Um homem de 38 anos de idade procurou atendimento médico, re...

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Ano: 2006 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PM-DF
Q1197420 Medicina
Um homem de 38 anos de idade procurou atendimento médico, relatando que, há cerca de 7 dias vem apresentando dispnéia aos médios esforços e ao se deitar, aumento do volume abdominal, dor no hipocôndrio direito e edema nos membros inferiores. O exame clínico mostra sinais vitais estáveis. Pulmões com discretos estertores nos terços inferiores de ambos hemitóraces. Presença de turgência jugular a 45º, com onda V gigante. Ritmo cardíaco regular em 3 tempos (B3), com sopro sistólico de grau 3 (Levine) em foco tricúspide, intensificado com manobra de Rivero-Carvallo e sopro sistólico de grau 3 em foco mitral. No abdome: fígado palpável à manobra do rechaço (hepatimetria de 20 cm), doloroso à palpação e com pulsação sistólica (pulso hepático), presença de ascite acentuada. Edema leve de membros inferiores (sinal de Godet presente) em bota de cano curto. O eletrocardiograma mostra baixa voltagem periférica e sobrecarga biatrial. No cateterismo cardíaco, a manometria mostra curvas de pressão de ambos ventrículos, com profunda e rápida queda da pressão diastólica inicial nesses ventrículos, seguida de aumento rápido até um platô na protodiástole, e as ventriculografias mostram amputação da ponta dos ventrículos e das vias de entrada, dilatação dos átrios e regurgitação das valvas atrioventriculares. Com base nas informações fornecidas nesse caso clínico hipotético, julgue o item a seguir.
A hipótese diagnóstica mais provável no caso clínico em questão é de endomiocardiofibrose — uma forma idiopática de miocardiopatia hipertrófica.
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Tema central: Diagnóstico diferencial das cardiomiopatias restritivas e pericardite constritiva, com ênfase em endomiocardiofibrose (EMF) e interpretação do quadro clínico-hemodinâmico apresentado.

O caso estimula o raciocínio clínico baseado em insuficiência cardíaca direita progressiva, manifestada por dispneia, ascite, hepatomegalia pulsátil e edema periférico. No exame físico, evidenciam-se sinais clássicos (turgência jugular, sopros, hepatoesplenomegalia, ascite). O eletrocardiograma reforça o diagnóstico com baixa voltagem periférica e sobrecarga biatrial.

O elemento decisivo está no resultado da manometria cardíaca: uma curva "dip-and-plateau" (ou "raiz quadrada") indica forte restrição ao enchimento diastólico em ambos ventrículos, típico de pericardite constritiva. Na ventriculografia, a "amputação" das pontas ventriculares e regurgitação valvar decorrem do mesmo mecanismo restritivo.

Análise do erro na alternativa "Certo":
A alternativa é incorreta. A endomiocardiofibrose é uma miocardiopatia restritiva, não hipertrófica. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a EMF cursa com fibrose endocárdica, obliteração apical e pode causar regurgitação valvar, mas as alterações hemodinâmicas e ecocardiográficas predominam na extensa fibrose apical, o que não foi destacado nos dados fornecidos. Além disso, o termo "miocardiopatia hipertrófica" refere-se a outra entidade patológica, caracterizada por hipertrofia de parede com obstrução do trato de saída, ausente no quadro exposto.

Justificativa da alternativa "Errado":
A hipótese diagnóstica mais plausível é pericardite constritiva. Nos protocolos e literatura, a pericardite constritiva apresenta sintomas de insuficiência cardíaca direita com sinais de restrição diastólica (padrão dip-and-plateau), hepatomegalia pulsátil e ascite, com regurgitação valvar funcional. O Protocolo Clínico da SBC detalha: “A manometria cardíaca com padão ‘raiz quadrada’ é característica da pericardite constritiva, distinguindo-a de outras cardiomiopatias restritivas.” (SBC, 2020).

Estratégia para provas: Nas questões de diagnóstico diferencial, priorize os achados hemodinâmicos e a associação dos sintomas com exames complementares, atentos a pegadinhas como a confusão entre EMF e miocardiopatia hipertrófica. Palavras como “hipertrófica”, quando mal aplicadas, tendem a indicar erro conceitual.

Resumo: Trata-se de pericardite constritiva. Endomiocardiofibrose não é miocardiopatia hipertrófica, e não se encaixa plenamente no quadro hemodinâmico descrito.

Gabarito: E (Errado)

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