Quais estratégias de construção textual, Alexandre Quaresma ...
Cumulonimbus-informáticos
Há, pairando sobre nossas cabeças, gigantescas nuvens informacionais, ameaçando-nos com seus raios, trovões e ventanias. As tormentas já iniciam suas precipitações e começam a cair sobre nós. Nós somos o seu elemento. A faísca que produz o ribombar do trovão e a própria tempestade.
1. Que estamos fazendo com nossos sistemas cibernético-informacionais? Acaso paramos de pensar autonomamente com nossas próprias cabeças? Quiçá cessamos de procurar e manter o conhecimento por nós mesmos, intuitivamente, sensivelmente, abdutivamente, humanamente – como sempre fizemos, indagamos –, de buscar o sentido, o significado, a importância e a razão seminal de tudo que há à nossa volta? Daquilo que foi concebido, refletido e significado axiologicamente através dos tempos imemoriais, entregando tudo isso “de bandeja” – o melhor de nós e de nossa civilização – às máquinas e aos sistemas informacionais que nós mesmos construímos e usamos? Seria isso – resumidamente – o que está a ocorrer conosco nesses dias velozes e acríticos que vivemos na atualidade?
2. Você que me lê, por exemplo, nesse exato momento, não tem mais sequer que pensar, raciocinar, localizar-se por si, com livre arbítrio e autonomia, pois há – certamente – um aplicativo muito prático e conveniente fazendo isso por você, e muito mais, o tempo todo. Substituindo-nos acintosamente, explicitamente, trivialmente, das tarefas mais banais até às mais complexas, delicadas e especializadas. E nós ainda nos tranquilizamos em saber que, se ocorrer algo de fato importante no nosso planeta, e até fora dele, seremos informados de imediato.
3. O sistema faz isso quase que automaticamente. Do mesmo modo que não é mais necessário também guardar, anotar ou memorizar nomes e sobrenomes do dia a dia das relações societais, ou ainda direções e caminhos a serem trilhados nas urbes ou fora delas. O mesmo acontece com os dados e as imagens, pois certamente seu celular ou seu tablet pretensamente inteligentes, grandes feras no assunto, fazem isso e muito mais por você.
4. Uma delícia – convenhamos – e uma tragédia também. Sim, pois na cibercultura, a verdade, a notícia, o valor, a relevância – e, no extremo, o significado, não têm caráter único, sofrem alterações e são ditados pelo sistema e seus incontáveis aparatos. Todavia, o fato refutável que não pode ser ignorado é que estamos completamente deslumbrados com o que criamos, e que acolhemos essas novas tecnologias sem o menor sacrifício.
5. Não sabemos praticamente quase nada acerca desse novo modo de viver que começamos a cristalizar. Mas é em rede que nos reconhecemos, mensuramos nossas necessidades. E quem não souber decifrar os seus sinais e signos será, simplesmente, tragado por suas imposições, contingências e ressignificações cada vez mais presentes. O que não pode deixar de ser percebido é que uma ubiquidade onipresente está transformando significativamente as relações sociais. E o faz rapidamente. Não é algo simplesmente bom ou ruim, é simplesmente diferente e está marcando a nossa época, os nossos hábitos, a nossa cultura e os nossos tempos.
6. Bem depois, quando tudo se autodeterminar e se acalmar, em conformidade diametral com as sensibilidades sociais, é que nós poderemos – talvez – verificar o que sobrou do nosso antigo e milenarizado mundo não informatizado, analógico e enciclopédico, aquele ao qual estávamos tão confortavelmente acostumados, e, também, sermos capazes de mensurar que outro mundo novo é esse – cibertecnologizado – que edificamos em seu lugar, mesmo que sejamos críticos em relação a ele ou que nos cause desconforto. O resto são arbitrariedades ou especulações.
(QUARESMA, Alexandre. Cumulonimbus-Informáticos. Revista Sociologia,
ano VII, edição 67, p. 65 – Adaptado)
Quais estratégias de construção textual, Alexandre Quaresma utiliza em seu artigo?
I – Argumentos que intertextualizam/dialogam com acontecimentos ligados a determinadas áreas do saber.
II – Palavras, expressões ou frases no sentido conotativo e no sentido denotativo de forma proporcional e harmoniosa.
III – Emprego predominante da função fática da linguagem, haja vista a carga informacional privilegiada no texto.
IV – Justaposição de contrastes por meio do uso de advérbios de modo, como no primeiro e no segundo parágrafos.
V – Ponto de vista em 1ª pessoa do plural e do singular, com a finalidade de convencer e de buscar a adesão do leitor.
Está correto apenas o que se afirma em
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Gabarito: A) I e V
Tema central: A questão exige interpretação de texto, com foco nas estratégias de construção textual utilizadas pelo autor. O objetivo é identificar, com base na leitura do artigo, quais mecanismos discursivos estão realmente presentes, analisando conceitos como intertextualidade, função da linguagem, sentidos conotativo e denotativo, entre outros.
Justificativa para a alternativa correta (A):
I – Argumentos intertextuais: O autor dialoga constantemente com saberes da tecnologia e da sociologia. Por exemplo, ao falar em “nuvens informacionais” e “cibercultura”, ele remete a outras áreas do conhecimento, demonstrando intertextualidade. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, a intertextualidade amplia o alcance argumentativo do texto.
V – Uso da 1ª pessoa: O texto alterna primeira pessoa do plural (“nós”) e singular (“você que me lê”), com o intuito claro de convencer e de buscar a adesão do leitor. Essa estratégia aproxima o interlocutor do tema e reforça o ponto de vista do autor, característica típica da função apelativa da linguagem e fundamental em textos argumentativos, segundo Bechara.
Análise das alternativas incorretas:
II – Sentido conotativo e denotativo: Não há equilíbrio proporcional. O texto utiliza forte conotação (“nuvens informacionais”, “faísca que produz o ribombar do trovão”), com poucas ocorrências denotativas. Assim, a afirmação não se aplica.
III – Função fática: Embora o texto traga informação, a função fática refere-se à manutenção do canal de comunicação (ex: “alô”, “está ouvindo?”), o que não ocorre aqui. O texto privilegia a função referencial e apelativa.
IV – Justaposição de contrastes com advérbios: Nos primeiros parágrafos, não há predomínio do uso de advérbios de modo para construir contrastes. A estratégia central é descritiva e reflexiva, e não de oposição direta.
Estratégias para próximas provas: Atente-se à presença de figuras de linguagem, à função predominante da linguagem e ao uso de pronomes para identificação da perspectiva do autor. Analise sempre se as características citadas realmente aparecem no texto!
Resumo: O gabarito é A) I e V porque essas são as únicas estratégias presentes, conforme evidenciado no texto. Mantenha atenção nos conceitos de intertextualidade e função da linguagem para resolver questões similares.
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Comentários
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A- Correta
V- "Você que me lê, por exemplo, nesse exato momento, não tem mais sequer que pensar, raciocinar, localizar-se por si, com livre arbítrio e autonomia, pois há – certamente – um aplicativo muito prático e conveniente fazendo isso por você, e muito mais, o tempo todo. " Neste trecho do segundo parágrafo, encontra-se o ponto de vista do autor na 1º pessoa do singular.
"Bem depois, quando tudo se autodeterminar e se acalmar, em conformidade diametral com as sensibilidades sociais, é que nós poderemos – talvez – verificar o que sobrou do nosso antigo e milenarizado mundo não informatizado, analógico e enciclopédico, aquele ao qual estávamos tão confortavelmente acostumados, e, também, sermos capazes de mensurar que outro mundo novo é esse – cibertecnologizado – que edificamos em seu lugar, mesmo que sejamos críticos em relação a ele ou que nos cause desconforto. O resto são arbitrariedades ou especulações." E no sexto parágrafo, encontra-se o ponto de vista do autor na 1º pessoa do plural.
prova ciaar 2017 foi f@da haha
I – Argumentos que intertextualizam / dialogam com acontecimentos ligados a determinadas áreas do saber. Certo
O autor buscar argumentar perpassando por determinadas áreas.
Ciências sociais: “ Do mesmo modo que não é mais necessário também guardar, anotar ou memorizar nomes e sobrenomes do dia a dia das relações societais”
Filosofia: “ localizar-se por si, com livre arbítrio e autonomia”
Tecnologia da Informação: “Sim, pois na cibercultura” // “Que estamos fazendo com nossos sistemas cibernético-informacionais?”
O autor realiza intertextualidade para ligar os conhecimentos e argumentar a fim de convencer o leitor de sua tese.
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II – Palavras, expressões ou frases no sentido conotativo e no sentido denotativo de . Errado
Existe predominância da linguagem denotativa
Sentido Conotativo
conotativo = “faz de conta”
Sentido Denotativo
denotativo = de verdade
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III – Emprego predominante , haja vista a carga informacional privilegiada no texto. Errado
Função Fática (interação):
· tem por objetivo estabelecer ou prolongar uma ‘conversa”. A ênfase dessa função é na interação entre locutor e interlocutor. (obs: alguns autores asseveram que ela também pode ser usada para interromper a comunicação!)
O texto oscila entre linguagem Denotativa e Conotativa.
Função Referencial/Denotativa/ Informativa:
· possui por objetivo principal informar, indicar, referenciar.
· foco está no que se fala;
Função Conativa: objetivo ⇒ instigar, persuadir e convencer o leitor.
· é o tipo de função linguística usada nas propagandas (publicidades)
· palavras-chave: propaganda / convencer / instigar.
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IV – de modo, como no primeiro e no segundo parágrafos.
A primordial característica do 1º parágrafo encontra-se nas perguntas de teor retórico a fim de instigar ao leitor.
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V – Ponto de vista em 1ª pessoa do plural e do singular, com a finalidade de convencer e de buscar a adesão do leitor. Certo
“Que (NÓS) estamos fazendo com nossos sistemas cibernético-informacionais?” – 1º P. do plural.
“ Você que me lê, por exemplo, nesse exato momento,” –
· você - 2º P. do singular
me – 1º do P. do singular
um dos anos que a prova foi mais tensa
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