As pancreatites agudas graves são doenças de manejo complex...

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Q1826823 Medicina
As pancreatites agudas graves são doenças de manejo complexo e multidisciplinar, geralmente envolvendo gastroenterologistas, intensivistas, radiologistas e cirurgiões. A respeito deste quadro, é correto afirmar:
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Tema central: O tema abordado é o manejo da pancreatite aguda grave, com ênfase em indicações de procedimentos invasivos diante de possíveis complicações biliares.

Justificativa da alternativa correta (E):
A alternativa E está correta, pois, diante de elevação de bilirrubinas e enzimas canaliculares em pacientes com pancreatite aguda, há indicação formal para colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) para extração de cálculos em colédoco impactados. Segundo o Protocolo de Acesso e Classificação de Risco para CPRE (SES/SC): “Obstrução biliar secundária à coledocolitíase” é critério de encaminhamento para o procedimento. A indicação tem forte respaldo em consensos internacionais e diretivas como UpToDate e Sociedade Brasileira de Hepatologia, pois a retirada do cálculo resolve a obstrução biliar, previne complicações e reduz mortalidade.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errado. A aspiração de coleções pancreáticas não é indicada apenas pela persistência de enzimas elevadas, e sim quando há sinais de infecção (febre, comprometimento sistêmico ou imagem sugestiva). O manejo intervencionista precoce em necrose estéril não é recomendado (Harrison’s, 21ª ed., cap. 334).

B) Incorreto. A necrosectomia não deve ser feita de forma precoce. Em necrose infectada, o indicado é retardar o procedimento até amadurecimento da coleção (>4 semanas), melhorando o prognóstico e reduzindo complicações (Diretriz da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia – 2022).

C) Também errada: nutrição enteral é superior à parenteral na pancreatite aguda, reduzindo infecção e complicações, salvo contraindicação absoluta à via digestiva (diretrizes do Ministério da Saúde e UpToDate).

D) Equívoco clássico: Febre não indica sepse por si só, tampouco obriga antimicrobiano agressivo. O uso empírico de antibióticos é recomendado apenas quando há forte suspeita clínica de infecção (PCDT MS pancreatite aguda, p. 11).

Dica para provas: Leia atentamente termos como “necessariamente”, “deve ser indicada somente”, “deve ser adotada precocemente”. Essas expressões costumam aparecer em pegadinhas quando se trata de manejo prático e intervenções que dependem de evolução clínica ou confirmação diagnóstica.

Conclusão: Reconhecer os critérios de indicação da CPRE e as principais condutas frente à pancreatite aguda grave é fundamental para atuação segura e provas de concurso. Busque sempre respaldo em protocolos e revisões sistemáticas.

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Comentários

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A alternativa E é correta, pois a presença de elevação de bilirrubinas e enzimas canaliculares pode indicar a presença de cálculos impactados no colédoco, que podem ser removidos por meio da colangiopancreatografia endoscópica. As outras alternativas estão incorretas e podem levar a um manejo inadequado da pancreatite aguda grave. A aspiração de coleções e necrose pancreática guiada por tomografia deve ser indicada de acordo com a evolução do quadro e não apenas após 48 horas. A necrosectomia precoce não é a primeira opção de tratamento, sendo indicada em casos selecionados. A nutrição enteral é preferível à nutrição parenteral em pacientes com pancreatite aguda grave, pois reduz o risco de infecções e melhora a evolução clínica. A presença de febre não é necessariamente indicativa de sepse e o tratamento antimicrobiano deve ser adotado de forma criteriosa.

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