O recurso estético/linguístico que NÃO está presente em “Os...

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Ano: 2025 Banca: FCM Órgão: UNIFEI Prova: FCM - 2025 - UNIFEI - Vestibular |
Q3882371 Português

A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.


Os Sapos

Manuel Bandeira


Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,


Berra o sapo-boi:

— “Meu pai foi à guerra!”

— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foil!?.


O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: — “Meu cancioneiro

É bem martelado.


Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos.


[...]


Lá, fugido ao mundo,

Sem glória, sem fé,

No perau profundo

E solitário, é


Que soluças tu,

Transido de frio,

Sapo cururu

Da beira do rio...


Disponível em: https://www.escritas.org/PT/t/4814/os-sapos. Acesso em: 11 set. 2025.

O recurso estético/linguístico que NÃO está presente em “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, é
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a ausência de idealização da natureza: os elementos naturais aparecem rebaixados e satíricos, em vez de harmoniosos ou enobrecidos, o que exclui a alternativa E.

Tema central: recursos estético-literários
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o poema traz discurso direto de forma explícita. Isso aparece em “Berra o sapo-boi: / — “Meu pai foi à guerra!” / — “Não foi!” — “Foi!” — “Não foil!?."”. As falas das personagens são reproduzidas textualmente, com travessões e aspas, o que confirma a presença desse recurso.
B
Errada
Está errada porque há metalinguagem. O poema fala do próprio fazer poético ao mencionar “Meu cancioneiro / É bem martelado”, “Em comer os hiatos” e “nunca rimo / Os termos cognatos”. O texto tematiza procedimentos de versificação e composição, portanto a linguagem volta-se para a própria poesia.
C
Errada
Está errada porque o poema estabelece diálogo crítico com a estética parnasiana, explicitada em “O sapo-tanoeiro, / Parnasianoo aguado,”. Esse diálogo paródico com outra tradição literária sustenta a intertextualidade em sentido amplo.
D
Errada
Está errada porque a ironia é estrutural no poema. As vozes dos sapos exaltam tecnicismos poéticos, mas o efeito produzido é de ridicularização e sátira ao parnasianismo. A autovalorização expressa em “Que arte!” não é validação séria; é parte do rebaixamento caricatural.
E
Certa
A alternativa E está certa porque o poema não constrói a natureza como espaço harmonioso, belo ou elevado. Os sapos não aparecem como elementos enobrecedores do mundo natural; funcionam como caricaturas satíricas de poetas e de práticas literárias. A ambientação também reforça esse rebaixamento: “penumbra”, “ronco”, “berra”, “perau profundo”, “Transido de frio” e “solitário” afastam qualquer idealização.
Pegadinha da questão
A banca explora sobretudo duas confusões reais: esquecer que se pede o recurso que NÃO está presente e supor que a mera presença de animais e ambiente natural já configura idealização da natureza.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão com comando negativo, confirme primeiro quais recursos têm marca textual direta antes de procurar o ausente.
  • Não confunda cenário natural com idealização da natureza; observe se o ambiente é enobrecido ou se serve à sátira e ao rebaixamento.
  • Em poesia, metalinguagem se comprova quando o texto fala de rima, verso, hiato, cancioneiro ou outros procedimentos de composição.
  • Intertextualidade pode aparecer como diálogo crítico com uma estética literária, não apenas como citação de outro texto.

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