Considere o seguinte texto. Por que o Brasil não se fr...
Por que o Brasil não se fragmentou e manteve a unidade territorial que vinha dos tempos da Colônia? Para explicar isso, os historiadores têm buscado várias respostas. Vamos nos referir a duas.
Em seu livro A Construção da Ordem, José Murilo de Carvalho propõe uma explicação que dá peso maior à natureza da elite política imperial, que teria tido melhores condições de enfrentar com êxito a tarefa de construir o Estado nacional, por ser bastante homogênea. Essa homogeneidade resultaria, principalmente, da educação e da profissão comuns.
(Boris Fausto, História do Brasil)
A outra análise vem de Luís Filipe de Alencastro, que
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: Diferenciar a interpretação de Alencastro da de José Murilo de Carvalho: aqui, a unidade territorial é associada à centralização ligada ao tráfico negreiro e à pressão britânica, não à homogeneidade da elite imperial.
- Quando a questão contrapõe autores, identifique o elemento exclusivo que distingue uma interpretação da outra, e não apenas o tema geral comum.
- Se várias alternativas parecem plausíveis, escolha a que contenha o vínculo específico exigido pela tese cobrada; aqui, não bastava falar em centralização, era preciso ligá-la ao tráfico negreiro e à pressão britânica.
- Elimine explicações genéricas sobre exportações, mercado interno ou negociação com elites quando a base da interpretação pedida é mais precisa e está ancorada em escravidão e pressão externa.
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Para Alencastro, a manutenção da unidade territorial brasileira esteve umbilicalmente ligada à preservação do tráfico de escravizados africanos. Como a Inglaterra exercia forte pressão internacional pelo fim do tráfico, as elites proprietárias de terra espalhadas pelas diversas províncias (como Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco) perceberam que uma fragmentação do Brasil em pequenas repúblicas as deixaria frágeis e vulneráveis às imposições britânicas.
A existência de um governo centralizado no Rio de Janeiro funcionou como um escudo diplomático e militar para proteger o abastecimento de mão de obra escrava e sustentar a ordem escravista nacional.
A) Incorreta: Alencastro não foca na concessão das Assembleias Provinciais como eixo explicativo central para a unidade, mas sim no papel articulador da escravidão e do tráfico.
B) Incorreta: O fator determinante da sua tese não é a concorrência dos produtos de exportação em si, mas a manutenção da mão de obra escrava contra as pressões abolucionistas internacionais.
D) Incorreta: O mercado interno brasileiro no início do século XIX ainda era frágil e desarticulado regionalmente; a interdependência econômica não era forte o suficiente para evitar, por si só, o separatismo.
E) Incorreta: Inverte a lógica, sugerindo que as elites abriram mão do poder local apenas por apoio financeiro, ignorando o pacto em torno da defesa da propriedade escrava e da centralização política.
Gabarito C
Luís Filipe de Alencastro enfatiza o papel das relações internacionais, especialmente o conflito de interesses entre o Brasil e a Inglaterra.
Enquanto os ingleses pressionavam pelo fim do tráfico negreiro, o Brasil buscava mantê-lo, pois era fundamental para a economia escravista. Nesse contexto, a centralização política era vista como necessária para resistir às pressões externas e preservar o sistema social e econômico vigente.
CFOPMBA
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