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Q1826842 Medicina
Uma paciente de 32 anos lhe é referenciada para avaliação devido a anemia ferropriva. Ela relata boa saúde, mas tem sintomas gastrointestinais vagos, como mal-estar ocasional, flatulência e sensação de distensão abdominal. Adicionalmente, encontra-se em amenorreia de longa data e, embora mantenha relações sexuais desprotegidas regularmente, não consegue engravidar. Não faz uso de medicações, não ingere bebidas alcoólicas ou fuma. Ao exame físico, você nota uma paciente emagrecida (índice de massa corpórea de 17,2 kg/m2 ), lesões vesiculares e eritematosas nas superfícies extensoras dos braços e pernas e discreta distensão abdominal. Seus exames incluem anemia de padrão ferroprivo com intensa depleção dos estoques de ferro e discreta hipoalbuminemia. Uma densitometria óssea solicitada pela ginecologista que a encaminhou mostra osteoporose moderada. Considerando-se a hipótese de doença celíaca, assinale a alternativa correta.
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Tema central: Doença celíaca – diagnóstico e manifestações clínicas.

A questão explora o diagnóstico da doença celíaca diante de quadro sugestivo: paciente jovem, queixa de anemia ferropriva inexplicada, distúrbios gastrointestinais crônicos, amenorreia e infertilidade, além de lesões cutâneas compatíveis com dermatite herpetiforme e osteoporose precoce. Esses achados reforçam a investigação para doença celíaca, patologia de base autoimune desencadeada pela exposição ao glúten em indivíduos geneticamente predispostos.

Justificativa da alternativa correta (D): Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença Celíaca do Ministério da Saúde (2025):

“O diagnóstico da doença celíaca é confirmado pela presença de anticorpos específicos no sangue e pela biópsia do intestino delgado que mostra atrofia das vilosidades intestinais.”

Ou seja, embora os autoanticorpos específicos (anti-transglutaminase, anti-endomísio) tenham alta sensibilidade, a confirmação só ocorre pela identificação de atrofia vilositária em biópsia duodenal. Isso reforça a necessidade clínica de aliar dados laboratoriais e histopatológicos.

Análise das alternativas incorretas:

A) A tipagem de HLA útil é DQ2 e DQ8; DR3 e DR4 não têm indicação em DC.

B) O prognóstico não é reservado quando há aderência rigorosa à dieta sem glúten; ocorrem recuperação clínica e laboratorial na maioria dos casos.

C) Está errada, pois a DC aumenta risco para outras doenças autoimunes (tireoidite, DM1, hepatite autoimune).

E) Lesões descritas não condizem com eritema nodoso nem sugerem retocolite ulcerativa; o quadro é típico de dermatite herpetiforme, manifestação cutânea clássica da DC.

Dicas para prova: Atenção a exames confirmatórios (biópsia x sorologia) e manifestações extraintestinais da doença celíaca, além de pegadinhas sobre HLA e doenças associadas. Sublinhe sempre a necessidade de confirmação histológica.

Referências:
PCDT Doença Celíaca (Ministério da Saúde, 2025);
Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.

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A alternativa correta é a D. A paciente apresenta sintomas e achados clínicos sugestivos de doença celíaca, como anemia ferropriva, sintomas gastrointestinais vagos, osteoporose e lesões cutâneas. Embora seja muito provável que ela apresente positividade para os anticorpos anti-transglutaminase, anti-endomísio e/ou anti-gliadina, o diagnóstico final deve ser feito a partir de biópsias duodenais que confirmem a atrofia vilositária. A tipagem de HLA pode auxiliar no diagnóstico, mas não é fundamental. A aderência à dieta isenta de glúten é essencial para o controle da doença e prognóstico da paciente. A doença celíaca está associada a outras doenças autoimunes, como diabetes tipo 1 e tireoidite de Hashimoto, aumentando o risco de desenvolvimento dessas condições. Os achados cutâneos não são compatíveis com eritema nodoso e não levantam a suspeita de doença inflamatória intestinal associada.

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