Questões Militares Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3692538 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
“O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os lados. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo.” (texto 2, linhas 6 a 8)

No excerto retirado do texto 2, observa-se uma progressão coesiva entre duas frases, mesmo sem o uso de conectivo. Considerando a relagdo semantica entre essas frases, assinale a alternativa que apresenta uma locução ou conjunção que poderia ser empregada pelo autor, mantendo o mesmo sentido do fragmento.  
Alternativas
Q3691846 Português
TEXTO III

CASAIS COSTUMAM COMPARTILHAR TRANSTORNOS MENTAIS, DIZ ESTUDO


    Alguns têm necessidade de lavar as mãos 20 vezes por dia. Outros mal conseguem sair da cama por conta de quadros depressivos. Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos, que voam rapidamente pela cabeça. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas sofrem de algum transtorno mental. Ao mesmo tempo em que o número soa elevado, o dado indica que a maioria das pessoas no mundo é saudável.

    Um estudo publicado no final de agosto pela revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que pessoas que apresentam transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que têm o mesmo caso clínico. Para o estudo, os pesquisadores colheram dados de 15 milhões de pessoas. Eles analisaram amostras de nove quadros clínicos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, transtornos obsessivo-compulsivos, abuso de substâncias e anorexia.

    Quando um parceiro era diagnosticado com um dos nove transtornos, a probabilidade de o outro também ter um transtorno era muito maior. Muitas vezes, a doença era a mesma. “Presumíamos que, quando alguém sofre de ansiedade ou depressão, essa pessoa procura um parceiro que transmitisse estabilidade e segurança”, diz Robert Plomin, professor de genética comportamental no King’s College de Londres, que não participou do estudo. “Mas acontece exatamente o contrário.”

    Uma limitação da pesquisa, segundo Plomin, é que é preciso procurar no anexo do estudo para descobrir o quão forte é a correlação acima. Para ele, isso é incomum e um pouco desonesto. Apesar disso, o efeito é consistente e o número de pessoas analisadas – 15 milhões – dá peso ao resultado.

    Os primeiros indícios de que pessoas com transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que também apresentam quadros similares surgiram na década de 1960. No entanto, os estudos realizados naquela época eram geralmente pequenos. Foi apenas há cerca de dez anos que surgiu a primeira pesquisa de maior escala, mas que considerou apenas pacientes do norte da Europa.

    No estudo atual, a equipe liderada pelo pesquisador em genética populacional Chun Chieh Fan, do Laureate Institute for Brain Research, em Oklahoma, quis descobrir se o padrão de escolha de parceiros se mantém em diferentes culturas. Com esse objetivo, eles coletaram dados em três países: Dinamarca, Suécia e Taiwan. “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, diz o autor do estudo. Apenas em casos de transtornos obsessivos, transtorno bipolar e anorexia foram observadas diferenças. Em Taiwan, por exemplo, parceiros casados sofriam com mais frequência de transtornos obsessivos do que no norte da Europa.

    Outra constatação: para a maioria dos transtornos, a probabilidade de os parceiros receberem o mesmo diagnóstico permaneceu estável ao longo das décadas. Isso é evidenciado pelos dados de Taiwan, que foram coletados ao longo de mais de 50 anos. No caso de consumo de substâncias, essa probabilidade até ficou mais elevada. Apenas no caso de transtornos obsessivos ela diminuiu. “E isso apesar de o sistema de saúde, a política e a sociedade taiwanesa terem mudado bastante nesse período”, afirma Chun Chieh Fan.

    Mas por que pessoas com doenças mentais tendem a se relacionar com outras que sofrem de problemas semelhantes? Há três explicações possíveis. Primeiro, as pessoas procuram alguém com quem se identificam. Segundo, um ambiente compartilhado pode adoecer de forma semelhante. Ou terceiro, o estigma associado à doença mental condiciona a escolha dos parceiros.

    De acordo com o autor do estudo, há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência. Seguindo essa lógica, a escolha de parceiros com características semelhantes é chamada, na linguagem técnica, de “escolha assortativa de parceiros”. Os possíveis motivos podem ser o fato de que a outra pessoa tem uma melhor compreensão da doença ou que características positivas semelhantes unem o casal – por exemplo, ambos serem mais criativos do que outras pessoas.

    O estudo não consegue responder, porém, o que estava lá primeiro: a relação ou o transtorno mental? Para entender isso, uma observação de longo prazo seria interessante, diz Robert Plomin. Além disso, permanece incerto se esses casais convivem em harmonia no casamento. Apresentar um quadro psicológico semelhante seria a receita para uma relação compreensiva? Ou apenas piora ainda mais o transtorno? Também faltam estudos de longo prazo para responder a essas questões.

    Resumindo: não é possível tirar recomendações sobre escolhas de parceiros por meio do estudo. Em um ponto, o estudo é ainda mais claro sobre o que ocorre em longo prazo: os pesquisadores descobriram que crianças, cujos pais sofrem do mesmo transtorno, apresentam o dobro de chance de desenvolver transtornos mentais em relação a outras crianças em que só um dos pais é afetado.

    “A transmissão de um transtorno mental se intensifica por meio da escolha do parceiro”, diz Fan.

    O efeito foi especialmente forte em casos de esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar ou dependência. Para médicos e terapeutas, isso significa que o tratamento deve considerar também a família. Com frequência, parceiros e filhos de afetados também podem se beneficiar da terapia e acompanhamento psicológico.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/casaiscompartilham-transtornos-mentais-revela-estudo/a-74022892>. Adaptado. Acesso em: 30 de setembro de 2025.
Assinale a alternativa que apresenta a interpretação mais precisa sobre os resultados e implicações do estudo descrito no texto.
Alternativas
Q3691845 Português
TEXTO III

CASAIS COSTUMAM COMPARTILHAR TRANSTORNOS MENTAIS, DIZ ESTUDO


    Alguns têm necessidade de lavar as mãos 20 vezes por dia. Outros mal conseguem sair da cama por conta de quadros depressivos. Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos, que voam rapidamente pela cabeça. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas sofrem de algum transtorno mental. Ao mesmo tempo em que o número soa elevado, o dado indica que a maioria das pessoas no mundo é saudável.

    Um estudo publicado no final de agosto pela revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que pessoas que apresentam transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que têm o mesmo caso clínico. Para o estudo, os pesquisadores colheram dados de 15 milhões de pessoas. Eles analisaram amostras de nove quadros clínicos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, transtornos obsessivo-compulsivos, abuso de substâncias e anorexia.

    Quando um parceiro era diagnosticado com um dos nove transtornos, a probabilidade de o outro também ter um transtorno era muito maior. Muitas vezes, a doença era a mesma. “Presumíamos que, quando alguém sofre de ansiedade ou depressão, essa pessoa procura um parceiro que transmitisse estabilidade e segurança”, diz Robert Plomin, professor de genética comportamental no King’s College de Londres, que não participou do estudo. “Mas acontece exatamente o contrário.”

    Uma limitação da pesquisa, segundo Plomin, é que é preciso procurar no anexo do estudo para descobrir o quão forte é a correlação acima. Para ele, isso é incomum e um pouco desonesto. Apesar disso, o efeito é consistente e o número de pessoas analisadas – 15 milhões – dá peso ao resultado.

    Os primeiros indícios de que pessoas com transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que também apresentam quadros similares surgiram na década de 1960. No entanto, os estudos realizados naquela época eram geralmente pequenos. Foi apenas há cerca de dez anos que surgiu a primeira pesquisa de maior escala, mas que considerou apenas pacientes do norte da Europa.

    No estudo atual, a equipe liderada pelo pesquisador em genética populacional Chun Chieh Fan, do Laureate Institute for Brain Research, em Oklahoma, quis descobrir se o padrão de escolha de parceiros se mantém em diferentes culturas. Com esse objetivo, eles coletaram dados em três países: Dinamarca, Suécia e Taiwan. “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, diz o autor do estudo. Apenas em casos de transtornos obsessivos, transtorno bipolar e anorexia foram observadas diferenças. Em Taiwan, por exemplo, parceiros casados sofriam com mais frequência de transtornos obsessivos do que no norte da Europa.

    Outra constatação: para a maioria dos transtornos, a probabilidade de os parceiros receberem o mesmo diagnóstico permaneceu estável ao longo das décadas. Isso é evidenciado pelos dados de Taiwan, que foram coletados ao longo de mais de 50 anos. No caso de consumo de substâncias, essa probabilidade até ficou mais elevada. Apenas no caso de transtornos obsessivos ela diminuiu. “E isso apesar de o sistema de saúde, a política e a sociedade taiwanesa terem mudado bastante nesse período”, afirma Chun Chieh Fan.

    Mas por que pessoas com doenças mentais tendem a se relacionar com outras que sofrem de problemas semelhantes? Há três explicações possíveis. Primeiro, as pessoas procuram alguém com quem se identificam. Segundo, um ambiente compartilhado pode adoecer de forma semelhante. Ou terceiro, o estigma associado à doença mental condiciona a escolha dos parceiros.

    De acordo com o autor do estudo, há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência. Seguindo essa lógica, a escolha de parceiros com características semelhantes é chamada, na linguagem técnica, de “escolha assortativa de parceiros”. Os possíveis motivos podem ser o fato de que a outra pessoa tem uma melhor compreensão da doença ou que características positivas semelhantes unem o casal – por exemplo, ambos serem mais criativos do que outras pessoas.

    O estudo não consegue responder, porém, o que estava lá primeiro: a relação ou o transtorno mental? Para entender isso, uma observação de longo prazo seria interessante, diz Robert Plomin. Além disso, permanece incerto se esses casais convivem em harmonia no casamento. Apresentar um quadro psicológico semelhante seria a receita para uma relação compreensiva? Ou apenas piora ainda mais o transtorno? Também faltam estudos de longo prazo para responder a essas questões.

    Resumindo: não é possível tirar recomendações sobre escolhas de parceiros por meio do estudo. Em um ponto, o estudo é ainda mais claro sobre o que ocorre em longo prazo: os pesquisadores descobriram que crianças, cujos pais sofrem do mesmo transtorno, apresentam o dobro de chance de desenvolver transtornos mentais em relação a outras crianças em que só um dos pais é afetado.

    “A transmissão de um transtorno mental se intensifica por meio da escolha do parceiro”, diz Fan.

    O efeito foi especialmente forte em casos de esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar ou dependência. Para médicos e terapeutas, isso significa que o tratamento deve considerar também a família. Com frequência, parceiros e filhos de afetados também podem se beneficiar da terapia e acompanhamento psicológico.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/casaiscompartilham-transtornos-mentais-revela-estudo/a-74022892>. Adaptado. Acesso em: 30 de setembro de 2025.
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE uma característica do estudo descrito no texto.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Exército Órgão: EsSA Prova: Exército - 2025 - EsSA - Sargento - Geral |
Q3686274 Português
TEXTO III


FAB HOMENAGEIA AYRTON SENNA


    Era uma quarta-feira, 29 de março de 1989. Amanhecia dentro das instalações do Esquadrão Jaguar (1º GDA), localizado na Base Aérea de Anápolis (BAAN). Mas, não era apenas um dia normal. Dois Mirage III do Esquadrão decolavam, com o intuito de interceptar e conduzir a aeronave PT-ASN, matrícula que referenciava as iniciais de Ayrton Senna, até o pouso seguro na BAAN. A bordo, o então campeão mundial da Fórmula 1. Naquele dia, o piloto conheceu as instalações da unidade e embarcou a bordo do Mirage III, onde realizou um voo no supersônico, inspirando brasileiros em uma data lembrada com carinho até hoje.

    Ayrton Senna havia sido campeão mundial pela primeira vez em 1988. Ele estava no início da temporada de 1989 da Fórmula 1, protagonizada pelo seu duelo com Alain Prost dentro e fora das pistas. Até o precoce fim de sua carreira na categoria, ainda conquistaria mais dois títulos mundiais (1990 e 1991) e obteria números impressionantes, que fazem com que muitos especialistas o considerem, até hoje, o melhor piloto que já passou pela categoria.

    Em 1987, Ayrton Senna já havia voado nas asas da FAB. Daquela vez, em um caça F-5 do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), sobrevoou o hoje extinto Circuito de Jacarepaguá.

Homenagens

    Ayrton Senna também foi condecorado pela Força Aérea Brasileira com a Medalha Mérito Santos Dumont, em 1987, e com a Medalha da Ordem do Mérito Aeronáutico, Grau Cavaleiro, em 1993.


Agência Força Aérea. FAB homenageia Ayrton Senna. 30ABR2024. Disponível em: https://www.fab.mil .br/noticias/mostra/42460/HOMENAGEM%20-%20FAB%20homenageia%20Ayrton%20Senna Acesso em: 07OUT2024 (Fragmento / Adaptado)
“(…) que fazem com que muitos especialistas o considerem, até hoje, o melhor piloto que já passou pela categoria.”

Tendo em vista o trecho acima, ao analisar alguns elementos textuais de pressuposição, depreende-se que:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Exército Órgão: EsSA Prova: Exército - 2025 - EsSA - Sargento - Geral |
Q3686270 Português
TEXTO I


SOLDADO NASCIMENTO: RELEMBRE A PASSAGEM DE PELÉ PELO EXÉRCITO BRASILEIRO


    O Soldado Nascimento (Nr 201) incorporou às fileiras do Exército Brasileiro em 20 de janeiro de 1959, no 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado (6º GACosM), localizado em Santos, hoje 2º Grupo de Artilharia Antiaérea (2º GAAAe) e atualmente situado em Praia Grande (SP). 

    Durante sua passagem pelo Exército, já campeão Mundial de Futebol na Copa do Mundo de 1958, conquistou o Campeonato Sul-americano de Futebol das Forças Armadas, marcando o gol decisivo no jogo final contra a Seleção Militar da Argentina (Brasil 2 x 1 Argentina).

    Em entrevista à Revista Verde-Oliva em 2006, Pelé disse que a disciplina e o respeito ao próximo foram os principais ensinamentos que obteve na caserna. "Eu me orgulho muito, porque serviu de base para minha formação e meu caráter. Acho que todos os jovens deveriam passar pelo Exército", afirmou à época.


Comando Militar do Sudeste. Soldado Nascimento: relembre a passagem de Pelé pelo Exército Brasileiro. DEZ2022. Disponível em: https://cmse.eb.mil.br/index.php/ultimas-noticias-categoria/743-soldado-nascimento-relembre-a-passagem-de-pele-pelo-exercito-brasileiro Acesso em: 07OUT2024 (Fragmento)
“Pelé disse que a disciplina e o respeito ao próximo foram os principais ensinamentos (…)”

A palavra “próximo” é polissêmica e, para que haja uma clara interpretação, é preciso entender o seu contexto, como se vê no exemplo acima. Contudo, marque a alternativa em que haja um sentido que não está exposto na palavra em destaque no fragmento, mas a substituiria na frase: “no próximo mês, haverá aula.”
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Q3685010 Português

TEXTO IV


CANÇÃO SARGENTO MAX WOLFF FILHO


I


Em mil novecentos e onze,


no interior do Paraná,


nasceu um herói de guerra para o Brasil se orgulhar.


Fiel e audaz voluntário,


intrépido nas decisões,


o guerreiro ardoroso não teme,


cumpre sempre as suas missões.



II


No campo ardil da batalha,


o infante empunha o fuzil,


carrega no peito estandarte, glória do nosso Brasil.


Deixou para nós o legado


repleto de fé e ações


do soldado até o comandante,


somos todos fiéis guardiões.



Estribilho


A Pátria enaltece


seu bravo tão querido,


sargento Max Wolff Filho,


valoroso e aguerrido!



IGUEIREDO, Denir; TONIOLO, Marcos Cesar. Canção Sargento Max Wolff Filho. 2021. Disponível em: https://www.sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/08_departamento_de_educacao_e_cultura_ do_exercito/port_n_135_decex_18maio2022.html. Acesso em: 07OUT2024.

Após a leitura da canção (Texto IV), observa-se que a letra tem como estratégia:
Alternativas
Q3664093 Português
Medicina esportiva: benefícios para profissionais do esporte e atletas de fim de semana

    Você pode até não ser um atleta profissional, mas se dá algumas pedaladas no fim de semana, corre poucos quilômetros pela manhã ou joga uma pelada com os amigos pelo menos uma vez por semana, você pode se beneficiar da medicina esportiva. Vale saber: 


Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: <https://www.hcor.com.br/hcor-explica/ortopedia/medicina-esportiva/>. Acesso em: 2 set. 2025, com adaptações.


De acordo com os dados do infográfico, o número de pessoas com 15 anos ou mais que praticam algum tipo de esporte ou atividade física é 
Alternativas
Q3664092 Português
Texto para responder à questão.


OMS aumenta para 300 minutos a recomendação de atividade física semanal


         Um ano atípico gera mudanças nas rotinas. Em 2020, com o fechamento e redução de capacidade das academias e centros de treinamento, muitas pessoas deixaram de realizar atividades físicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada quatro adultos e quatro em cada cinco adolescentes no mundo não realizam exercícios físicos suficientes para manter uma vida ativa e saudável.

       Em novas diretrizes, a OMS aumentou a recomendação do tempo desejável de atividades físicas: 300 minutos semanais de exercícios moderados para adultos, e, em média, 60 minutos por dia para crianças e adolescentes. A mudança expõe a preocupação da Organização com o sedentarismo que mata até 5 milhões de pessoas todos os anos.

      Em entrevista, o diretor de Promoção da Saúde da OMS, Ruediger Krech, alertou para o risco da falta de atividades físicas da população em geral. “Se não nos mantivermos ativos, temos o risco de criar uma nova pandemia de problemas de saúde como resultado do comportamento sedentário.” 


Disponível em: <https://fiochpe.org.br/oms-aumenta-para-300-minutos-a-recomendacao-de-atividade-fisica-semanal/ >.
Acesso em: 26 ago. 2025.
De acordo com as novas diretrizes da OMS citadas no texto, o tempo desejável de atividades físicas
Alternativas
Q3664080 Português
Texto para responder à questão.


Capoeira


     A Capoeira é uma arte marcial que foi amplamente difundida no Brasil a partir do século XX. Além de ser uma atividade esportiva divertida para todas as idades, ela traz consigo uma parte incrível da história brasileira. Os escravos africanos inventaram a capoeira no início do século XVI, em combinação com influências brasileiras. Eles fingiam que essa arte marcial era uma dança para enganar os senhores de escravos que não queriam vê-los lutando. Esse elemento cultural acompanha o esporte até hoje, ajudando-o a se popularizar e a se espalhar por lugares como Europa, Ásia, Austrália, EUA e Canadá.


Disponível em: <https://ofolhetimcultural.com.br/conheca-alguns-esportes-que-foram-criados-no-brasil/>.
Acesso em: 2 set. 2025, com adaptações.
De acordo com o texto, os escravos africanos disfarçavam a capoeira como uma dança para
Alternativas
Q3664079 Português
Texto para responder à questão.


   “Menino, menino”, a voz do pai chamou pela casa antes do sol nascer.

    Era um convite para o despertar.

   Os irmãos mais velhos já estavam de pé. Mas Julim, que dormia em sua rede, queria era ficar um pouco mais no seu sonho.

   O pai tentava de novo, “Menino, menino, levanta!”. E aquela voz se misturava à bagunça do seu sono.

   Os sons viravam ruído de bichos e de natureza, rumor de vento e cheiro de chuva.

   “Menino, menino”, escutava outra vez. Então Julim se levantou da rede.

   Uma chama de luz do candeeiro iluminava o breu antes dos pássaros se levantarem em alvoroço, antes do galo anunciar que o dia ia raiar.

   Enquanto o sol coloria o horizonte, homens, mulheres e crianças se movimentavam para os campos de arroz.

   “É bom que tragam as crianças”, dizia o chefe aos trabalhadores. “As crianças correm pelos campos e as pragas, assustadas, vão embora.”

   Julim pensava que as pragas deviam ser terríveis.

   As crianças corriam pelo arrozal com caniços e galhos secos. Quem os visse rindo e gritando, diria que era mais uma brincadeira.

   Mas a aparência de diversão se desfazia quando o pai falava: “Meninos, meninos, não deixem o chupim levar o arroz, meninos”.

   “Então a praga é o chupim? Mas que mal pode fazer um passarinho?”, pensou Julim.

   Ele balançava o seu galho bem devagarinho para não os assustar.

   O menino tinha aprendido a amar os passarinhos. Com tanto arroz nos campos, alguns grãos não fariam falta. Afinal, eles eram tão pequeninos...


VIEIRA JUNIOR, Itamar. Chupim. São Paulo: Baião, 2024.
A partir da leitura do texto, assinale a alternativa que apresenta a principal razão para o pai de Julim e o chefe do campo quererem as crianças na plantação.
Alternativas
Q3664077 Português
Texto para responder à questão.


   “Menino, menino”, a voz do pai chamou pela casa antes do sol nascer.

    Era um convite para o despertar.

   Os irmãos mais velhos já estavam de pé. Mas Julim, que dormia em sua rede, queria era ficar um pouco mais no seu sonho.

   O pai tentava de novo, “Menino, menino, levanta!”. E aquela voz se misturava à bagunça do seu sono.

   Os sons viravam ruído de bichos e de natureza, rumor de vento e cheiro de chuva.

   “Menino, menino”, escutava outra vez. Então Julim se levantou da rede.

   Uma chama de luz do candeeiro iluminava o breu antes dos pássaros se levantarem em alvoroço, antes do galo anunciar que o dia ia raiar.

   Enquanto o sol coloria o horizonte, homens, mulheres e crianças se movimentavam para os campos de arroz.

   “É bom que tragam as crianças”, dizia o chefe aos trabalhadores. “As crianças correm pelos campos e as pragas, assustadas, vão embora.”

   Julim pensava que as pragas deviam ser terríveis.

   As crianças corriam pelo arrozal com caniços e galhos secos. Quem os visse rindo e gritando, diria que era mais uma brincadeira.

   Mas a aparência de diversão se desfazia quando o pai falava: “Meninos, meninos, não deixem o chupim levar o arroz, meninos”.

   “Então a praga é o chupim? Mas que mal pode fazer um passarinho?”, pensou Julim.

   Ele balançava o seu galho bem devagarinho para não os assustar.

   O menino tinha aprendido a amar os passarinhos. Com tanto arroz nos campos, alguns grãos não fariam falta. Afinal, eles eram tão pequeninos...


VIEIRA JUNIOR, Itamar. Chupim. São Paulo: Baião, 2024.
A frase “É bom que tragam as crianças” é um exemplo de discurso
Alternativas
Q3664076 Português
Texto para responder à questão.


   “Menino, menino”, a voz do pai chamou pela casa antes do sol nascer.

    Era um convite para o despertar.

   Os irmãos mais velhos já estavam de pé. Mas Julim, que dormia em sua rede, queria era ficar um pouco mais no seu sonho.

   O pai tentava de novo, “Menino, menino, levanta!”. E aquela voz se misturava à bagunça do seu sono.

   Os sons viravam ruído de bichos e de natureza, rumor de vento e cheiro de chuva.

   “Menino, menino”, escutava outra vez. Então Julim se levantou da rede.

   Uma chama de luz do candeeiro iluminava o breu antes dos pássaros se levantarem em alvoroço, antes do galo anunciar que o dia ia raiar.

   Enquanto o sol coloria o horizonte, homens, mulheres e crianças se movimentavam para os campos de arroz.

   “É bom que tragam as crianças”, dizia o chefe aos trabalhadores. “As crianças correm pelos campos e as pragas, assustadas, vão embora.”

   Julim pensava que as pragas deviam ser terríveis.

   As crianças corriam pelo arrozal com caniços e galhos secos. Quem os visse rindo e gritando, diria que era mais uma brincadeira.

   Mas a aparência de diversão se desfazia quando o pai falava: “Meninos, meninos, não deixem o chupim levar o arroz, meninos”.

   “Então a praga é o chupim? Mas que mal pode fazer um passarinho?”, pensou Julim.

   Ele balançava o seu galho bem devagarinho para não os assustar.

   O menino tinha aprendido a amar os passarinhos. Com tanto arroz nos campos, alguns grãos não fariam falta. Afinal, eles eram tão pequeninos...


VIEIRA JUNIOR, Itamar. Chupim. São Paulo: Baião, 2024.
Assinale a alternativa que contém a principal característica psicológica de Julim.
Alternativas
Q3664075 Português
Texto para responder à questão.


   “Menino, menino”, a voz do pai chamou pela casa antes do sol nascer.

    Era um convite para o despertar.

   Os irmãos mais velhos já estavam de pé. Mas Julim, que dormia em sua rede, queria era ficar um pouco mais no seu sonho.

   O pai tentava de novo, “Menino, menino, levanta!”. E aquela voz se misturava à bagunça do seu sono.

   Os sons viravam ruído de bichos e de natureza, rumor de vento e cheiro de chuva.

   “Menino, menino”, escutava outra vez. Então Julim se levantou da rede.

   Uma chama de luz do candeeiro iluminava o breu antes dos pássaros se levantarem em alvoroço, antes do galo anunciar que o dia ia raiar.

   Enquanto o sol coloria o horizonte, homens, mulheres e crianças se movimentavam para os campos de arroz.

   “É bom que tragam as crianças”, dizia o chefe aos trabalhadores. “As crianças correm pelos campos e as pragas, assustadas, vão embora.”

   Julim pensava que as pragas deviam ser terríveis.

   As crianças corriam pelo arrozal com caniços e galhos secos. Quem os visse rindo e gritando, diria que era mais uma brincadeira.

   Mas a aparência de diversão se desfazia quando o pai falava: “Meninos, meninos, não deixem o chupim levar o arroz, meninos”.

   “Então a praga é o chupim? Mas que mal pode fazer um passarinho?”, pensou Julim.

   Ele balançava o seu galho bem devagarinho para não os assustar.

   O menino tinha aprendido a amar os passarinhos. Com tanto arroz nos campos, alguns grãos não fariam falta. Afinal, eles eram tão pequeninos...


VIEIRA JUNIOR, Itamar. Chupim. São Paulo: Baião, 2024.
O foco narrativo do texto é em terceira pessoa. Assinale a alternativa que apresenta uma explicação para essa afirmação.
Alternativas
Q3663873 Português
Texto para responder à questão.


       Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que tinha quando era garoto. Outra coisa: acabo de procurar no dicionário, pela primeira vez, o significado da palavra "gude".

      Quando era garoto nunca pensei nisso, eu sabia o que era gude. Gude era gude.

    Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. História Estranha. In: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
A repetição da frase “Hoje não sei mais” é um recurso utilizado pelo autor para indicar o caráter 
Alternativas
Q3663872 Português
Texto para responder à questão.


       Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que tinha quando era garoto. Outra coisa: acabo de procurar no dicionário, pela primeira vez, o significado da palavra "gude".

      Quando era garoto nunca pensei nisso, eu sabia o que era gude. Gude era gude.

    Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. História Estranha. In: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
Considerando que a narrativa é contada sob o ponto de vista de um narrador que relata suas próprias experiências, é correto afirmar que o principal tipo de discurso utilizado no texto é o discurso
Alternativas
Q3663871 Português
Texto para responder à questão.


       Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que tinha quando era garoto. Outra coisa: acabo de procurar no dicionário, pela primeira vez, o significado da palavra "gude".

      Quando era garoto nunca pensei nisso, eu sabia o que era gude. Gude era gude.

    Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. História Estranha. In: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
O tema principal da história narrada no texto de Luis Fernando Veríssimo é
Alternativas
Q3663870 Português
Texto para responder à questão.


       Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que tinha quando era garoto. Outra coisa: acabo de procurar no dicionário, pela primeira vez, o significado da palavra "gude".

      Quando era garoto nunca pensei nisso, eu sabia o que era gude. Gude era gude.

    Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. História Estranha. In: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
O texto de Luis Fernando Veríssimo conta a história de um adulto que relembra brincadeiras que fazia na infância. O primeiro período do texto permite inferir essa informação, mas não garante que seja precisa. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta o momento da narrativa que reforça essa ideia e possibilita ao leitor o claro entendimento de que o narrador é um adulto relembrando a infância.
Alternativas
Q3614937 Português
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

     Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

     O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

    Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

    E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

   Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Leia os seguintes versos do poema “Evocação do Recife”, de Manuel Bandeira e responda o que se pede:

Me lembro de todos os pregões:
   Ovos frescos e baratos
   Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo…
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil […]

Nesse poema, evidencia-se a consolidação da seguinte proposta da primeira geração do Modernismo brasileiro:
Alternativas
Q3614936 Português
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

     Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

     O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

    Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

    E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

   Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Releia o seguinte parágrafo do texto:

     Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

Podemos depreender que o comentário de Abel baseia-se na seguinte característica de Machado de Assis:
Alternativas
Q3614932 Português
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

     Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

     O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

    Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

    E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

   Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Em “Eu, ma… materialista? Absolutamente.”, de acordo com o contexto, o vocábulo sublinhado significa:
Alternativas
Respostas
221: C
222: E
223: C
224: D
225: B
226: B
227: A
228: B
229: D
230: B
231: A
232: A
233: D
234: D
235: D
236: B
237: A
238: B
239: E
240: B