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Considere o seguinte texto.      Por que o Brasil não se fr...

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Q4192217 História
Considere o seguinte texto.

     Por que o Brasil não se fragmentou e manteve a unidade territorial que vinha dos tempos da Colônia? Para explicar isso, os historiadores têm buscado várias respostas. Vamos nos referir a duas.
     Em seu livro A Construção da Ordem, José Murilo de Carvalho propõe uma explicação que dá peso maior à natureza da elite política imperial, que teria tido melhores condições de enfrentar com êxito a tarefa de construir o Estado nacional, por ser bastante homogênea. Essa homogeneidade resultaria, principalmente, da educação e da profissão comuns.
(Boris Fausto, História do Brasil)


A outra análise vem de Luís Filipe de Alencastro, que 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Diferenciar a interpretação de Alencastro da de José Murilo de Carvalho: aqui, a unidade territorial é associada à centralização ligada ao tráfico negreiro e à pressão britânica, não à homogeneidade da elite imperial.

Tema central: Interpretação de Alencastro sobre unidade territorial e tráfico negreiro
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque troca o eixo da interpretação pedida. Em vez de vincular a unidade à centralização ligada ao tráfico negreiro, atribui a Alencastro uma explicação baseada em tensões entre Corte e elites provinciais resolvidas por descentralização e Assembleias Provinciais.
B
Errada
Está errada porque desloca o fundamento para a preservação da competitividade dos produtos de exportação no comércio internacional. Essa é uma explicação econômico-exportadora genérica, sem o vínculo específico com tráfico negreiro e pressão inglesa que define a interpretação cobrada.
C
Certa
A alternativa C está correta porque preserva o núcleo da interpretação atribuída a Alencastro: a centralização política do Império se relacionava à defesa da ordem escravista, especialmente à manutenção do tráfico negreiro, em um contexto de pressão inglesa pelo seu fim. O critério decisivo não é centralização em abstrato, mas a associação entre unidade nacional, tráfico de escravizados e necessidade de um poder central capaz de lidar com essa pressão externa.
D
Errada
Está errada porque faz da unidade territorial resultado principal de um forte mercado interno e de interdependência econômica entre províncias. Esse não é o ponto atribuído a Alencastro nessa comparação; o núcleo está na articulação entre escravidão, tráfico e centralização diante de pressão externa.
E
Errada
Está errada porque menciona articulação entre governo imperial e elites provinciais, mas isso não basta para reproduzir a interpretação específica pedida. Falta o elemento decisivo da tese: a ligação entre unidade imperial, centralização política, tráfico negreiro e pressão britânica.
Pegadinha da questão
A confusão real era marcar uma alternativa plausível sobre centralização ou sobre elites provinciais sem perceber que a formulação pedida exigia o elemento específico do tráfico negreiro sob pressão inglesa, além de diferenciar Alencastro de José Murilo de Carvalho.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão contrapõe autores, identifique o elemento exclusivo que distingue uma interpretação da outra, e não apenas o tema geral comum.
  • Se várias alternativas parecem plausíveis, escolha a que contenha o vínculo específico exigido pela tese cobrada; aqui, não bastava falar em centralização, era preciso ligá-la ao tráfico negreiro e à pressão britânica.
  • Elimine explicações genéricas sobre exportações, mercado interno ou negociação com elites quando a base da interpretação pedida é mais precisa e está ancorada em escravidão e pressão externa.

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Comentários

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Para Alencastro, a manutenção da unidade territorial brasileira esteve umbilicalmente ligada à preservação do tráfico de escravizados africanos. Como a Inglaterra exercia forte pressão internacional pelo fim do tráfico, as elites proprietárias de terra espalhadas pelas diversas províncias (como Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco) perceberam que uma fragmentação do Brasil em pequenas repúblicas as deixaria frágeis e vulneráveis às imposições britânicas.

A existência de um governo centralizado no Rio de Janeiro funcionou como um escudo diplomático e militar para proteger o abastecimento de mão de obra escrava e sustentar a ordem escravista nacional.

A) Incorreta: Alencastro não foca na concessão das Assembleias Provinciais como eixo explicativo central para a unidade, mas sim no papel articulador da escravidão e do tráfico.

B) Incorreta: O fator determinante da sua tese não é a concorrência dos produtos de exportação em si, mas a manutenção da mão de obra escrava contra as pressões abolucionistas internacionais.

D) Incorreta: O mercado interno brasileiro no início do século XIX ainda era frágil e desarticulado regionalmente; a interdependência econômica não era forte o suficiente para evitar, por si só, o separatismo.

E) Incorreta: Inverte a lógica, sugerindo que as elites abriram mão do poder local apenas por apoio financeiro, ignorando o pacto em torno da defesa da propriedade escrava e da centralização política.

Gabarito C

Luís Filipe de Alencastro enfatiza o papel das relações internacionais, especialmente o conflito de interesses entre o Brasil e a Inglaterra.

Enquanto os ingleses pressionavam pelo fim do tráfico negreiro, o Brasil buscava mantê-lo, pois era fundamental para a economia escravista. Nesse contexto, a centralização política era vista como necessária para resistir às pressões externas e preservar o sistema social e econômico vigente.

CFOPMBA

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