Chomsky usa para explicar seu ponto de vista uma expressão t...
Instrução: A questão toma por base o seguinte fragmento do livro Reflexões sobre a linguagem, de Noam Chomsky (1928-):
Por que estudar a linguagem? Há muitas respostas possíveis e, ao focalizar algumas delas, não pretendo, é claro, depreciar outras ou questionar sua legitimidade. Algumas pessoas, por exemplo, podem simplesmente achar os elementos da linguagem fascinantes em si mesmos e querer descobrir sua ordem e combinação, sua origem na história ou no indivíduo, ou os modos de sua utilização no pensamento, na ciência ou na arte, ou no intercurso social normal. Uma das razões para estudar a linguagem – e para mim, pessoalmente, a mais premente delas – é a possibilidade instigante de ver a linguagem como “um espelho do espírito”, como diz a expressão tradicional. Com isto não quero apenas dizer que os conceitos expressados e as distinções desenvolvidas no uso normal da linguagem nos revelam os modelos do pensamento e o universo do “senso comum” construídos pela mente humana. Mais intrigante ainda, pelo menos para mim, é a possibilidade de descobrir, através do estudo da linguagem, princípios abstratos que governam sua estrutura e uso, princípios que são universais por necessidade biológica e não por simples acidente histórico, e que decorrem de características mentais da espécie. Uma língua humana é um sistema de notável complexidade. Chegar a conhecer uma língua humana seria um feito intelectual extraordinário para uma criatura não especificamente dotada para realizar esta tarefa. Uma criança normal adquire esse conhecimento expondo-se relativamente pouco e sem treinamento específico. Ela consegue, então, quase sem esforço, fazer uso de uma estrutura intrincada de regras específicas e princípios reguladores para transmitir seus pensamentos e sentimentos aos outros, provocando nestes ideias novas, percepções e juízos sutis.
(Noam Chomsky. Reflexões sobre a linguagem. Trad. Carlos Vogt.
São Paulo:
Editora Cultrix, 1980.)
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: A resolução depende da explicitação feita pelo próprio autor após a metáfora "espelho do espírito": "os conceitos expressados e as distinções desenvolvidas no uso normal da linguagem nos revelam os modelos do pensamento" e o estudo da linguagem pode descobrir "princípios abstratos" que decorrem de "características mentais da espécie". Assim, a alternativa correta é a que parafraseia esse sentido contextual, isto é, que conhecer o funcionamento da linguagem pode conduzir ao conhecimento de como o pensamento funciona.
- Quando o texto traz uma metáfora e em seguida a explica, a resposta correta está na explicitação do autor, não em associações livres com a imagem.
- Elimine alternativas que acrescentem palavras de força normativa ou totalizante ausentes do texto, como “tem de”, “melhor” ou “não em sua totalidade”.
- Em interpretação, prefira a alternativa que funcione como paráfrase fiel do trecho decisivo, especialmente quando o próprio texto já desenvolve a ideia central.
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“Espírito” representaria, na expressão citada, o
pensamento, cujo funcionamento seria “espelhado” –
isto é, evidenciado – na linguagem.
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