No auge do Segundo Reinado, o Brasil viu o desenvolvimento ...

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Ano: 2012 Banca: PUC-PR Órgão: PUC - PR Prova: PUC-PR - 2012 - PUC - PR - Vestibular - Prova 1 |
Q567743 História
No auge do Segundo Reinado, o Brasil viu o desenvolvimento econômico do café provocando mudanças socioeconômicas relevantes, que marcaram inclusive o início do período republicano. Sobre essa influência do café no Segundo Reinado, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas

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Alternativa correta: B

Tema central: transformação socioeconômica do Segundo Reinado provocada pela expansão cafeeira — regionalizações, mudanças na força de trabalho e influência política que prepararam o terreno para a República.

Resumo teórico: No século XIX o café deslocou o eixo econômico do Vale do Paraíba para o Oeste Paulista. O Vale manteve, por mais tempo, o uso intensivo de trabalho escravo; nas áreas pioneiras do Oeste surgiram fazendas modernizadas, uso progressivo de trabalho assalariado e grande fluxo de imigrantes europeus. Leis relevantes no período: Lei Eusébio de Queirós (1850 — fim do tráfico transatlântico), Lei do Ventre Livre (1871) e Lei Áurea (1888), que influenciaram a transição do trabalho escravo para formas assalariadas.

Por que B está correta: A alternativa aponta a divisão interna entre regiões cafeeiras: Oeste Paulista (inovação técnica, entrada de mão de obra assalariada e imigrantes) versus Vale do Paraíba (persistência do trabalho escravo e resistência à abolição, com pedidos de indenização). Essa distinção é bem documentada em obras de referência (por exemplo, Boris Fausto, História do Brasil) e na análise das mudanças na composição da força de trabalho e do capital agrário no final do Império.

Análise das alternativas incorretas:

A — exagera e contradiz: a aristocracia cafeeira ampliou suas atuações (ferrovias, exportação, crédito), mas a ideia de que financiam “somente” e que empréstimos eram atividade exclusiva dos banqueiros é imprecisa e absoluta — há sobreposição entre elites agrárias e financeiras.

C — afirma que o Oeste paulista era monarquista e opositor ao republicanismo; isso é equivocado: muitos grandes cafeicultores do Oeste tornaram-se atores centrais do republicanismo paulista e apoiaram reformas liberais, especialmente por seus interesses vinculados à imigração e ao trabalho assalariado.

D — confunde regiões e processos: o Sul recebeu imigrantes para agricultura; a industrialização brasileira inicial concentrou‑se no Sudeste e foi mais voltada ao mercado interno. A afirmação sobre capital inglês financiando imigrantes sulistas para indústria exportadora é incorreta.

E — mistura fatos: a Tarifa Alves Branco (1830–1840s) aumentou taxas sobre importados para proteger a indústria nascente; contudo, a indústria não "suplantou" o café no Segundo Reinado. Barão de Mauá promoveu empreendimentos, mas a economia continuou dominada pela exportação cafeeira até bem depois.

Estratégia de prova: procure marcadores temporais (Segundo Reinado), evite alternativas com termos absolutos ("somente", "apenas"), identifique diferenças regionais e sociais (Vale x Oeste) e relacione leis e fluxos migratórios ao tipo de mão de obra.

Fontes sugeridas: Boris Fausto, História do Brasil; estudos sobre a cafeicultura paulista e as leis abolicionistas (Eusébio de Queirós 1850; Ventre Livre 1871; Lei Áurea 1888).

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Comentários

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"Os produtores paulistas interessados na abolição da escravatura" ??? Como assim? Não havia senhores de escravos entre eles? É verdade que os prósperos fazendeiros paulistas tomaram as primeiras iniciativas visando à substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre. Incentivaram à imigração europeia e fizeram as primeiras experiências de introdução do trabalho assalariado nas lavouras através do chamado sistema de parcerias, em que os lucros da produção eram divididos entre os colonos e os proprietários. Mas daí a afirmar que estavam interessados em abolir a escravidão é forçado demais! Me corrijam se eu estiver errado: muitos deles não eram escravistas, a escravidão não ocorria paralelamente a entrada dos imigrantes? 

A alternativa certa é a mais ridícula de todas.

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