Questões Militares Sobre redação - reescritura de texto em português

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Q4350941 Português

Texto para a questão.


“A Inteligência Artificial não é, como supõem os entusiastas do Vale do Silício, uma entidade dotada de consciência; é, antes, um sofisticado simulacro estatístico. No âmago de seus algoritmos, reside a tentativa de mimetizar a cognição humana — tarefa que, se por um lado fascina a ciência, por outro, suscita temores éticos profundos. Aos programadores, cabe o código; à máquina, o processamento; aos filósofos, contudo, resta a árdua missão de definir os limites entre o silício e o espírito.”

A retextualização exige que o redator preserve o núcleo semântico e as relações de subordinação lógica, ainda que altere o gênero textual ou o nível de formalidade. Considere o texto de referência e analise as propostas de reescritura abaixo. Assinale a alternativa que promove a transposição do trecho para um registro técnico-normativo, mantendo a correção gramatical e a fidelidade às inferências originais.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334473 Português
Leia o texto para responder a questão:


Respeito entre nações

        A Copa do Mundo é muito mais do que uma competição esportiva. A cada quatro anos, ela transforma o futebol em uma linguagem comum, capaz de ser compreendida por pessoas de diferentes países, culturas, religiões e formas de vida. Em um mundo cada vez mais marcado por disputas políticas, desigualdades econômicas e demonstrações de preconceito e separatismo, a competição oferece uma rara oportunidade de encontro simbólico entre as nações. Dentro e fora dos estádios, povos que muitas vezes se conhecem apenas por estereótipos passam a se observar, torcer, admirar e reconhecer uns aos outros.

        O futebol possui uma força especial porque combina simplicidade e emoção. Suas regras básicas permitem que crianças, trabalhadores, estudantes e idosos acompanhem o jogo com a mesma intensidade, ainda que vivam em realidades muito distintas. Durante a Copa, bandeiras, hinos e camisas nacionais expressam orgulho e pertencimento, mas também revelam a diversidade do planeta. O torcedor celebra sua própria identidade ao mesmo tempo em que entra em contato com a identidade do outro. Assim, a competição ajuda a mostrar que a diferença não precisa ser vista como ameaça: pode ser motivo de curiosidade, respeito e aprendizado.

         Esse entendimento entre as nações não significa ausência de rivalidade. Pelo contrário, a Copa do Mundo é feita de disputas intensas, vitórias inesquecíveis e derrotas dolorosas. No entanto, quando a rivalidade permanece no campo do jogo, ela se converte em uma forma civilizada de coexistência entre povos geográfica, cultural, historicamente distantes. Onde mais, não sendo em uma competição assim, é possível encontrar tunisianos e japoneses, belgas e iranianos, espanhóis e árabes, uruguaios e cabo-verdianos dividindo um mesmo espaço público? E conhecer histórias de atletas de países com os quais temos pouquíssimo contato — Jordânia, Curaçao, Nova Zelândia —, e ainda torcer por eles?

        Seleções se enfrentam segundo regras aceitas por todos, árbitros medeiam conflitos, atletas se cumprimentam ao final das partidas e torcedores compartilham espaços públicos. A mensagem simbólica é poderosa: é possível competir sem destruir, defender a própria história sem negar a humanidade do adversário.

         Por isso, o torneio tem valor para o entendimento entre as nações: ele mostra que a humanidade compartilha emoções básicas, como alegria, frustração, esperança e orgulho. Mostra também que as diferenças culturais podem conviver em uma mesma celebração global. Em tempos de fronteiras rígidas, crises diplomáticas e discursos de intolerância, o futebol recorda que o outro não é apenas rival, estrangeiro ou desconhecido; é alguém que também sofre, vibra e sonha. Nesse sentido, a Copa é uma metáfora do mundo possível: plural, competitivo, imperfeito, mas capaz de reconhecer no encontro entre povos uma oportunidade de respeito, diálogo e paz. 


(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao,
22.06.2026. Adaptado)
A passagem “... o futebol recorda que o outro não é apenas rival, estrangeiro ou desconhecido...” (5° parágrafo) está reescrita em conformidade com a norma-padrão e sem prejuízo ao sentido original em:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334472 Português
Leia o texto para responder a questão:


Respeito entre nações

        A Copa do Mundo é muito mais do que uma competição esportiva. A cada quatro anos, ela transforma o futebol em uma linguagem comum, capaz de ser compreendida por pessoas de diferentes países, culturas, religiões e formas de vida. Em um mundo cada vez mais marcado por disputas políticas, desigualdades econômicas e demonstrações de preconceito e separatismo, a competição oferece uma rara oportunidade de encontro simbólico entre as nações. Dentro e fora dos estádios, povos que muitas vezes se conhecem apenas por estereótipos passam a se observar, torcer, admirar e reconhecer uns aos outros.

        O futebol possui uma força especial porque combina simplicidade e emoção. Suas regras básicas permitem que crianças, trabalhadores, estudantes e idosos acompanhem o jogo com a mesma intensidade, ainda que vivam em realidades muito distintas. Durante a Copa, bandeiras, hinos e camisas nacionais expressam orgulho e pertencimento, mas também revelam a diversidade do planeta. O torcedor celebra sua própria identidade ao mesmo tempo em que entra em contato com a identidade do outro. Assim, a competição ajuda a mostrar que a diferença não precisa ser vista como ameaça: pode ser motivo de curiosidade, respeito e aprendizado.

         Esse entendimento entre as nações não significa ausência de rivalidade. Pelo contrário, a Copa do Mundo é feita de disputas intensas, vitórias inesquecíveis e derrotas dolorosas. No entanto, quando a rivalidade permanece no campo do jogo, ela se converte em uma forma civilizada de coexistência entre povos geográfica, cultural, historicamente distantes. Onde mais, não sendo em uma competição assim, é possível encontrar tunisianos e japoneses, belgas e iranianos, espanhóis e árabes, uruguaios e cabo-verdianos dividindo um mesmo espaço público? E conhecer histórias de atletas de países com os quais temos pouquíssimo contato — Jordânia, Curaçao, Nova Zelândia —, e ainda torcer por eles?

        Seleções se enfrentam segundo regras aceitas por todos, árbitros medeiam conflitos, atletas se cumprimentam ao final das partidas e torcedores compartilham espaços públicos. A mensagem simbólica é poderosa: é possível competir sem destruir, defender a própria história sem negar a humanidade do adversário.

         Por isso, o torneio tem valor para o entendimento entre as nações: ele mostra que a humanidade compartilha emoções básicas, como alegria, frustração, esperança e orgulho. Mostra também que as diferenças culturais podem conviver em uma mesma celebração global. Em tempos de fronteiras rígidas, crises diplomáticas e discursos de intolerância, o futebol recorda que o outro não é apenas rival, estrangeiro ou desconhecido; é alguém que também sofre, vibra e sonha. Nesse sentido, a Copa é uma metáfora do mundo possível: plural, competitivo, imperfeito, mas capaz de reconhecer no encontro entre povos uma oportunidade de respeito, diálogo e paz. 


(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao,
22.06.2026. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido original e em conformidade com a norma-padrão, na passagem “Suas regras básicas permitem que crianças, trabalhadores, estudantes e idosos acompanhem o jogo com a mesma intensidade, ainda que vivam em realidades muito distintas.” (2° parágrafo), as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334471 Português
Leia o texto para responder a questão:


Respeito entre nações

        A Copa do Mundo é muito mais do que uma competição esportiva. A cada quatro anos, ela transforma o futebol em uma linguagem comum, capaz de ser compreendida por pessoas de diferentes países, culturas, religiões e formas de vida. Em um mundo cada vez mais marcado por disputas políticas, desigualdades econômicas e demonstrações de preconceito e separatismo, a competição oferece uma rara oportunidade de encontro simbólico entre as nações. Dentro e fora dos estádios, povos que muitas vezes se conhecem apenas por estereótipos passam a se observar, torcer, admirar e reconhecer uns aos outros.

        O futebol possui uma força especial porque combina simplicidade e emoção. Suas regras básicas permitem que crianças, trabalhadores, estudantes e idosos acompanhem o jogo com a mesma intensidade, ainda que vivam em realidades muito distintas. Durante a Copa, bandeiras, hinos e camisas nacionais expressam orgulho e pertencimento, mas também revelam a diversidade do planeta. O torcedor celebra sua própria identidade ao mesmo tempo em que entra em contato com a identidade do outro. Assim, a competição ajuda a mostrar que a diferença não precisa ser vista como ameaça: pode ser motivo de curiosidade, respeito e aprendizado.

         Esse entendimento entre as nações não significa ausência de rivalidade. Pelo contrário, a Copa do Mundo é feita de disputas intensas, vitórias inesquecíveis e derrotas dolorosas. No entanto, quando a rivalidade permanece no campo do jogo, ela se converte em uma forma civilizada de coexistência entre povos geográfica, cultural, historicamente distantes. Onde mais, não sendo em uma competição assim, é possível encontrar tunisianos e japoneses, belgas e iranianos, espanhóis e árabes, uruguaios e cabo-verdianos dividindo um mesmo espaço público? E conhecer histórias de atletas de países com os quais temos pouquíssimo contato — Jordânia, Curaçao, Nova Zelândia —, e ainda torcer por eles?

        Seleções se enfrentam segundo regras aceitas por todos, árbitros medeiam conflitos, atletas se cumprimentam ao final das partidas e torcedores compartilham espaços públicos. A mensagem simbólica é poderosa: é possível competir sem destruir, defender a própria história sem negar a humanidade do adversário.

         Por isso, o torneio tem valor para o entendimento entre as nações: ele mostra que a humanidade compartilha emoções básicas, como alegria, frustração, esperança e orgulho. Mostra também que as diferenças culturais podem conviver em uma mesma celebração global. Em tempos de fronteiras rígidas, crises diplomáticas e discursos de intolerância, o futebol recorda que o outro não é apenas rival, estrangeiro ou desconhecido; é alguém que também sofre, vibra e sonha. Nesse sentido, a Copa é uma metáfora do mundo possível: plural, competitivo, imperfeito, mas capaz de reconhecer no encontro entre povos uma oportunidade de respeito, diálogo e paz. 


(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao,
22.06.2026. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a reescrita de passagem do texto afirma o contrário da versão original.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334464 Português
Domingo do calulu


        Há regressos assim. Sem sair do lugar, me dou por regressado a Benguela1 através da cozinha, juntando no refogado restos de uma identidade adormecida. A minha cultura! Afinal, de que sou feito?, ainda ontem me perguntaram; deve ser por causa do sotaque, ou da falta dele. Pode vos parecer disparatado e absurdo, mas a verdade é que me questionam várias vezes sobre a minha angolanidade: há quanto tempo não vais a Angola?, qual foi a última vez que lá foste?

     A receita nunca me foi ensinada, por isso vou acrescentando, improvisando, tal como o cozinhador João Carlos Silva, tal qual um Avillez, manuseando a faca com a mestria de um samurai. Tenho o tacho de boca larga, inoxidável e um tanto reluzente demais, comparando com aquelas velhas panelas pretas, calcinadas de tanto irem ao fogo, e que passavam de geração em geração, encerrando em si histórias de refeições memoráveis que duravam tardes inteiras. Começo por refogar metade de uma cebola picada em óleo de palma, depois o tomate maduro cortado aos cubos, as postas de corvina seca e fresca, as beringelas aos quadrados, a folha de louro. Deixo repousar sobre o lume brando alguns instantes antes de colocar o resto da cebola e do tomate, assim como os espinafres, que, apesar de aparecerem a substituir as folhas de rama (impossíveis de encontrar fora de Angola), ainda assim quebram o galho.

         Já cheira a calulu2 , já consigo viajar até Benguela. Às vezes, pergunto-me como consigo resistir à distância, eu que nem sou de me entregar à saudade, que vivo bem sem o funge3 , a bandeira gastronômica dos angolanos. Não sei responder e foi preciso implorarem-me para cozinhar algo tipicamente angolano para revisitar velhas receitas familiares que agora, tal como um álbum de fotografias, me trazem lugares, rostos, conversas que julgava perdidas.

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa:  Crônicas, 218. Adaptado)


Vocabulário:

1 Benguela: província de Angola, na África.

2 calulu: espécie de ensopado de peixe preparado com quiabo, abóbora, beringela, temperos e azeite de dendê.

3 funge: pirão de farinha de mandioca ou milho com um caldo.
Sem prejuízo ao sentido do texto e em conformidade com a norma-padrão, na passagem “Afinal, de que sou feito?, ainda ontem me perguntaram; deve ser por causa do sotaque, ou da falta dele. Pode vos parecer disparatado e absurdo, mas a verdade é que me questionam várias vezes sobre a minha angolanidade...” (1° parágrafo), as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
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Q4306038 Português

Leia o texto “Zonas mortas nos oceanos”, do biólogo brasileiro Fernando Reinach, para responder à questão.



    É fácil sensibilizar o mundo para o desmatamento da floresta amazônica, fotos de troncos carbonizados fazem metade do trabalho. O que poucos sabem é que um desastre semelhante está ocorrendo nos oceanos. Ao longo de toda a costa, acompanhando as grandes ocupações humanas, estão pipocando zonas mortas, áreas onde a biodiversidade dos mares praticamente desaparece. Apesar de essas regiões não serem fotogênicas, elas vêm crescendo de maneira assustadora.    

    Hoje há mais de quatrocentos locais onde praticamente não existe mais vida oceânica. No total, estima-se que 245 mil quilômetros quadrados estejam morrendo, o que equivale a aproximadamente 5% da área coberta pela floresta amazônica. A causa desse fenômeno é a queda na quantidade de oxigênio dissolvido na água. Sem oxigênio, os peixes e outros animais desaparecem.

    A diminuição da quantidade de oxigênio é desencadeada pelo aumento na quantidade de nutrientes nas regiões costeiras. Essa abundância provoca um aumento rápido dos organismos que utilizam nutrientes, luz e gás carbônico. Num primeiro momento, esse crescimento no número de organismos capazes de fazer fotossíntese atrai outros animais, mas logo a água se turva com o excesso de algas e bactérias e, sem luz, eles morrem. Os cadáveres se acumulam no fundo do mar e permitem a multiplicação de organismos que consomem oxigênio para degradar a matéria orgânica acumulada. Nessa fase, o oxigênio diminui e desaparecem os peixes e outros animais maiores. Na falta de oxigênio, só sobrevivem os organismos anaeróbicos (que crescem na ausência de oxigênio), os quais produzem uma quantidade crescente de compostos de enxofre, o que acaba por tornar o ambiente inóspito para a maioria dos animais.

    Embora escapem aos olhos e com isso não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica. Na realidade, esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos. É bom lembrar que nos próximos cinquenta anos o número de bocas a ser alimentadas no planeta vai dobrar. Como sustentar essas pessoas preservando a Amazônia e os oceanos é um dos desafios tecnológicos a ser enfrentado por uma nova geração de agrônomos e ecólogos.


(Fernando Reinach. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra, 2010. Adaptado.)

“Embora [...] não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica.” (4º parágrafo)


Esse trecho pode ser reescrito, sem prejuízo para o seu sentido original, da seguinte forma:

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Q4306031 Português

Para responder à questão, leia o soneto “LXXI” do poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789).



Eu cantei, não o nego, eu algum dia

Cantei do injusto Amor o vencimento,

Sem saber que o veneno mais violento

Nas doces expressões falso encobria.


Que Amor era benigno, eu persuadia

A qualquer coração de Amor isento;

Inda agora de Amor cantara atento,

Se lhe não conhecera a aleivosia1.


Ninguém de Amor se fie: agora canto

Somente os seus enganos, porque sinto

Que me tem destinado estrago tanto.


De seu favor hoje as quimeras2 pinto:

Amor de uma alma é pesaroso3 encanto;

Amor de um coração é labirinto.



(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)



1 aleivosia: engano, traição.


2 quimera: ilusão.


3 pesaroso: em que há pesar, ou seja, tristeza, desolação.

Por razões estilísticas, Cláudio Manuel da Costa recorre a várias inversões sintáticas. Um exemplo são os versos “Que Amor era benigno, eu persuadia / A qualquer coração de Amor isento;” (2ª estrofe). Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte redação:
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Q4238780 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Se fôssemos reescrever coerentemente o fragmento "Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou." (§3) na ordem direta, teríamos:
Alternativas
Q4238779 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Leia o trecho abaixo e, a seguir, assinale a opção na qual a reescritura do trecho manteve o seu sentido original e obedeceu à modalidade culta da língua:

"O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números." (§7)
Alternativas
Q4192536 Português

Para responder a questão, leia o trecho a seguir, extraído das reflexões filosóficas do imperador Marco Aurélio (121– 180 d.C.):


    O homem deve levar em conta que, a cada dia, parte da sua vida se vai e que cada vez menos resta para ele, mas também que, mesmo que ele tenha uma longa vida, não se sabe se sua inteligência será como antes para lidar com seus negócios e para ter um vislumbre do conhecimento que tem como objetivo entender tanto as coisas humanas quanto as divinas. No início da decrepitude, a respiração, a alimentação, a imaginação, o impulso, entre outros atributos, não falharão.

Entretanto, o autocontrole, o cumprimento de suas funções com exatidão, a capacidade de escrutinar que se apossa dos seus sentidos ou até de decidir quando é hora de parar, e enfim, todos os poderes que exigem uma com preensão e um raciocínio bem treinados, serão nele extintos.


    Deixa-o, então, estar ativo, não apenas porque a morte aproxima-se a cada dia, mas porque a compreensão e a inteligência com frequência nos abandonam antes de morrermos.



(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta expressões que substituem os termos destacados no texto, com correção e sem prejuízo às relações de sentido que estabelecem nos respectivos contextos.
Alternativas
Q4189218 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz


    Não é trivial analisar, ao menos a meus olhos míopes, a complexidade do mundo de hoje, e, menos ainda, ter claro como deveríamos lidar com o que há, e com o que o destino nos traz. Uma provocação interessante seria explorar eventuais conexões entre “fato” (aquilo que foi feito), “fado” (destino, aquilo que foi dito, postulado por alguma transcendência) e “fatalidade”, um acontecimento vivido como destino.


    Quando sentimos a serenidade abalada, vem à memória o torturado solilóquio* de Hamlet: o dilema entre sofrer passivamente as flechas da fortuna**, ou postar-se contra o mar de aflições. O célebre trecho não refletiria uma opção entre coragem e covardia, mas entre duas atitudes diante da fatalidade. Hamlet sabe que “o mar” não pode ser derrotado e hesita, não  porque teme agir, mas porque sabe que sua ação não resolverá o mundo. A pergunta dele talvez não seja “o que se deve  escolher?”, mas “como viver com o que não escolhemos?”.


    Para os estoicos, o destino não é capricho dos deuses, mas uma necessidade racional do cosmos. A ética consistiria em viver de acordo com a natureza, aceitar o que não depende de nós e agir virtuosamente no que depende. O estoico não se queixa, rejeita o ressentimento e mantém a dignidade sem ilusões; o mundo seria, no fundo, compreensível, e a serenidade, possível.


    Uma terceira via, que seguiria sem rebelar-se ao fado, nem tentar sua “domesticação” via razão, seria a adotada por  Nietzsche: o “amor fati”, literalmente “amor ao destino”, amor  ao mundo como é, sem buscar desculpas. Em Ecce Homo, ele afirma: “Minha receita para a grandeza do ser humano  (amor fati) é não querer nada diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, ou justificá-lo, mas amá-lo”. Assumir o destino como fato, e responder por ele, sem a resignação estoica, nem a hesitação hamletiana. Não se questiona se o mundo é justo, racional ou digno; pergunta-se apenas se somos capazes de afirmá-lo. Amor fati – amar o destino – seria a recusa radical ao álibi. Não cabe dizer “tudo acontece por alguma  razão”, mas sim afirmar “isto aconteceu – e eu o assumo”.  Amar o destino é tratar o fado como se fato fosse, não no sentido de tê-lo causado, mas em responder por ele.


    Amenizando, haveria talvez ainda outra resposta, bem menos rebuscada e muito mais conhecida, que veio de um conjunto musical nos anos 70. Ela nos tranquiliza lembrando-nos que, quando estamos em tempos de tribulação, “… a mãe Maria vem a mim e me diz, com palavras de  sabedoria, ‘deixa estar’”… Let it be!


(Demi Getschko, “As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz”,  O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/ economia/demi-getschko/as-dificuldades-para-lidar-com- o-que-o-destino-nos-traz/. Adaptado)


*Solilóquio: monólogo.


**Fortuna: destino, fado.

Considere as passagens a seguir:


•  “… ter claro como deveríamos lidar com o que há…” (1o parágrafo)


•  “A ética consistiria em viver de acordo com a natureza,  aceitar o que não depende de nós…” (3o parágrafo)


•   “ Assumir o destino como fato, e responder por ele…” (4o parágrafo)



De acordo com a norma-padrão de regência e com o sentido original do texto, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:

Alternativas
Q4188137 Português
Para responder à questão, leia o texto do imperador Marco Aurélio (121 – 180 d.C.) a seguir:


    O próprio Hipócrates, que curou muitas doenças, caiu doente e morreu. Os caldeus* previram as mortes de multidões e, ao final, o destino também ceifou suas vidas. Alexandre Pompeu e Caio César, que destruíram muitas cidades e tiraram a vida de milhares de soldados de cavalaria e infantaria no campo de batalha, também um dia deixaram esta vida. Heráclito, que muito especulou sobre a conflagração do mundo, morreu engolido pela água e coberto de estrume de gado. Demócrito foi destruído por vermes; Sócrates foi morto por outro tipo de verme. Por que tudo isso?

    Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo. A alma é, pois, inteligência e divindade, mas o corpo, pó e corrupção.

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)


*Caldeus: habitantes da Caldeia, país na antiga Mesopotâmia.
Sem que haja prejuízo ao sentido original e de acordo com a norma-padrão, no trecho “… se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo.” (2° parágrafo), as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
Alternativas
Q4187026 Português
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


     O estresse compreende uma resposta física, normal para acontecimentos que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando o indivíduo está sobre pressão, sendo uma posição de alerta de autoproteção, podendo ser definido como uma totalização de estímulos físicos e mentais da inaptidão para definir o que é fato, e que são os anseios pessoais (NICOLAU, 2009). Os riscos inerentes à atividade de segurança pública remetem a situações de incertezas e tensões constantes, mesmo após o turno de trabalho; isto se dá pela visibilidade ligada ao uso da farda e de mesmo modo pela perseguição motivada pela vingança (SILVA, 2009). Essa tensão constante desencadeia um processo de estresse ininterrupto, deixa o corpo em sinal constante de alerta, gerando um estresse crônico deixando o indivíduo vulnerável a ansiedade e a depressão.

    O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/reações e manifestações físicas, mentais e emocionais devido à sequela de traumas vividos que, em geralmente, despertaram perigo à vida. A recordação remete a todo o sofrimento vivido na ocasião, resultando em modificações neurofisiológicas e mentais (VARELLA, 2016). O transtorno é desenvolvido em pessoas que estiveram envolvidas em episódios de violência urbana, guerra, agressão física, tortura, assalto, sequestro, acidentes, dentre outros. Assim, as ameaças consistentes de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, são situações diárias presentes nas atividades do agente da segurança pública que, motivam o adoecimento silencioso (FIGUEIRA e MENDLOWICZ, 2003).

    Para Mendes (2013) o desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse, como nos episódios de depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, e doenças psicossomáticas. Para o autor, as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.

    A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo. A instauração da síndrome poderá estar relacionada, também, com as relações de subordinação (ALMEIDA, 2007). Observa-se que as doenças ocasionadas pela prática laboral em muitos casos só são entendidas quando em estágios graves. Isto ocorre devido aos sintomas serem comuns e confundidos com moléstias diversas que disfarçam a identificação precoce da doença, gerando um sofrer silencioso e incompreendido por muitos colegas de trabalho e até por familiares.

    Esta síndrome incide em maior número de profissionais, cuja função é cuidar de outras pessoas, tais como: médicos, policiais, bombeiros, agentes penitenciários, dentre outros (ALMEIDA, 2007).


CRUZ, W. H. A saúde mental dos agentes de segurança pública. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-saude-mental-dos-agentes-deseguranca-publica/1630178796 Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado.
Considere o trecho: “A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo.” (4º parágrafo). Assinale a opção que reescreve este trecho do texto de modo adequado à norma-padrão e ao nível de formalidade adequado ao uso da língua portuguesa em documentos oficiais.
Alternativas
Q4187017 Português
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


     O estresse compreende uma resposta física, normal para acontecimentos que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando o indivíduo está sobre pressão, sendo uma posição de alerta de autoproteção, podendo ser definido como uma totalização de estímulos físicos e mentais da inaptidão para definir o que é fato, e que são os anseios pessoais (NICOLAU, 2009). Os riscos inerentes à atividade de segurança pública remetem a situações de incertezas e tensões constantes, mesmo após o turno de trabalho; isto se dá pela visibilidade ligada ao uso da farda e de mesmo modo pela perseguição motivada pela vingança (SILVA, 2009). Essa tensão constante desencadeia um processo de estresse ininterrupto, deixa o corpo em sinal constante de alerta, gerando um estresse crônico deixando o indivíduo vulnerável a ansiedade e a depressão.

    O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/reações e manifestações físicas, mentais e emocionais devido à sequela de traumas vividos que, em geralmente, despertaram perigo à vida. A recordação remete a todo o sofrimento vivido na ocasião, resultando em modificações neurofisiológicas e mentais (VARELLA, 2016). O transtorno é desenvolvido em pessoas que estiveram envolvidas em episódios de violência urbana, guerra, agressão física, tortura, assalto, sequestro, acidentes, dentre outros. Assim, as ameaças consistentes de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, são situações diárias presentes nas atividades do agente da segurança pública que, motivam o adoecimento silencioso (FIGUEIRA e MENDLOWICZ, 2003).

    Para Mendes (2013) o desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse, como nos episódios de depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, e doenças psicossomáticas. Para o autor, as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.

    A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo. A instauração da síndrome poderá estar relacionada, também, com as relações de subordinação (ALMEIDA, 2007). Observa-se que as doenças ocasionadas pela prática laboral em muitos casos só são entendidas quando em estágios graves. Isto ocorre devido aos sintomas serem comuns e confundidos com moléstias diversas que disfarçam a identificação precoce da doença, gerando um sofrer silencioso e incompreendido por muitos colegas de trabalho e até por familiares.

    Esta síndrome incide em maior número de profissionais, cuja função é cuidar de outras pessoas, tais como: médicos, policiais, bombeiros, agentes penitenciários, dentre outros (ALMEIDA, 2007).


CRUZ, W. H. A saúde mental dos agentes de segurança pública. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-saude-mental-dos-agentes-deseguranca-publica/1630178796 Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado.
Considere o seguinte trecho do terceiro parágrafo: “as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.” Assinale a alternativa que apresenta uma reescritura que mantém o sentido original e a correção gramatical.
Alternativas
Q4175944 Português

TEXTO


O Pavão


Eu considerei a glória de um pavão ostentando о esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.


Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.


Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


(BRAGA, Rubem. O pavão. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11513/o-pavao São Paulo. Global, 2005. <https://cronicabrasileira.orgbr/cronicas/11513/o-pavao%20São%20Paulo,%20Global,%202005.>  Acesso em 14 de setembro de 2025) 

No trecho: "[...] atingir o máximo de matizes [...]." (2°S), que palavra substitui o vocábulo destacado mantendo seu sentido no contexto? 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFMT Órgão: PM-MT Prova: UFMT - 2025 - PM-MT - Oficial Complementar |
Q4202562 Português
Instrução: Leia o trecho a seguir e responda à questão.


Uma das mais convincentes explicações para as diferenças culturais entre os indígenas brasileiros e, por exemplo, os incas, é a necessidade destes de viver com uma geografia quase inóspita que os obrigava a práticas avançadas como as referentes à agricultura e à engenharia. Os indígenas brasileiros, talvez pela obtenção mais facilitada de recursos para subsistência quando chegaram os portugueses, praticavam uma agricultura menos exigente e viviam da caça e da coleta de alimentos, enquanto os incas, também devido às exigências geográficas, tinham uma agricultura mais avançada.
Assinale a reescrita da segunda frase desse trecho, em que NÃO foram mantidas a coesão e a coerência, ocasionando alteração do sentido. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: PM-AP Prova: FCC - 2025 - PM-AP - Oficial Combatente |
Q4180904 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


[A força necessária dos princípios]


    Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.

    Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.

    Diante das violências em curso, alguém dotado de um princípio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.

    Agir por princípio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacara nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.

    As ações comandadas por um bom princípio nos dizem que não temos de pensar se agir por princípio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por princípio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por princípio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.


(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)
Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente.

O período acima permanecerá coerente e correto caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: PM-AP Prova: FCC - 2025 - PM-AP - Oficial Combatente |
Q4180899 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Uma palavra, vários sentidos: "segurança"


    As palavras nascem com um sentido original preso a um determinado contexto. Com o tempo, modificam-se, ganham novas significações por força de seu emprego em novos contextos. É essa a dinâmica de todas as línguas vivas, sobretudo em seus níveis de fala. Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico, pode iluminar aspectos da história humana.

    Tomemos como exemplo a palavra "segurança", um conceito dos mais discutidos em nosso tempo. Essa palavra tem origem no termo latino "securitas", que por sua vez deriva de "securus" (livre de preocupações, seguro), termo composto por "sine" (sem) e "cura" (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, "segurança" remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou seja, em um estado de tranquilidade e proteção.

    Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra. Num nível psicológico, um indivíduo seguro está habilitado a enfrentar seus desafios munido de convictos valores pessoais. Na ordem social, a segurança se torna um bem público, a ser defendido pelas instituições que delegam a seus agentes o papel de defender os valores civilizatórios. Difícil imaginar alguém que nunca se tenha valido da proteção que nos estendem os responsáveis por nossa segurança. Já no âmbito da natureza, catástrofes podem ser, quando não evitadas, minimizadas por medidas preventivas de segurança.

    Em nossos dias, o progresso avassalador da cibernética está pondo à prova as situações em que todos nós, ativa ou passivamente, integramos os processos midiáticos de comunicação, expandindo valores e interesses que entram na conformação da vida e do comportamento sociais. Quais os limites dessa propagação? Que segurança podemos ter contra os abusos extremos? -perguntam-se alguns. Ao mesmo tempo, há aqueles que reagem contra qualquer tipo de controle dos procedimentos da mídia.

    Não há dúvida de que nossas fragilidades naturais, nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos. Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo.


(Abelardo Villa Siqueira, a editar)
Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra.

Uma nova redação da frase acima, que mantenha a correção gramatical, a clareza e seu sentido básico se representa em:
Alternativas
Q4171519 Português

Texto 2 



A AURORA


    A aurora chegou vestida de cor-de-rosa, passou pela vidraça, passou através de minhas pálpebras, acordou meus olhos. Mas não me acordou a alma, que ficou dormente-não-dormindo, boba e semi-iluminada. Depois, ela, a aurora, foi esvoaçar sobre os telhados, e era como se aquilo estivesse acontecendo no passado. Meus olhos ficaram espiando aquela aurora doida que esvoaçava e se adelgaçava e deixava nascer de seu ventre róseo os primeiros passarinhos matutinos.


    Como são vivos e novos os passarinhos enxotados pela aurora! Como a alma de um homem é boba e vadia! Como a doçura da preguiça de uma criatura que amanhece infantil! Como às vezes, ao surgir o dia, o homem se descobre miraculosamente perdoado de todos os crimes, crimes não, de todas as coisas feias que cometeu. Que nem cometeu, que deixou acontecer. Quem nos perdoa, não sabemos. Talvez seja assim: o sofrimento se junta, vai se juntando dentro da gente, lacerando, doendo, até que um dia a dor é tanta que nos pune. Então, ficamos perdoados. Puros, recomeçamos de alma nova, voltados à limpura como exercício de escola.


    Voltando à aurora, ela começou a sentir que morria. Ficou pálida. Um vento frio levantava as grinaldas da janela. As árvores começaram miraculosamente a dar folhas e frutos. Os pássaros se coloriram. Trens fumacentos avançaram sobre a cidade. Homens gritavam vendendo coisas. Ah, a aurora foi ficando palidíssima e morreu, morreu bem em cima de meus olhos, no instante em que as duas últimas estrelinhas eram riscadas do show noturno. Amanhecia implacavelmente.


    Aí chegou a vez do enterro da aurora. O coche foi levado por andorinhas de sobrecasaca, foi levado para muito longe, para muito além de um monte escuro, e desapareceu.


    Fiquei só outra vez. Por um momento quis que ela voltasse. Depois resolvi ser novamente um homem, com duas pernas, dois braços, dez dedos práticos, com uma cabeça que deve decidir de onde pôr os meus pés. É meio mórbido ficar flanando indefinidamente a perda de uma aurora, mesmo uma aurora especial como aquela, capaz de perdoar-nos os pecados.


    Ergui-me da cama resoluto como um rei e fui lavar a cara. Escovei os dentes com um máximo de alegria. Abençoado sejas, irmão dentifrício, que me refrescas a boca.


    Em jejum, acendi como sempre o primeiro cigarro. Que me dá tosse. Não importa. Abençoado sejas, irmão fumo, irmão fumaça que sobes para o céu.


    Deitei-me na cama de novo enquanto os cavalos dos poemas antigos traziam o Sol em atropelada brilhante. Vi-os fortes e louros romper pelo céu onde tinha morrido de morte linda a aurora. Abençoado seja o Sol. Abençoado seja o dia. Abençoado seja o descanso. Abençoados sejam os pássaros diurnos e noturnos. Abençoadas sejam as criaturas de todo o mundo. Abençoado o fogo; a terra; o ar; a água. Abençoada seja a aurora. Que me perdoe de meus pecados.


CAMPOS, Paulo Mendes. O amor acaba. Crônicas líricas e

existenciais. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.


Observe o trecho "Mas não me acordou a alma (...)"-1°§. Assinale a opção em que a reescritura altera o sentido do fragmento:
Alternativas
Q4157499 Português

Conto de Fadas do Século XXI 

Era uma vez... numa terra muito distante... uma princesa linda, independente e cheia de autoestima.

Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...

Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. 

Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.

Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.

Logo, tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:

- Eu, hein? Nem morta!

“Logo, tua mãe poderia vir morar conosco [...]”
O termo ressaltado pode ser substituído, sem prejuízo ao seu valor semântico contextual, pelo vocábulo em:
Alternativas
Respostas
1: C
2: E
3: D
4: A
5: D
6: C
7: B
8: D
9: A
10: E
11: D
12: A
13: E
14: B
15: E
16: D
17: E
18: C
19: C
20: B