Agora podia-se distinguir que o trêmulo dos finais do...
Mas afinal a música cessou. Sinhá Rola chorava agora com simplicidade e lassidão e curvara-se sobre o encosto em forma de lira da banqueta onde estava sentada para se abandonar à dor misteriosa que a vencia toda. Celestina contemplou-a assim por muito tempo com os olhos velados de lágrimas, rememorou todas as tristezas passadas de sua vida tão monótona e humilde e viu em espírito o seu futuro apagado, eternamente votado à dependência e à obscuridade, todo feito de sacrifícios inúteis e devotamentos que ninguém compreenderia. Também ela, dentro de poucos anos, tornar-se-ia uma velha fraca e ridícula e o seu choro deveria ser qualquer coisa fora da moda, de antiquado e absurdo como aquele que tinha diante de si.
PENNA, Cornélio. A menina morta. Curitiba: RM Editores, 2010, p. 131-2.
No trecho anterior, do romance A Menina Morta, do escritor brasileiro Cornélio Penna, cuja primeira edição foi publicada em 1954, as situações descritas em cada um dos parágrafos, apesar de distintas, são comparáveis porque