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Questões Militares Sobre interpretação de textos em português

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Q3485822 Português

Leia o texto e responda a questão.


Texto Il



RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA 



        Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.  



        Desconfiei. Uma maquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro paragrafo:  



        “Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.” 



        Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possivel produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.  



        Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não sãc apenas uma ameaça para a vida acadéêica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atras, Derek Thomson escrevia na revista Aflantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruidas pela automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson. 



        Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou musicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possivel programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”. Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora. 



        Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final. Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.



        Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.  


(João Pereira Coutinho - Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/joao-pereira-coutinho-inteligência-artificial-chatgpt-arte/

“Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da maquina e não do homem. Se isso não for possivel, imagino um futuro proximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: [...]". (8°§)

Analise o trecho acima e assinale a opção correta quanto aos valores afetivos do pronome demonstrativo sublinhado.  
Alternativas
Q3485821 Português

Leia o texto e responda a questão.


Texto Il



RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA 



        Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.  



        Desconfiei. Uma maquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro paragrafo:  



        “Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.” 



        Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possivel produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.  



        Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não sãc apenas uma ameaça para a vida acadéêica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atras, Derek Thomson escrevia na revista Aflantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruidas pela automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson. 



        Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou musicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possivel programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”. Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora. 



        Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final. Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.



        Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.  


(João Pereira Coutinho - Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/joao-pereira-coutinho-inteligência-artificial-chatgpt-arte/

Leia os trechos a seguir.

I- "Uma máquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano.” (2°§) 
II- “Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não são apenas uma ameaça para a vida acadêmica honesta.” (5°§) 
[...] será possível programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y." (6°§)

Nos termos destacados, há figuras de presentes que denotam respectivamente: 
Alternativas
Q3485820 Português

Leia o texto e responda a questão.


Texto Il



RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA 



        Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.  



        Desconfiei. Uma maquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro paragrafo:  



        “Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.” 



        Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possivel produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.  



        Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não sãc apenas uma ameaça para a vida acadéêica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atras, Derek Thomson escrevia na revista Aflantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruidas pela automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson. 



        Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou musicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possivel programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”. Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora. 



        Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final. Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.



        Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.  


(João Pereira Coutinho - Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/joao-pereira-coutinho-inteligência-artificial-chatgpt-arte/

Com base na leitura do texto, é correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3485815 Português

Leia o texto e responda a questão.


Texto Il



RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA 



        Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.  



        Desconfiei. Uma maquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro paragrafo:  



        “Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.” 



        Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possivel produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.  



        Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não sãc apenas uma ameaça para a vida acadéêica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atras, Derek Thomson escrevia na revista Aflantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruidas pela automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson. 



        Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou musicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possivel programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”. Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora. 



        Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final. Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.



        Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.  


(João Pereira Coutinho - Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/joao-pereira-coutinho-inteligência-artificial-chatgpt-arte/

Marque a opção que contém, sinteticamente, a ideia central do texto de João Pereira Coutinho. 
Alternativas
Q3485813 Português

Leia o texto e responda a questão.


Texto Il



RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA 



        Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.  



        Desconfiei. Uma maquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro paragrafo:  



        “Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.” 



        Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possivel produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.  



        Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não sãc apenas uma ameaça para a vida acadéêica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atras, Derek Thomson escrevia na revista Aflantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruidas pela automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson. 



        Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou musicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possivel programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”. Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora. 



        Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final. Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.



        Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.  


(João Pereira Coutinho - Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/joao-pereira-coutinho-inteligência-artificial-chatgpt-arte/

De acordo com o texto, analise as afirmativas abaixo.

I- Pode-se inferir que o plágio e a Inteligéêcia Artificial são crimes da vida acadêmica, sendo que o primeiro deixa rastros; e o segundo, não.
ll- Em qualquer obra artística, literária ou jornalística, o que mais interessa é o processo de elaboração da obra, e não o resultado em si.
ill- Os programas de Inteligência artificial intimidam a vida acadêmica digna, não deixando de ser um pensamento destruidor.

Assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3485812 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

Analise os trechos a seguir retirados do texto.

1- “Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império [...].” (3°§) 
“[...] sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto.” (3°§)

Assinale a opção que apresenta, respectivamente, sinônimos dos termos sublinhados em I) e em II). 
Alternativas
Q3485811 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

Leia o fragmento abaixo:

“[...] No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena.” (1º§) 

Quanto aos processos coesivos, assinale a opção correta com relação ao termo sublinhado. 
Alternativas
Q3485809 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

De acordo com o texto, assinale a opção correta.  
Alternativas
Q3485808 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

Assinale a opção em que é possível identificar, no fragmento empregado, a existência de ideia causal. 
Alternativas
Q3485803 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

De acordo com o texto, é possível afirmar que:

I- O narrador faz suposições sobre o comportamento da menina da fotografia e admite hipotéticamente que a garota tenta esconder a sua felicidade.
II- O narrador é o personagem secundário da história. Ele conta o que viu na velha fotografia com um grande efeito de subjetividade.
III- O narrador está convicto de que a menina da fotografia esqueceu esse dia. Embora não a conheça, a admira abundantemente.

Assinale a opção correta com relação às afirmativas acima. 
Alternativas
Q3485802 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

No trecho “Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: “[...]" (1°§), os termos sublinhados estabelecem relações lexicais que pertencem ao mesmo campo semântico. Assinale a opção abaixo na qual os vocábulos mostram, respectivamente, esse mesmo tipo de relação.
Alternativas
Q3485800 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

Assinale a opção em que a cronista emprega o conhecimento enciclopédico no trato com as informações apresentadas no texto.  
Alternativas
Q3485799 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

Observe o período:

"Já disse que o vestido é branco.” (4°§)

Pode-se afirmar que o enunciado acima é empregado para auxiliar na manutenção de que tipo de coerência? 
Alternativas
Q3485796 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

Assinale a opção em que se pode identificar uma inferência por parte da cronista. 
Alternativas
Q3485795 Português

Leia o texto e responda a questão. 


Texto I


O retrato 



        Remexendo em papéis alheios, encontro a ampliação de uma velha fotografia, que me enfeitiça: o retrato de uma menina de 1910, vestida de branco. Percebe-se vagamente, no fundo, uma cortina ou cenário, com uma paisagem pintada, folhagens, um pedaço de coluna - desses, bizarramente greco-romanos, que se usavam no começo do século, para emprestar às fotografias, ditas artísticas, uma atmosfera de poesia atemporal. No primeiro plano, à esquerda, uma cadeira estilo Luís XV ou XVI, estofada em seda florida, de pernas finas e espaldar elaborado. Sobre ela, uma boneca enorme, loura. Ao lado, a menina morena. 



        A menina está séria, embora seu ar não transmita gravidade. Simplesmente não sorri. Observando-a melhor, chego a pensar que talvez esteja a ponto de achar graça, mas não se atreve: os olhos estão fixos; a boca, de lábios cheios e contorno quase ardente, apesar de infantil, disfarça o esboço de um sorriso. Todo o seu jeito é de implícita curiosidade. A menina está séria, de pé, imobilizada pelas ordens do fotógrafo. Suponho-a buliçosa, marota, mal conseguindo esconder a alegria, naquele momento de importância. O rosto é lindo, oval; o cabelinho preto deve ter sido cuidadosamente aparado para a circunstância: a franjinha curta demais ainda está meio rígida e não adere bem à testa ampla. 



        Nunca vi essa menina que, hoje, se estiver viva, deve andar pelos 79 anos. Os dizeres, no reverso do retrato, me informam que ela se chama, digamos, Maria Carlota e teve, de solteira e casada, sobrenomes ilustres. Fico sabendo também que o seu avô foi um colendo cidadão do nosso Império; filha de Aracélia e Rodolfo. Nunca ouvi falar em nenhuma dessas pessoas, nem sequer conheço a parenta distante que deixou, sem explicação, esse retrato na gaveta que perscruto. Sei apenas que se trata de uma garota de oito anos, que, há 71, posou para essa fotografia.  



        Séria, junto à cadeira, com a mão esquerda na cintura e a direita segurando a da boneca. Um pezinho cruzado na frente do outro, como indicavam os figurinos de então. Botinas pretas, abotoadas, deixando entrever, sobre o cano curto, uma nesga das meias xadrez. Já disse que o vestido é branco. Falta-me acrescentar que tem duas fileiras de botõezinhos na frente, gola redonda, grande, mangas largas, até o cotovelo, cintura baixa. Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ou azul, separa a blusa folgada da saia pequena, de três babados, que termina exatamente sobre os joelhos da garota - tudo arrematando em renda mimosa. Ao redor do pescoço de Maria Carlota descubro um cordão (que só pode ser de ouro), com uma figa (provavelmente de coral) pendurada; uma pulseirinha no brago esquerdo. Não há dúvida que a menina foi vestida com capricho para a fotografia. 



        A boneca de porcelana, com membros articulados, está sentada, com os pés durinhos para cima. Sua roupa deve ser branca também, com fitas de cor enfeitando as cavas e a pala. Usa cachos compridos e o rosto exibe essa expressão estática das antigas bonecas de luxo. Reparo que parece nova. Com certeza Maria Carlota a recebeu de presente no ultimo Natal; ou, se não, deve ser um desses brinquedos intocáveis que as mães guardam e só entregam às filhas em ocasiões especialíssimas: em dias de doença, de visitas de cerimônia, dias de tirar retrato.


        De repente uma cena que me agrada: imagino esse retrato tirado precisamente no dia do aniversário de Maria Carlota. Morando em outra cidade e impossibilitada de ir pessoalmente beijar a afilhada, a madrinha mandou a boneca na semana anterior, como encomenda postal, acompanhada por uma carta, em letra inclinada e minuciosa, felicitando a aniversariante e pedindo um retratinho para matar as saudades. Assim, logo depois da missa, Maria Carlota foi conduzida à casa do fotógrafo, repleta de emoções fundas: o prestígio de ter oito anos; a próxima festa; a boneca recém-saida da caixa de papelão, cheirando a coisa estrangeira, de boa qualidade; a estreia do vestido de cambraia, feito à mão pela tia solteira, a expectativa do retrato.... Depois a cortina insólita, o fotógrafo de pano preto na cabeça, a insistência: 



        - Quietinha, sem se mexer, olha o passarinho! - enquanto a mãe e a avó, na outra ponta da sala, aprovavam com a cabeça, solenes.  



        Acompanho com ternura esse dia de Maria Carlota, esgarçado entre tantos, esquecido, provavelmente, pela própria protagonista, e que hoje - em outros tempos, em outras terras, em outro tudo - desentranho da sombra. Não sei quem é essa garota, nunca me chegaram notícias dela e, no entanto, eis-me aqui a contemplá-la, intensa, longamente, em busca do que se oculta atrás desse rostinho fresco, dos olhos escuros, imensos, do nariz bem-feito. Quem é, quem foi essa menina, em que mulher se transformou, com que marido conviveu, que filhos teve? Como foram seus partos, sua vida em sociedade, seu prazer, suas angústias, seu segredo, talvez sua morte? Que fim levou a boneca: se espatifou contra o chão, depois de um movimento brusco de sua dona? Passou as mãos de outra menininha da familia, de mais outra e outra mais? Estará seu rosto vazio e indecifrável exposto em alguma clínica de bonecas, ou numa vitrina de antiquério? Que atalhos percorreu Maria Carlota de mãos dadas com sua companheira de louça? 



        De tanto inquirir o retrato, chego a sonhar que, por uma dessas artimanhas do destino, uma senhora quase octogenária vai abrir o jornal neste momento, ler esta crônica e (confundida pelo nome suposto e por todas as minhas fantasias) extrair fiapos de lembrança do seu baú de memórias:  



        - Que coincidência, acho que uma vez eu também tirei uma fotografia assim, com aquela boneca francesa que Vovô Barão me deu. Como é que ela se chamava? Era tão bonita, loura... - sem compreender, como no soneto de Arvers, que é dela mesma, séria e menineira, o retrato que não pôde reconhecer. 


(Maria Julieta Drummond de Andrade - Coleção melhores Crônicas. Disponível em: texto_1.png (310×18)

No trecho “Uma fita de cetim, quem sabe se vermelha ouazul, separa a blusa folgada da saia pequena [...]" (4º§), a cronista deixa transparecer uma dúvida. Assinale a opção que contém a afirmativa correta a respeito da incerteza manifestada pela narradora.
Alternativas
Q3479422 Português

TEXTO I


Fragmento I 


Q1_2.png (357×552)


(Adaptado de: A importância da Lei Geral de Proteção de Dados no Comércio Exterior. Disponível em: https://www.domaniconsultoria.com.br. Acesso em: 26/03/2025). 



Fragmento II


Nanotecnologias e proteção dos dados pessoais: um diálogo necessário


Q1_2_.png (361×233)

Q1_2__.png (353×78)


(Disponível em: https://www.jota.info/artigos/nanotecnologias-e-protecao-dosdados-pessoais-um-dialogo-necessario. Acesso em: 28/02/2025. Adaptado). 



Fragmento III


Especialista alerta para os riscos do uso da íris como credencial de segurança


_Q1_2.png (349×193)


(Adaptado de: Especialista alerta para os riscos do uso da íris como credencial de segurança. Disponível em: https://www.contabeis.com.br/noticias. Acesso em: 13/03/2025). 



TEXTO II


FRANKENSTEIN


Q5_10.png (356×541)

Q5_10_.png (357×374)


(Adaptado de - SHELLEY, Mary. Frankenstein – uma história de Mary Shelley.Trad. Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 11-19). 



TEXTO III 


Q11_12.png (358×324)


(Vida de suporte. Proteção de Dados. Publicado em 10/12/2020 em Publieditorial, SUPORTE - A Série. Acesso em: 20/02/2025). 



TEXTO IV 


O trecho a seguir é um fragmento extraído do artigo “O Alienista: loucura, poder e ciência.”


O corpo da disciplina 


Q13_15.png (356×529)

Q13_15_.png (358×361)


(Adaptado de: GOMES, Roberto. O Alienista: loucura, poder e ciência. Tempo social. Rev, Sociol. USP. São Paulo Paulo,v. 5 (1-2): 156-157, 1993)

Em relação à temática discorrida, ao longo dos textos I, II, III e IV, considere as afirmativas a seguir.

I. No texto II, o narrador demonstra ficar aterrorizado perante a deterioração do corpo, a partir da morte; fato que se repete nas literaturas de horror que se criaram a partir de Frankenstein.
II. Simão Bacamarte transforma Itaguaí em uma espécie de laboratório, bem como seus moradores em objetos de investigação. O personagem demonstra igual fascínio pela ciência, encontrado em Victor Frankenstein e, para ambos, não há limites para a pesquisa.
III. As pesquisas elaboradas, a partir de dados bioquímicos, a exemplo do texto I e seus fragmentos, não são similares àquelas que relacionam ciência, morte e matéria, a exemplo do texto II; pois, para a cultura de dados, há limites impostos.
IV. O sistema de dados corporativos e o econômico digital também podem ser inseridos nas discussões acerca do tratamento, armazenamento e veiculação de dados; tal como os dados bioquímicos, eles também requerem regulamentação.

Está(ão) correta(s)
Alternativas
Q3479420 Português
TEXTO IV


O trecho a seguir é um fragmento extraído do artigo “O Alienista: loucura, poder e ciência.”


O corpo da disciplina  


Q13_15.png (356×529)
Q13_15_.png (358×361)



(Adaptado de: GOMES, Roberto. O Alienista: loucura, poder e ciência. Tempo social. Rev, Sociol. USP. São Paulo Paulo,v. 5 (1-2): 156-157, 1993).
Analise o seguinte enunciado do texto IV:

“A loucura, objeto de meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão. Começo a suspeitar que é um continente [...]” (l. 22 - 24)

Considerando o enunciado acima, no que se refere ao seu (con)texto, o locutor empreende relações entre alguns elementos, por meio de figuras de linguagem, para atribuir sentido ao termo loucura, cujos termos correspondentes são 
Alternativas
Q3479419 Português
TEXTO IV


O trecho a seguir é um fragmento extraído do artigo “O Alienista: loucura, poder e ciência.”


O corpo da disciplina  


Q13_15.png (356×529)
Q13_15_.png (358×361)



(Adaptado de: GOMES, Roberto. O Alienista: loucura, poder e ciência. Tempo social. Rev, Sociol. USP. São Paulo Paulo,v. 5 (1-2): 156-157, 1993).
O texto IV apresenta o fragmento de um artigo científico que analisa o conto O Alienista, de Machado de Assis. Acerca desse fragmento, todas as alternativas estão corretas, EXCETO:  
Alternativas
Q3479417 Português

TEXTO III 


Q11_12.png (358×324)


(Vida de suporte. Proteção de Dados. Publicado em 10/12/2020 em Publieditorial, SUPORTE - A Série. Acesso em: 20/02/2025).

A charge se caracteriza como um gênero que, via de regra, debate um tema de cunho social, por meio do recurso do humor. Levando em consideração que o humor, na língua, é um recurso argumentativo, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3479414 Português
TEXTO II

FRANKENSTEIN


Capítulo 1 – Narrativa de Victor Frankenstein, estudante de química, biologia, filosofia natural e anatomia 


Q5_10.png (356×541)
Q5_10_.png (357×374)



(Adaptado de - SHELLEY, Mary. Frankenstein – uma história de Mary Shelley.Trad. Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 11-19). 
O romance de ficção se caracteriza, também, por sua construção composicional. Sendo assim, o texto II se estrutura a partir do modo de organização narrativo. Dentre os termos selecionados no texto, assinale a alternativa que explicita aquele utilizado pelo locutor / autor, para encadear a sequência da narrativa: 
Alternativas
Respostas
341: C
342: B
343: D
344: A
345: E
346: D
347: C
348: A
349: D
350: E
351: E
352: A
353: B
354: B
355: D
356: C
357: B
358: D
359: C
360: B