No excerto, diz o narrador que Aristarco “mineralizava-se to...

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Ano: 2014 Banca: FGV Órgão: FGV Prova: FGV - 2014 - FGV - Administração Pública - Vestibular |
Q1338843 Português
    Depois de uma parte de concerto, que foi como descanso reparador, seguiu-se a oferta do busto. Teve a palavra o Professor Venâncio.
(...)
O orador acumulou paciente todos os epítetos de engrandecimento, desde o raro metal da sinceridade até o cobre dúctil, cantante das adulações. Fundiu a mistura numa fogueira de calorosas ênfases, e sobre a massa bateu como um ciclope, longamente, até acentuar a imagem monumental do diretor.
    Aristarco depois do primeiro receio esquecia-se na delícia de uma metamorfose. Venâncio era o seu escultor.
    A estátua não era mais uma aspiração: batiam-na ali. Ele sentia metalizar-se a carne à medida que o Venâncio falava. Compreendia inversamente o prazer de transmutação da matéria bruta que a alma artística penetra e anima: congelava-lhe os membros uma frialdade de ferro; à epiderme, nas mãos, na face, via, adivinhava reflexos desconhecidos de polimento. Consolidavam-se as dobras das roupas em modelagem resistente e fixa. Sentia-se estranhamente maciço por dentro, como se houvera bebido gesso. Parava-lhe o sangue nas artérias comprimidas. Perdia a sensação da roupa; empedernia-se, mineralizava-se todo. Não era um ser humano: era um corpo inorgânico, rochedo inerte, bloco metálico, escória de fundição, forma de bronze, vivendo a vida exterior das esculturas, sem consciência, sem individualidade, morto sobre a cadeira, oh, glória! Mas feito estátua.
    “Coroemo-lo!” bradou de súbito Venâncio.

                                               Raul Pompeia, O Ateneu
No excerto, diz o narrador que Aristarco “mineralizava-se todo”, via-se mudado, de ser vivo, em elemento mineral. Processos de mineralização são também centrais na caracterização da principal personagem feminina do romance
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto e análise de metáfora no contexto literário, identificando processos simbólicos de "mineralização" associados à construção de personagens femininas em obras da literatura brasileira.

O comando pergunta em qual romance a “mineralização” é também marcante, focando a protagonista feminina. Para responder, é necessário reconhecer a metáfora — conceito da figura de linguagem que, conforme Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), consiste em atribuir uma qualidade de um elemento a outro, sem expressão comparativa explícita. 

Justificativa da alternativa correta (A – Senhora, de José de Alencar):
Em Senhora, Aurélia Camargo simboliza, ao longo do romance, um processo de endurecimento emocional: após decepções amorosas, age com frieza, distanciando-se do sentimentalismo e assumindo postura calculista, metaforicamente “mineralizada”. Isso significa que sua humanidade, afetos e emoções são substituídos pela “rigidez” e “dureza” de alguém que se blinda de sentimentos para enfrentar suas dores. A análise da metáfora é essencial para chegar à resposta, revelando como o texto literário utiliza processos simbólicos para caracterizar psicologicamente a personagem.

Eliminação das alternativas incorretas:

  • B) Quincas Borba: o enredo explora o Humanitismo e a trajetória de Rubião; não trata de “mineralização” feminina.
  • C) O cortiço: embora haja personagens femininas fortes, como Rita Baiana, a metáfora da “mineralização” não é central à obra.
  • D) Macunaíma: trata da busca da identidade nacional, centrando-se em personagem masculina e elementos míticos, sem tal processo simbólico.
  • E) São Bernardo: apesar do sofrimento de Madalena, não há ênfase na transformação em elemento “mineral”.

Estratégia para questões similares: procure ler atentamente metáforas e imagens presentes nos enunciados, relacionando-as ao enredo e à construção dos personagens. Isso evita pegadinhas que exploram generalizações sem análise do conteúdo literário.

Resumo da regra: Identificar metáforas (figura de linguagem: relação de semelhança implícita) e analisar o contexto permite a interpretação correta e o reconhecimento da alternativa alinhada à proposta do enunciado.

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