região submandibular e no nível II à direita, mal delimitada, com flutuação à palpação. A tomografia computadorizada com contraste evidencia coleção hipodensa, com realce periférico, medindo 4,2 x 3,5 x 3,0 cm, localizada no espaço submandibular direito com extensão para o espaço parafaríngeo ipsilateral, incluindo espaço retrofaríngeo, com evidência de gás nessa coleção.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta terapêutica mais adequada para esse caso.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A presença de abscesso profundo cervical já organizado, com flutuação, coleção com realce periférico na tomografia, gás intralesional, extensão para os espaços parafaríngeo e retrofaríngeo, e paciente diabético com sinais sistêmicos, exige drenagem cirúrgica cervical associada a antibioticoterapia endovenosa e cultura; antibiótico isolado ou abordagem ambulatorial não são adequados.

Tema central: Abscesso cervical profundo
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque o caso não é de celulite simples passível de observação com antibiótico. Há abscesso profundo estabelecido, demonstrado por flutuação ao exame e coleção com realce periférico na tomografia, além de gás e extensão para múltiplos espaços cervicais. Nessa situação, antibiótico isolado não controla adequadamente o foco infeccioso.
B
Errada
Errada porque punção aspirativa isolada com antibiótico oral não é conduta adequada em coleção profunda, volumosa e com extensão parafaríngea e retrofaríngea, ainda mais com sinais sistêmicos, diabetes e gás intralesional. O problema não é apenas o antibiótico oral, mas a ausência de drenagem cirúrgica formal e de tratamento hospitalar.
C
Errada
Errada porque propõe manejo ambulatorial oral para um quadro que tem critérios de gravidade anatômica e clínica: abscesso profundo organizado, trismo, disfagia, febre, diabetes e acometimento de espaços cervicais profundos. Isso exige internação, terapia parenteral e controle cirúrgico do foco, não antibioticoterapia oral isolada.
D
Certa
A alternativa D está correta porque corresponde ao manejo de abscesso profundo cervical odontogênico complicado. Há coleção abscedada definida, com acometimento de múltiplos espaços cervicais profundos e presença de gás, o que torna antibiótico isolado insuficiente. A via cervical é a adequada porque oferece melhor acesso aos compartimentos submandibular, parafaríngeo e retrofaríngeo, permitindo drenagem dependente e exploração dos planos acometidos. Como se trata de infecção grave em paciente diabético, o tratamento deve ser hospitalar, com antibioticoterapia endovenosa cobrindo flora odontogênica mista e coleta de material para cultura.
E
Errada
Errada porque a via intraoral não oferece acesso adequado nem completo a uma coleção no espaço submandibular com extensão parafaríngea e retrofaríngea. Pela anatomia dos espaços acometidos, a drenagem por via cervical externa é a que permite melhor exposição e drenagem efetiva da infecção profunda.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre infecção odontogênica tratável clinicamente e abscesso profundo cervical que já mudou de patamar terapêutico. O achado decisivo é a coleção organizada com extensão para espaços profundos; a origem dentária não autoriza escolher via intraoral nem antibiótico isolado.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver flutuação clínica e coleção com realce periférico na tomografia, pense em abscesso formado: isso desloca a conduta de antibiótico isolado para drenagem associada a terapia EV.
  • Extensão para espaços parafaríngeo ou retrofaríngeo aumenta a gravidade anatômica e favorece drenagem por via cervical, não abordagem limitada.
  • Gás na coleção, febre, disfagia, trismo e diabetes reforçam necessidade de internação e tratamento agressivo do foco.
  • Em infecção profunda cervical, o erro comum não está só na escolha do antibiótico, mas em omitir o controle cirúrgico do abscesso.

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