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Ano: 2007 Banca: COMPERVE - UFRN Órgão: UFRN Prova: COMPERVE - 2007 - UFRN - Vestibular - Segundo Dia |
Q1374363 História
As civilizações da Mesopotâmia e a do Egito desenvolveram-se em regiões semi-áridas, onde se construíram grandes obras hidráulicas. Em razão disso, a estrutura sociopolítica assumiu a forma de Estado, que passou a
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Alternativa correta: A

Tema central: a formação do Estado nas sociedades fluviais (Mesopotâmia e Egito) ligada ao controle das águas e à organização da produção agrícola. É recorrente em provas de História Geral: identificar como a necessidade de gerir irrigação e excedentes moldou estruturas políticas centralizadas.

Resumo teórico: em regiões semiáridas, a agricultura dependia de obras hidráulicas (diques, canais, reservatórios). Isso exigia coordenação coletiva, mão de obra organizada e administração contínua — funções que favoreceram o surgimento de um Estado burocrático capaz de planejar, fiscalizar e apropriar-se de parte dos excedentes para manter elites, templos e aparato administrativo.

Fontes: síntese baseada em estudos clássicos sobre civilizações fluviais — Encyclopaedia Britannica (entries “Mesopotamia”, “Ancient Egypt”); Peter N. Stearns, World Civilizations (cap. sobre sociedades hidráulicas).

Justificativa da alternativa A: descreve exatamente as funções estatais emergentes — organização da produção nas aldeias, controle de diques/canais e apropriação dos excedentes (tributos, impostos em grãos). Esse tripé explica por que o Estado foi a instituição dominante nessas regiões.

Análise das incorretas:

B — afirma propriedade comum e coletivismo. Errado: embora existissem formas coletivas (templos, propriedades reais), a característica marcante foi o controle estatal e a apropriação administrativa, não um comunismo igualitário.

C — diz que o Estado estimulou grandes latifúndios e escravidão individual como base econômica. Parcialmente impreciso: havia servidão e trabalho forçado, mas a economia centralizava recursos em templos e palácios; latifúndios extensivos e escravidão em massa são categorias mais tardias ou de outras regiões.

D — foca em artesanato e comércio com portos bem equipados. Embora comércio e artesanato existissem, não foram a diretriz que explicaria a formação do Estado nas sociedades hidráulicas; a prioridade era organizar a irrigação e a produção agrícola.

Estratégia para provas: ao ler enunciados sobre sociedades antigas, identifique palavras-chave (ex.: irrigação, excedente, obras hidráulicas). Elas indicam a relação entre economia e poder. Desconfie de alternativas que generalizam (sempre/comum) ou deslocam o foco (portos, latifúndios) sem vínculo com o elemento-chave do enunciado.

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organizar a produção comunitária das aldeias, controlar diques e canais de irrigação e apropriar-se dos excedentes produtivos.

A economia Mesopotâmica era baseada na agricultura, com a produção de trigo e cevada, também na criação de pequeno porte de animais como gado, cabras e aves.

O comércio era feito inicialmente através de trocas, utilizando boa parte da extensão territorial asiática, até mesmo fora da mesopotâmia. Com o tempo, temos o surgimento da moeda.

Construção e manutenção dos diques: dutos que cercavam as cidades com o objetivo de protege-las das cheias dos rios, e abastecer as plantações de trigo e cevada.

A alternativa correta é a A.

A Formação do Estado nas Civilizações Hidráulicas

Tanto a Mesopotâmia quanto o Egito Antigo são classicamente conhecidos como "sociedades hidráulicas". O desenvolvimento dessas civilizações em regiões semiáridas, dependentes dos rios (Tigre e Eufrates na Mesopotâmia, e Nilo no Egito), exigiu a construção e o gerenciamento de complexas obras de irrigação, como diques e canais. Essa necessidade levou a uma organização social e política particular.

Em razão disso, o Estado que emergiu nessas regiões passou a:

* Organizar a produção comunitária das aldeias: A coordenação para a construção e manutenção dos sistemas de irrigação era fundamental e extrapolava a capacidade de comunidades isoladas. O Estado centralizava essa organização.

* Controlar diques e canais de irrigação: O controle sobre a água era, e ainda é, uma fonte imensa de poder. O Estado garantia o acesso e a distribuição equitativa (ou hierárquica) da água, vital para a agricultura.

* Apropriar-se dos excedentes produtivos: A organização eficiente da produção agrícola, impulsionada pelas obras hidráulicas, gerava excedentes. O Estado, através de impostos e tributos, apropriava-se desses excedentes para sustentar a elite governante, os sacerdotes, os militares e para armazenar grãos em caso de secas ou inundações, consolidando seu poder.

As outras alternativas estão incorretas porque:

* B As comunidades não eram predominantemente coletivistas no sentido de propriedade comum da terra e dos canais sob o Estado. Havia, sim, trabalho coletivo, mas o controle e a apropriação dos excedentes eram estatais ou de uma elite.

* C Embora a escravidão existisse, ela não era a base principal da economia ou da administração das obras de irrigação na forma que o latifúndio moderno sugere, e o Estado não estimulava latifúndios como diretriz principal, mas sim a produção agrícola para si.

* D Embora artesanato e comércio existissem, a diretriz econômica fundamental e o cerne do poder estatal residiam na agricultura e no controle da produção de alimentos, e não prioritariamente no desenvolvimento comercial ou na construção de portos como fator definidor da forma do Estado.

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