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Q1826839 Medicina
Uma paciente de 58 anos queixa-se de astenia progressiva e prurido. Ao exame físico, você nota icterícia discreta, xantelasmas e telangiectasias no tronco. Os exames laboratoriais mostram AST 62 UI/L (VR até 40 UI/L), ALT 71 UI/L (VR até 40 UI/L, fosfatase alcalina 783 UI/L (VR até 100 UI/L), GGT 1432 (VR até 40 UI/L), bilirrubinas totais de 3 mg/dL (VR até 1,0 g/dL), FAN 1:1280 UI/mL padrão nuclear pontilhado denso, ultrassonografia de abdome sugestiva de hepatopatia crônica com hipertensão portal, sem ascite ou lesões focais. Caso realizada biópsia hepática, o achado anatomopatológico mais esperado nesse caso é:
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Tema central: A questão aborda Colangite Biliar Primária (CBP), uma doença hepática crônica autoimune. Ela acomete principalmente mulheres de meia-idade e caracteriza-se clinicamente por astenia, prurido, icterícia, xantelasmas e sinais de colestase.

Explicação clínica: Na CBP, o ataque imune é dirigido contra os ductos biliares intra-hepáticos, levando à sua destruição progressiva (ductopenia). Isto resulta em acúmulo de sais biliares, provocando sintomas colestáticos (prurido, icterícia) e complicações, como xantelasmas e hipertensão portal. O perfil laboratorial típico mostra elevação importante de fosfatase alcalina e GGT, além do FAN positivo com padrão nuclear pontilhado. Esses dados, segundo o PCDT do Ministério da Saúde, fundamentam o diagnóstico.

Achado histopatológico mais esperado: O padrão ouro é a lesão ductal florida (acentuado infiltrado inflamatório linfocitário periportal, formado por granulomas não caseosos ao redor dos ductos biliares, levando à ductopenia). Isso explica a alternativa:

C) ductopenia com lesão ductal florida e granulomas não caseosos.

Segundo o PCDT (Ministério da Saúde, 2020): “Evidência histológica de colangite destrutiva não-supurativa, caracterizada por ductopenia, lesão ductal florida e presença de granulomas, é critério diagnóstico.”

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Esteatose macro/microgoticular e corpúsculos de Mallory — típicos de hepatopatia alcoólica ou esteato-hepatite, não da CBP.
  • B) Infiltrado linfoplasmocitário com rosetas hepatocitárias — mais comum na hepatite autoimune, não na CBP.
  • D) Infiltrado linfoide parenquimatoso isolado — não define CBP; falta a lesão ductal característica.
  • E) Hepatite de interface — ocorre principalmente em hepatite autoimune.

Dica de prova: Sempre diferencie CBP (ductopenia/colestase/granulomas) de hepatite autoimune (inflamação lobular/rosetas/hepatite de interface). Atente-se ao padrão laboratorial e aos achados imuno-histoquímicos.

Mensagem final: Para questões sobre doenças hepáticas autoimunes, correlacione sintomas, padrão laboratorial e achados de biópsia. O conhecimento das diretrizes oficiais é fundamental.

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A resposta correta é a alternativa C: ductopenia com lesão ductal florida e granulomas não caseosos. A paciente apresenta sinais clínicos e laboratoriais sugestivos de hepatopatia crônica com hipertensão portal. Esses achados são comuns na colangite esclerosante primária (CEP), uma doença autoimune que causa inflamação e fibrose dos ductos biliares intra e extra-hepáticos. A FAN positiva, xantelasmas e telangiectasias são achados frequentes na CEP. A biópsia hepática geralmente mostra ductopenia, lesão ductal florrida e granulomas não caseosos, que são os achados mais esperados nesse caso. A presença de esteatose macro e microgoticular com corpúsculos de Mallory é mais comum na esteato-hepatite não alcoólica. O infiltrado linfoplasmocitário com formação de rosetas hepatocitárias é mais comum na hepatite autoimune. O infiltrado linfoide sobretudo parenquimatoso e hepatite de interface são achados comuns em hepatites virais.

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