Eu sentia falta do futuro. É claro que eu sabia, muito mesm...

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Q3159779 Português
Eu sentia falta do futuro. É claro que eu sabia, muito mesmo antes da recorrência dele, que nunca envelheceria. Era muito provável que eu nunca mais fosse ver o oceano de uma altura de trinta mil pés de novo, uma distância tão grande que não dá nem para distinguir as ondas, nem nenhum barco, de um jeito que faz o oceano parecer um enorme e infinito monólito. Eu poderia imaginá-lo. Eu poderia me lembrar dele. Mas não poderia vê-lo de novo, e me ocorreu que a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.

GREEN, J. A culpa é das estrelas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.

O texto apresenta uma reflexão da personagem acerca de um problema característico da filosofia contemporânea, que trata da(s)
Alternativas

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Comentário do Gabarito:

Tema central: A questão avalia sua habilidade de interpretação de textos, exigindo a identificação do tema central no fragmento apresentado.

Ao analisar o texto, percebe-se uma reflexão sobre a impossibilidade de vivenciar certas experiências novamente, além de uma angústia e consciência de que “nunca envelheceria” e de que “nunca mais fosse ver o oceano de uma altura de trinta mil pés de novo”. Esses sentimentos explicitam a limitação temporal da vida – ou seja, a finitude humana.

Por que a alternativa B é correta?

Pela norma-padrão e os princípios de interpretação textual (ver CUNHA & CINTRA, Nova Gramática do Português Contemporâneo), identificação do tema implica reconhecer a ideia principal. O texto gira em torno da impossibilidade de realizar desejos futuros devido à condição humana, demonstrando claramente a questão da finitude.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Implicações éticas: Não há discussão sobre certo, errado ou moralidade. O foco não é ético, mas existencial.
  • C) Limitações da linguagem: O texto não trata das dificuldades de expressão verbal, mas da experiência humana diante do tempo.
  • D) Pressuposição existencial: Ainda que trate da existência, o cerne está no limite da vida.
  • E) Objetividade do conhecimento: Não se discute construção do conhecimento ou sua objetividade.

Estratégia de resolução: Identifique sempre palavras-chave que remetam à ideia principal, como “não poderia vê-lo de novo”, “nunca envelheceria” e “sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor”. Evite distrair-se com termos sofisticados ou filosóficos que não se aplicam diretamente ao texto.

Lembre-se: boa interpretação exige foco no essencial e leitura atenta ao contexto (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).

Gabarito correto: B) finitude humana.

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Comentários

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A alternativa correta é:

✅ B) finitude humana.

Justificativa:

O trecho apresenta uma reflexão existencial da personagem sobre a impossibilidade de viver certas experiências novamente — o que expressa uma consciência da limitação da vida, da impossibilidade de continuidade, do caráter finito da existência humana.

A personagem reconhece que “nunca envelheceria”, ou seja, não teria um futuro prolongado — consciência direta da morte e da finitude.

A saudade do futuro (“eu sentia falta do futuro”) revela a dor diante da limitação temporal da vida, um tema central na filosofia contemporânea existencialista, como em Heidegger e Sartre.

As outras alternativas não se encaixam:

A) implicações éticas → não há discussão sobre certo ou errado, bem ou mal.

C) limitações da linguagem → o problema aqui é existencial, não linguístico.

D) pressuposição existencial → termo vago, sem relação direta com o conteúdo.

E) objetividade do conhecimento → não há análise epistemológica.

Portanto, o texto trata da finitude humana.

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