Questões Militares Sobre crase em português

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Q3898361 Português
Alucinações musicais


    Às vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e se torna, por assim dizer, patológica, como quando determinado fragmento de uma música se repete incessantemente por dias a fio e às vezes nos irrita. Essas repetições, em geral uma frase ou tema breve e bem definido de três ou quatro compassos, tendem a continuar por horas ou dias, circulando na mente, antes de desaparecer pouco a pouco. Essa repetição interminável e o fato de que a música em questão pode ser banal ou sem graça, não nos agradar ou até mesmo ser abominável, indica um processo coercivo: a música entrou e subverteu uma parte do cérebro, forçando-o a disparar de maneira repetitiva e autônoma (como pode ocorrer com um tique ou uma convulsão). Vem daí o termo em inglês earworms (algo como “vermes de ouvido”).

    Obviamente, na própria música existem tendências inerentes à reiteração. Nossos poemas, baladas e canções são ricos em repetições. Cada obra de música clássica possui suas marcas para indicar as repetições ou variações sobre um tema, e os nossos maiores compositores são mestres da repetição; as rimas infantis e as cantigas que ensinamos às crianças pequenas têm coros e refrões. Somos atraídos pela repetição, mesmo quando adultos; queremos o estímulo e a recompensa várias vezes, e a música nos dá.

    Embora sem dúvida existam earworms desde que nossos antepassados pela primeira vez tocaram notas em flautas de osso ou tamborilaram em troncos caídos, é significativo que o termo só tenha entrado para o uso comum em décadas recentes. Quando Mark Twain escrevia sobre o assunto nos anos 1870, havia bastante música para se ouvir, mas ela não era onipresente. Para ouvir música instrumental, quem não possuía piano ou outro instrumento em casa tinha de ir à igreja ou a um concerto. Tudo isso mudou radicalmente com o advento das gravações, das transmissões radiofônicas e dos filmes. De repente, a música passou a estar por toda parte, e a magnitude dessa disponibilidade multiplicou-se muitas vezes nas duas últimas décadas. Hoje estamos cercados por um incessante bombardeio musical, queiramos ou não.

    Metade de nós vive plugada em iPods, 24 horas imersa em concertos com repertório da própria escolha, praticamente alheia ao ambiente. E para quem não está plugado há a música incessante, inevitável e muitas vezes ensurdecedora nos restaurantes, bares, lojas e academias. Essa barragem musical gera certa tensão em nosso sistema auditivo primorosamente sensível, o qual não pode ser sobrecarregado sem temíveis consequências. Uma delas é a grave perda de audição encontrada em parcelas cada vez maiores da população, mesmo entre os jovens e particularmente entre os músicos. Outra são as irritantes músicas que não saem da cabeça, que chegam sem ser chamadas e só vão embora quando bem entendem. Podem não passar de anúncios de creme dental, mas neurologicamente são irresistíveis.


(Oliver Sacks, Alucinações musicais: relatos sobre a música e o cérebro. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Q3956142 Português
Assinale abaixo o único dos enunciados em que o emprego ou não do sinal indicativo de crase está correto.
Alternativas
Q3810998 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir.


A vida imaginária


       Uma das vantagens de envelhecer – existem algumas sim, sabiam, jovens? – é poder botar em prática aquilo que os orientais chamam de “desiludir-se”, no sentido real da palavra. Embora o termo tenha ganhado um sentido negativo, desiludir-se não é ruim; na verdade faz um bem danado. Assentamo-nos calmamente, tomamos um gole de água fresca e começamos a jogar fora as ilusões: conceitos ultrapassados e preconceitos, lembranças, modos repetidos de agir, mágoas, besteiras inúteis, sucatas antigas e tranqueiras gerais. De quebra, temos a chance de esvaziar a mochila carregada com as pedras do caminho, onde tropeçamos e estropiamos os dedões do pé. Como recompensa, vamos ficando mais leves, mais tolerantes com os outros e com nós mesmos; menos chatos, dogmáticos e implicantes.

        Felizmente, por uma gentileza do destino, tive a sorte de ir esvaziando a minha mochila, assim como fizeram outros amigos hoje denominados sexagenários, com os quais vou trocando impressões sobre a riqueza desse ritual típico do outono da vida. Porém, não somos todos afortunados. Com pesar, vejo que existem os que fazem o contrário: não só mantem a mochila abarrotada de velhas pedras pontiagudas como também colecionam novos cascalhos pela estrada. De posse desses pedregulhos constroem fortalezas sombrias dentro das quais se escondem, emburrados e agarrados aos seus frágeis tesouros, a maldizer o mundo. No alto, sobre a ponte levadiça e o fosso dos crocodilos, uma placa enferrujada identifica o jeitão do morador: “Cuidado! Dono bravo!”.

       Percebo que a TV e sobretudo a publicidade são grandes culpadas pelo fornecimento maciço de pedras, tijolos e cimento para a construção daquilo que chamam levianamente de “felicidade”. O castelo fascinante da eterna juventude, por exemplo, anda muito em moda – seja no Instagram ou nas academias. Nada contra uma vida saudável na primeira, segunda e terceira idade, pelo contrário – desde que isso não vire uma obsessão. Vamos fazendo ginástica, alimentando-nos bem, livrando-nos dos estresses inúteis – porém aceitando o inexorável escorrer da areia na ampulheta do deus Cronos, aquele senhor compenetrado que nos lembra que, um belo dia, a coisa acaba mesmo.

      Seriam cômicas se não fossem capciosas as milhares de mensagens que tentam nos empurrar conceitos do tipo “viver é isso” e “isso não é viver” – apenas para vender bugigangas. Com qual autoridade invadem os subconscientes da galera divulgando, impunes, tantas asneiras? Para ser “feliz” depois de velho devo obrigatoriamente possuir um off-road 4X4, trilhar despenhadeiros na Califórnia ou descer as corredeiras de um rio turbulento ao som de música histérica, parado no tempo com a aparência jovial dos 30 anos e sempre a sorrir como um idiota? É muita sacanagem o que andam fazendo com os pobres e incautos telespectadores.

       A tal vida imaginária é mesmo uma pedra pesada na mochila. Ou pior: no sapato. Dura até quando saímos da frente da TV, tomamos coragem, nos livramos dela e pisamos no chão da vida real. Que alívio.


Texto Adaptado

FABBRINI, Fernando. A vida imaginária. O TEMPO, Belo Horizonte, 7 ago. 2025. Opinião.
Disponível em: https://www.otempo.com.br/. Acesso em: 1° set. 2025.
No trecho “Felizmente, por uma gentileza do destino, tive a sorte de ir esvaziando a minha mochila, assim como fizeram outros amigos hoje denominados sexagenários, com os quais vou trocando impressões sobre a riqueza desse ritual típico do outono da vida”, há três ocorrências do vocábulo “a”. Assinale a alternativa que explica corretamente a ausência do acento indicativo de crase em cada caso.
Alternativas
Q3774085 Português
Considere a frase:

Devido  facilidade de acessar as plataformas online, vem crescendo o número de brasileiros expostos  atividades como as apostas, que são prejudiciais  saúde mental.

Assinale a alternativa que preenche, respectivamente, as lacunas, de acordo com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Marinha Órgão: CFN Prova: Marinha - 2025 - CFN - Soldado |
Q3743284 Português
Texto 3

O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

[Refrão]
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

[Verso]
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Cartola
“Vai reduzir as ilusões a pó”.

Com base no exemplo acima, acerca da correta utilização da crase, e dadas as proposições abaixo, marque a opção que preenche corretamente as lacunas:
Joana foi __ igreja ontem. __ partir de amanhã, começarei a trabalhar.
A lanchonete abre ___ 10h. Eles ficaram face ___ face.
Ela gostava de ir __ praia todas as manhãs.
Alternativas
Q3739764 Português
Leia o texto a seguir:


CONJUNTURA DA VIOLÊNCIA NO BRASIL


    Entre 2022 e 2023, houve redução de 2,3% na taxa de homicídio por 100 mil habitantes no país. Com isso, o Brasil atingiu o índice de 21,2, o menor dos últimos 11 anos. Em 2023, 45.747 pessoas perderam as vidas em face dos homicídios. Depois de uma estagnação nas taxas de homicídio entre 2019 e 2022, que estacionou no patamar de 21,7, voltamos timidamente à trajetória de queda iniciada em 2018 [...].

    Não obstante, uma pesquisa de opinião feita recentemente pela Genial/Quaest apontou que 29% dos entrevistados enxergavam a questão da criminalidade como o maior problema do Brasil. Essa proporção aumentou 19 pontos percentuais em pouco mais de um ano, uma vez que em dezembro de 2023, apenas 10% dos entrevistados citavam a violência. Essa aparente contradição entre a redução das taxas de homicídio e o aumento da percepção do crime e de insegurança como maior problema a ser enfrentado pode ser compreendida por duas razões. Em primeiro lugar, como há muito se sabe, a prevalência de crimes e a percepção de segurança não caminham necessariamente juntas. Existem inúmeros elementos que interferem nessa relação que, entre outras questões, passa pela intensidade de como os incidentes são tratados nas mídias e redes sociais, pela localização geoespacial dos conflitos e pela maneira como as pessoas se sentem expostas aos crimes praticados. 

    O segundo ponto diz respeito à mudança do padrão de criminalidade. Sobre esse aspecto, além da citada queda dos homicídios, em 2023 observou-se redução em quase todos os crimes contra o patrimônio praticados na rua, no comércio e nas residências, como apontado no 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Entretanto, o estelionato praticado em meios digitais aumentou de forma extraordinária nos últimos anos, alcançando quase dois milhões de registros de ocorrência, apenas em 2023, ou um golpe a cada 16 segundos. 

    A transformação digital da sociedade ao mesmo tempo em que ajuda a revelar os altos níveis de violência que permeiam as relações sociais (inclusive intrafamiliares e relacionadas ao ambiente escolar, como o cyberbullying), traz em seu bojo novas relações que potencializam o medo do crime. Esse é o caso do estelionato no rastro do furto ou roubo de celular, que pode ocasionar prejuízos significativos às vítimas, em valores muitas vezes superiores ao valor do aparelho subtraído.

    Em síntese, ao mesmo tempo em que houve redução de crimes violentos letais nos últimos anos – tendo o número de homicídios reduzido cerca de 30%, de 65.602, em 2017 para 45.747, em 2023 – vivenciamos um aumento da percepção de insegurança.


Fonte: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/05/atlasviolencia-2025.pdf. Acesso em 03/09/2025. Excerto.
“[...] voltamos timidamente à trajetória de queda iniciada em 2018” (1º parágrafo). Se a palavra em destaque fosse substituída por “processo”, a reescrita desse trecho, à luz da norma-padrão, seria: 
Alternativas
Q3735515 Português
Leia o texto e responda à questão que o segue.


A MÁQUINA EXTRAVIADA

José J. Veiga


   Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso Ihe contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui uma máquina imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que ela chegou, não me lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas, quase não temos falado em outra coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de admirar que ninguém tenha brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos.

    A máquina chegou uma tarde, quando as famílias estavam jantando ou acabando de jantar, e foi descarregada na frente da Prefeitura. Com os gritos dos choferes e seus ajudantes (a máquina veio em dois ou três caminhões) muita gente cancelou a sobremesa ou o café e foi ver que algazarra era aquela. Como geralmente acontece nessas ocasiões, os homens estavam malhumorados e não quiseram dar explicações, esbarravam propositalmente nos curiosos, pisavam-lhes os pés e não pediam desculpa, jogavam pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho.

   Descarregadas as várias partes da máquina, foram elas cobertas com encerados e os homens entraram num botequim do largo para comer e beber. Muita gente se amontoöu na porta, mas ninguém teve coragem de se aproximar dos estranhos porque um deles, percebendo essa intenção nos curiosos, de vez em quando enchia a boca de cerveja e esguichava na direção da porta. Atribuimos essa esquiva ao cansaço e à fome deles e deixamos as tentativas de aproximação para o dia seguinte; mas quando os procuramos de manhă cedo na pensão, soubemos que eles tinham montado mais ou menos a máquina durante a noite e viajado de madrugada.

   A máquina ficou ao relento, sem que ninguém soubesse quem a encomendara nem para que servia. É claro que cada qual dava o seu palpite, e cada palpite era tão bom quanto outro.

  As crianças, que não são de respeitar mistério, como você sabe, trataram de aproveitar a novidade. Sem pedir licença a ninguém (e a quem iam pedir?), retiraram a lona e foram subindo em bando pela máquina acima, até hoje ainda sobem, brincam de esconder entre os cilindros e colunas, embaraçam-se nos dentes das engrenagens e fazem um berreiro dos diabos até que apareça alguém para soltá-las; não adiantam ralhos, castigos, pancadas; as crianças simplesmente se apaixonaram pela tal máquina.

    Contrariando a opinião de certas pessoas que não quiseram se entusiasmar, e garantiram que em poucos dias a novidade passaria e a ferrugem tomaria conta do metal, o interesse do povo ainda não diminuiu. Ninguém passa pelo largo sem ainda parar diante da máquina, e de cada vez há um detalhe novo a notar. Até as velhinhas de igreja, que passam de madrugada e de noitinha, tossindo e rezando, viram o rosto para o lado da máquina e fazem uma curvatura discreta, só faltam se benzer. Homens abrutalhados, como aquele Clodoaldo seu conhecido, que se exibe derrubando boi pelos chifres no pátio do mercado, tratam a máquina com respeito; se um ou outro agarra uma alavanca e sacode com força, ou larga um pontapé numa das colunas, vê-se logo que são bravatas feitas por honra da firma, para manter fama de corajoso.

   Ninguém sabe mesmo quem encomendou a máquina. O prefeito jura que não foi ele, e diz que consultou o arquivo e nele não encontrou nenhum documento autorizando a transação. Mas mesmo assim não quis lavar as mãos, e de certa forma encampou a compra quando designou um funcionário para zelar pela máquina.

   Devemos reconhecer - aliás todos reconhecem - que esse funcionário tem dado boa conta do recado. A qualquer hora do dia, e às vezes também da noite, podemos vê-lo trepado lá por cima espanando cada vão, cada engrenagem, desaparecendo aqui para reaparecer ali, assoviando ou cantando, ativo e incansável. Duas vezes por semana ele aplica caol nas partes de metal dourado, esfrega, esfrega, sua, descansa, esfrega de novo - e a máquina fica faiscando como joia.

    Estamos tão habituados com a presença da máquina ali no largo, que se um dia ela desabasse, ou se alguém de outra cidade viesse buscá-la, provando com documentos que tinha direito, eu nem sei o que aconteceria, nem quero pensar. Ela é o nosso orgulho, e não pense que exagero. Ainda não sabemos para que ela serve, mas isso já não tem maior importância. Fique sabendo que temos recebido delegações de outras cidades, do Estado e de fora, que vêm aqui para ver se conseguem comprá-la. Chegam como quem não quer nada, visitam o prefeito, elogiam a cidade, rodeiam, negaceiam, abrem o jogo: por quanto cederíamos a máquina. Felizmente o prefeito é de confiança e é esperto, não cai na conversa macia.

   Em todas as datas cívicas a máquina é agora uma parte importante das festividades. Você se lembra que antigamente os feriados eram comemorados no coreto ou no campo de futebol, mas hoje tudo se passa ao pé da máquina. Em tempo de eleição todos os candidatos querem fazer seus comícios à sombra dela, e como isso não é possível, alguém tem de sobrar, nem todos se conformam e sempre surgem conflitos. Mas felizmente a máquina ainda não foi danificada nesses esparramos, e espero que não seja.

   A única pessoa que ainda não rendeu homenagem à máquina é o vigário, mas você sabe como ele é ranzinza, e hoje mais ainda, com a idade. Em todo caso, ainda não tentou nada contra ela, e ai dele. Enquanto ficar nas censuras veladas, vamos tolerando; é um direito que ele tem. Sei que ele andou falando em castigo, mas ninguém se impressionou.

   Até agora o único acidente de certa gravidade que tivemos foi quando um caixeiro da loja do velho Adudes (aquele velhinho espigado que passa brilhantina no bigode, se lembra?) prendeu a perna numa engrenagem da máquina, isso por culpa dele mesmo. O rapaz andou bebendo em uma serenata, e em vez de ir para casa achou de dormir em cima da máquina. Não se sabe como, ele subiu à plataforma mais alta, de madrugada rolou de lá, caiu em cima de uma engrenagem e com o peso acionou as rodas. Os gritos acordaram a cidade, correu gente para verificar a causa, foi preciso arranjar uns barrotes e labancas para desandar as rodas que estavam mordendo a perna do rapaz. Também dessa vez a máquina nada sofreu, felizmente. Sem a perna e sem o emprego, o imprudente rapaz ajuda na conservação da máquina, cuidando das partes mais baixas.

    Já existe aqui um movimento para declarar a máquina monumento municipal - por enquanto. O vigário, como sempre, está contra; quer saber a que seria dedicado o monumento. Você já viu que homem mais azedo?

    Dizem que a máquina já tem feito até milagre, mas isso - aqui para nós - eu acho que é exagero de gente supersticiosa, e prefiro não ficar falando no assunto. Eu - e creio que também a grande maioria dos munícipes - não espero dela nada em particular; para mim basta que ela fique onde está, nos alegrando, nos inspirando, nos consolando.

   O meu receio é que, quando menos esperarmos, desembarque aqui um moço de fora, desses despachados, que entendem de tudo, olhe a máquina por fora, por dentro, pense um pouco e comece a explicar a finalidade da máquina, e para mostrar que é habilidoso (eles são sempre muito habilidosos) peça na garagem um jogo de ferramentas, e sem ligar a nossos protestos se meta por baixo da máquina e desande a apertar, martelar, engatar, e a máquina comece a trabalhar. Se isso acontecer, estará quebrado o encanto e não existirá mais máquina. 


(VEIGA, José J. A Máquina Extraviada. 10ª ed. Rio: Bertrand Brasil, 1997. Texto adaptado.)
Assinale a opção em que o sinal indicativo de crase pode ser suprimido, mantendo a coesão textual e o respeito norma padrão da língua.
Alternativas
Q3614928 Português
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

     Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

     O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

    Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

    E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

   Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Assinale a alternativa em que a explicação corresponde ao exemplo quanto às regras do uso do acento grave:
Alternativas
Q3537720 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:


A praça do poeta (1989)


    Itapuã é um lugar da Bahia, feito de coqueiros, areia, moça morena e saudade. Dali, saem os pescadores de curimã, afoitos guerreiros do mar, heróis e mártires dos temporais. Ali, celebra-se uma das mais belas festas. Iemanjá, senhora de todos os praieiros e de todos os marítimos.

    A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça – gente sisuda e triste – marcada de doenças, subnutrição e desilusões. Nos tempos eleitorais, os políticos vão para lá, instalam postos de saúde, iluminação, retrato, fazem discursos e sacam contra o futuro, contando histórias de dinheiro, saúde e felicidade. Eleitos, saem de mansinho, e os ingênuos praieiros que conquistem, na incerta generosidade do mar, comida, remédio e dignidade.

    Fartos da música, dos discursos e das palavras sem verdade, os pescadores se apegam a todas as lendas e crendices do mar, o caminho mais fácil que eles encontram até Deus. É por isso que, nas praias da Bahia, vivem as rezas, os cultos, as celebrações mais ricas e numerosas do folclore praieiro.



(Antônio Maria. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/ cronicas/13375/a-praca-do-poeta. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o trecho do texto foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537262 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
Na passagem “limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão” (2º§), registram-se duas ocorrências da preposição “a”. No entanto, ocorre crase em apenas uma delas. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa que apresenta um comentário correto.
Alternativas
Q3517275 Português
Texto 1 


Dinossauro na internet


Walcyr Carrasco


    Sempre me orgulhei: fui o primeiro de meus amigos a possuir computador pessoal. Haja tempo! Aconteceu há cerca de duas décadas. À máquina era um trambolho com programas complicados. E lentíssima! Nas redações de revistas e jornais usava-se máquina de escrever. Orgulhoso, eu me considerava adaptado aos novos tempos cibernéticos. Os programas para digitar textos foram se tornando mais fáceis. Ainda me considerava uma sumidade em tecnologia, até ver um garotinho de 8 anos baixar programas de celular. Que vergonha! Eu sou do tipo que quase consegue baixar um programa. Mas no último segundo vem uma pergunta a que não sei responder. Uma vez o celular travou. Muitas, o proprio computador. Mas o menininho teclava como se não tivesse feito outra coisa na vida.

    Tudo está se tornando complicado demais. Eu me confundo até com o controle remoto da televisdo e do DVD. Não é brincadeira: se coloco um filme, vem a imagem, mas não o som. Ou consigo ouvir os diálogos, mas a tela fica preta. No carro, quase enlouqueço se alguém tira da minha estação predileta. Escapei de bater tentando captar musica cléssica. Já consigo falar no meu celular, mandar torpedos e fotografar. Só me atrapalho para achar um endereço no Google em menos de dez minutos! 

    Entrei com cautela no universo das redes de relacionamento. Logo fiquei fascinado. Há alguns anos era louco pelo Orkut. Criei um grupo de amigos. Todas as noites nos encontrávamos virtualmente. A relação se tornou tão próxima que certa vez convidei dez amigos virtuais para jantar em casa. De sobremesa, servi bolo com uma miniatura de mim mesmo e morcegos de glacê - como só entrava de madrugada, chamavam-me carinhosamente de Morcegão. Algumas dessas pessoas permanecem na minha vida até hoje. Do Orkut, eu me distanciei. Não fui o único. Passei a ouvir com frequência o termo "orkuticidio". Isso acontece quando a pessoa elimina sua página e abandona seus contatos. Isso eu não cheguei a fazer. Já não entro todos os dias.

    Surgiram novos sites de relacionamento, com mais ferramentas, como o Facebook e o Twitter. O Orkut reagiu: transformou-se, abrindo novas possibilidades de interação. Imagino os milhões de dólares gastos para reprogramar o site. Tentei, mas não consegui me adaptar ao novo Orkut. Voltei ao antigo. Muita gente que conheço fez o mesmo. Ou abandonou de vez. "Ficou muito complicado"- foi a frase que mais ouvi. Embora, na prática, seu nível de dificuldade tenha se tornado semelhante ao do Facebook, para onde essas pessoas migraram. E o Second Life? Foi uma febre! Havia até disputa para "comprar" avenidas, anunciar nas ruas do universo virtual. Imagino que muita gente ainda se divirta com ele, mas não conheço ninguém.

    Agora o Twitter lançou uma nova versão. Tentei incorporá-la. Duas horas depois, irritado, voltei à anterior. Muitas pessoas que me seguem também não se adaptaram. Melhor dizendo: assustam-se somente os mais velhos. Crianças e jovens adaptam-se facilmente. A cada complicação, eu me sinto mais excluído. "Ah, eu não sabia" tornou-se uma frase comum no meu vocabulário. Sou louco pela internet. Como não ficar para trás? Daqui a pouco vou ter de tomar aulas para entender as novidades! Talvez meu "professor" tenha 8 ou 9 anos de idade! É um mistério: como crianças que mal sabem ler e escrever são capazes de entender programas complexos? E uma nova evolução da espécie, que desembarca no mundo com cérebro cibernético? E eu, sou um dinossauro em extinção?


Disponivel em: <<https://vejasp.abril.com.br/cidades/dinossaurona-internet>>. Acesso em: 18 de outubro de 2024.

O trecho "(...) voltei à anterior." 5° § foi corretamente grafado. Assim, quanto ao sinal indicativo de crase, assinale a opção em que o termo sublinhado está correto.
Alternativas
Q3517255 Português
Texto 1 


Dinossauro na internet


Walcyr Carrasco


    Sempre me orgulhei: fui o primeiro de meus amigos a possuir computador pessoal. Haja tempo! Aconteceu há cerca de duas décadas. À máquina era um trambolho com programas complicados. E lentíssima! Nas redações de revistas e jornais usava-se máquina de escrever. Orgulhoso, eu me considerava adaptado aos novos tempos cibernéticos. Os programas para digitar textos foram se tornando mais fáceis. Ainda me considerava uma sumidade em tecnologia, até ver um garotinho de 8 anos baixar programas de celular. Que vergonha! Eu sou do tipo que quase consegue baixar um programa. Mas no último segundo vem uma pergunta a que não sei responder. Uma vez o celular travou. Muitas, o proprio computador. Mas o menininho teclava como se não tivesse feito outra coisa na vida.

    Tudo está se tornando complicado demais. Eu me confundo até com o controle remoto da televisdo e do DVD. Não é brincadeira: se coloco um filme, vem a imagem, mas não o som. Ou consigo ouvir os diálogos, mas a tela fica preta. No carro, quase enlouqueço se alguém tira da minha estação predileta. Escapei de bater tentando captar musica cléssica. Já consigo falar no meu celular, mandar torpedos e fotografar. Só me atrapalho para achar um endereço no Google em menos de dez minutos! 

    Entrei com cautela no universo das redes de relacionamento. Logo fiquei fascinado. Há alguns anos era louco pelo Orkut. Criei um grupo de amigos. Todas as noites nos encontrávamos virtualmente. A relação se tornou tão próxima que certa vez convidei dez amigos virtuais para jantar em casa. De sobremesa, servi bolo com uma miniatura de mim mesmo e morcegos de glacê - como só entrava de madrugada, chamavam-me carinhosamente de Morcegão. Algumas dessas pessoas permanecem na minha vida até hoje. Do Orkut, eu me distanciei. Não fui o único. Passei a ouvir com frequência o termo "orkuticidio". Isso acontece quando a pessoa elimina sua página e abandona seus contatos. Isso eu não cheguei a fazer. Já não entro todos os dias.

    Surgiram novos sites de relacionamento, com mais ferramentas, como o Facebook e o Twitter. O Orkut reagiu: transformou-se, abrindo novas possibilidades de interação. Imagino os milhões de dólares gastos para reprogramar o site. Tentei, mas não consegui me adaptar ao novo Orkut. Voltei ao antigo. Muita gente que conheço fez o mesmo. Ou abandonou de vez. "Ficou muito complicado"- foi a frase que mais ouvi. Embora, na prática, seu nível de dificuldade tenha se tornado semelhante ao do Facebook, para onde essas pessoas migraram. E o Second Life? Foi uma febre! Havia até disputa para "comprar" avenidas, anunciar nas ruas do universo virtual. Imagino que muita gente ainda se divirta com ele, mas não conheço ninguém.

    Agora o Twitter lançou uma nova versão. Tentei incorporá-la. Duas horas depois, irritado, voltei à anterior. Muitas pessoas que me seguem também não se adaptaram. Melhor dizendo: assustam-se somente os mais velhos. Crianças e jovens adaptam-se facilmente. A cada complicação, eu me sinto mais excluído. "Ah, eu não sabia" tornou-se uma frase comum no meu vocabulário. Sou louco pela internet. Como não ficar para trás? Daqui a pouco vou ter de tomar aulas para entender as novidades! Talvez meu "professor" tenha 8 ou 9 anos de idade! É um mistério: como crianças que mal sabem ler e escrever são capazes de entender programas complexos? E uma nova evolução da espécie, que desembarca no mundo com cérebro cibernético? E eu, sou um dinossauro em extinção?


Disponivel em: <<https://vejasp.abril.com.br/cidades/dinossaurona-internet>>. Acesso em: 18 de outubro de 2024.

O trecho "Todas as noites nos encontrávamos virtualmente." 3° § não tem sinal indicativo de crase. Assim, quanto a esse sinal, assinale a opção em que o termo sublinhado também está corretamente grafado.
Alternativas
Q3516165 Português
Assinale  a  alternativa  em  que  o  acento  indicador  de  crase  foi utilizado incorretamente
Alternativas
Q3514917 Português
A alternativa em que a expressão entre parênteses substitui os termos destacados, de acordo com a norma-padrão de emprego do sinal indicativo de crase, é:
Alternativas
Q3514079 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


     Alguns cuidados não custam nada. Corrija sua coluna. Tenha a postura ereta. Respire fundo, use toda a capacidade dos pulmões. Ande uma hora por dia. Beba litros de água diariamente. Cuide-se. Ame-se. Mais, muito mais do que a seu próximo. Nem todos têm a sorte de nascer deslumbrantes, com mãos e pés perfeitos etc. Mas temos a obrigação de mantê-los sempre bem cuidados. Para ser gentil com os outros, para com você mesma. Há paixões que acabam quando a gente vê o pé do namorado pela primeira vez. Ouviram, rapazes?


(Danuza Leão, Na sala com Danuza. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão, na passagem “Ame-se. Mais, muito mais do que a seu próximo.”, a preposição destacada deve ser substituída por “à” se a expressão “seu próximo” for substituída por:
Alternativas
Q3511080 Português
Leia o texto, para responder à questão.


    “Depósito”: o modo como uma casa de repouso para idosos é chamada em um novo livro de ficção pretende denunciar as incongruências de nossa relação com a velhice e com os idosos ao nosso redor. Em Jasmins, publicado pela editora Maralto, Claudia Nina retrata a dura relação entre a cuidadora Yasmin e a idosa Wanda, num momento da história em que o fenômeno da longevidade interpela a nossa atenção à população idosa.

    “Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas, seja para a realização de atividades básicas da vida diária e econômica ou emocionalmente, principalmente aqueles com déficits cognitivos ou limitações naturais do próprio envelhecimento”, explica a psicóloga Allana Moraes. “Por essas razões, lamentavelmente, o idoso também se encontra mais suscetível a ser vítima de violências nos mais variados âmbitos, seja familiar, institucional ou social”.

    De acordo com Allana, é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado como o espaço de maior incidência de abandono e maus-tratos acometidos contra o idoso, com episódios de violência psicológica, física, moral e patrimonial perpetrados por filhos ou cônjuges. Diversos fatores desempenham um papel nesse tipo de cenário, entre os quais o que pode ser chamado de transmissão transgeracional da violência e do abandono.

    “O fato de os idosos se transformarem em vítimas igualmente se relaciona às raízes familiares, à violência ou abandono por eles perpetrados no passado, assim como terem apresentado comportamentos disruptivos, agressividade e atitudes provocativas em relação aos familiares”, explica a psicóloga. “Portanto, para analisar os motivos que levam um familiar a agir com violência em relação a um idoso, há que se levar em conta não só características dos idosos ou da família, já que se trata de um fenômeno multideterminado e que deve ser analisado em sua complexidade”.

    Entre os fatores em jogo, há também aquilo que o gerontólogo Robert N. Butler chamou já em 1969 de “ageísmo” ou “idadismo”, ou seja, a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas. “Butler descreveu três aspectos deste tipo de preconceito: atitudes negativas em relação aos idosos, à velhice e ao processo de envelhecimento; práticas discriminatórias contra idosos; e práticas e políticas institucionais que perpetuam estereótipos e atitudes negativas sobre os idosos”, pontua Allana.

    A saúde dos vínculos afetivos entre o idoso e os seus cuidadores é um fator de proteção contra a violência muito significativo. Com a atenção à saúde mental dos profissionais cuidadores e com a proximidade da família, casas de repouso deixariam de ser “depósitos” e se tornariam pontos de apoio fundamentais em uma sociedade cada vez mais idosa.


(Disponível em: https://www.semprefamilia.com.br. Acesso em: 08.04.2025. Adaptado) 
A alternativa em que a expressão entre parênteses substitui os termos destacados, de acordo com a norma-padrão de emprego do sinal indicativo de crase, é:
Alternativas
Q3503328 Português
Assinale a frase em que há erro no emprego do acento grave indicativo da crase.
Alternativas
Q3479415 Português
TEXTO II

FRANKENSTEIN


Capítulo 1 – Narrativa de Victor Frankenstein, estudante de química, biologia, filosofia natural e anatomia 


Q5_10.png (356×541)
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(Adaptado de - SHELLEY, Mary. Frankenstein – uma história de Mary Shelley.Trad. Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 11-19). 
Considere as afirmativas abaixo e assinale a correta, em relação ao texto II.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Aeronáutica Órgão: CIAAR Provas: Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Anatomia Patológica | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Clínica Médica | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Anestesiologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Dermatologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cancerologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Endocrinologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Gastroenterologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cardiologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Geriatria | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Cardíaca | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Ginecologia e Obstetrícia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Geral | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Hematologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Pediátrica | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Plástica | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Torácica | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Hemoterapia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Vascular Periférica | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Infectologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Mastologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina de Família e Comunidade | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Reumatologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Radiologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Urologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina Do Trabalho | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina Intensiva | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina Nuclear | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Generalista | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Nefrologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Neurologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Oftalmologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Ortopedia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Otorrinolaringologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Pediatria | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Pediatria Neonatal | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Pneumologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Proctologia | Aeronáutica - 2025 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Psiquiatria |
Q3441859 Português
Preencha as lacunas e, em seguida, marque a opção correta.

Padecerá _______ coerção, _______ felicidade nunca há de terminar durante todo o tempo em que tu tiveres coragem para concluir _______ frustrações do cotidiano. Assim, situou-se disposto _______ deslocar-me e tenho de evitar empecilhos _______ que acreditam na humanidade.
Alternativas
Q3437324 Português

História do surgimento do Corpo de Bombeiros



Por André Gustavo Possi Scamardi e Luciana Mayumi Nanya



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(Disponível em: revistas.unilago.edu.br/index.php/revista-cientifica/article/view/538 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 17, 19 e 28. 
Alternativas
Respostas
1: D
2: D
3: D
4: A
5: A
6: A
7: E
8: B
9: D
10: E
11: D
12: E
13: B
14: E
15: D
16: D
17: D
18: C
19: C
20: D