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“Se males faz Amor, em mim se veem;” (3ª estrofe) Transpost...

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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2025 |
Q4114274 Português

Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questões.



Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

sem falta1 lhe terá bem merecido

que lhe seja cruel ou rigoroso.


Amor é brando2, é doce e é piadoso3.

Quem o contrário diz não seja crido;

seja por cego e apaixonado tido,

e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


Se males faz Amor, em mim se veem;

em mim mostrando todo o seu rigor,

ao mundo quis mostrar quanto podia.


Mas todas suas iras são de amor;

todos estes seus males são um bem,

que eu por todo outro bem não trocaria.



(Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



1 sem falta: sem dúvida.

2 brando: manso, meigo.

3 piadoso: piedoso.

4 inda: ainda.

Se males faz Amor, em mim se veem;” (3ª estrofe)


Transposta para a voz passiva, mantendo o sentido original, a oração sublinhada assume a forma:

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em “Se males faz Amor”, a transposição para a voz passiva analítica exige manter a relação sintática original: “males” é objeto direto e deve passar a sujeito paciente; “faz” deve ser convertido em “são feitos”; e “Amor”, sujeito agente da ativa, deve aparecer como agente da passiva em “por Amor”. Assim, a única forma correta é “Se males são feitos por Amor”.

Tema central: voz passiva analítica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não transpõe a oração para a voz passiva; apenas mantém a estrutura ativa com outra ordem. Falta a construção passiva analítica com “ser” + particípio, exigida pelo comando.
B
Errada
Está errada porque, além de não formar passiva, troca as funções sintáticas da oração original: “males” passa indevidamente a sujeito agente de “fazem”, alterando o sentido, já que no verso original “males” é objeto direto.
C
Certa
A alternativa C é a única que realiza corretamente a transformação exigida. Na oração original, “Amor” pratica a ação de “fazer”, e “males” é aquilo que é feito. Na passiva analítica, essa relação deve ser mantida: “males” vira sujeito paciente, o verbo assume a forma “são feitos”, preservando o presente de “faz”, e “Amor” aparece como agente da passiva em “por Amor”.
D
Errada
Está errada porque inverte a relação entre agente e paciente. Na oração original, “Amor” é quem faz; aqui, “Amor” passa a ser aquilo que é feito, o que rompe o sentido original.
E
Errada
Está errada porque, embora tenha forma passiva, altera o valor temporal do verbo. O original está no presente do indicativo, “faz”; a alternativa usa “foram feitos”, no pretérito perfeito, e por isso não mantém o sentido original.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: a posição anteposta de “males”, que pode levar à leitura errada como sujeito, e a alternativa E, que parece correta por trazer passiva analítica, mas erra ao mudar o presente para o pretérito.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de transformar a oração, identifique quem pratica a ação e o que recebe essa ação, mesmo quando a ordem dos termos estiver invertida.
  • Na passagem para a passiva analítica, faça este controle: objeto direto da ativa vira sujeito paciente; sujeito da ativa vira agente da passiva.
  • Não basta aparecer “ser + particípio”: confira também se o tempo verbal foi preservado.
  • Se o comando mandar manter o sentido original, verifique se não houve troca entre agente e paciente da ação.

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