Questões de Vestibular
Sobre regência em português
Foram encontradas 172 questões
Examine a tira de André Dahmer para responder às questões .

Leia o trecho do livro Em casa, de Bill Bryson, para responder à questão.
Quase nada, no século XVII, escapava à astúcia dos que adulteravam alimentos. O açúcar e outros ingredientes caros muitas vezes eram aumentados com gesso, areia e poeira. A manteiga tinha o volume aumentado com sebo e banha. Quem tomasse chá, segundo autoridades da época, poderia ingerir, sem querer, uma série de coisas, desde serragem até esterco de carneiro pulverizado. Um carregamento inspecionado, relata Judith Flanders, demonstrou conter apenas a metade de chá; o resto era composto de areia e sujeira. Acrescentava-se ácido sulfúrico ao vinagre para dar mais acidez; giz ao leite; terebintina1 ao gim. O arsenito de cobre era usado para tornar os vegetais mais verdes, ou para fazer a geleia brilhar. O cromato de chumbo dava um brilho dourado aos pães e também à mostarda. O acetato de chumbo era adicionado às bebidas como adoçante, e o chumbo avermelhado deixava o queijo Gloucester, se não mais seguro para comer, mais belo para olhar.
Não havia praticamente nenhum gênero que não pudesse ser melhorado ou tornado mais econômico para o varejista por meio de um pouquinho de manipulação e engodo. Até as cerejas, como relata Tobias Smollett, ganhavam novo brilho depois de roladas, delicadamente, na boca do vendedor antes de serem colocadas em exposição. Quantas damas inocentes, perguntava ele, tinham saboreado um prato de deliciosas cerejas que haviam sido “umedecidas e roladas entre os maxilares imundos e, talvez, ulcerados de um mascate de Saint Giles”?
O pão era particularmente atingido. Em seu romance de 1771, The expedition of Humphry Clinker, Smollett definiu o pão de Londres como um composto tóxico de “giz, alume2 e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destrutivo para a constituição”; mas acusações assim já eram comuns na época. A primeira acusação formal já encontrada sobre a adulteração generalizada do pão está em um livro chamado Poison detected: or frightful truths, escrito anonimamente em 1757, que revelou segundo “uma autoridade altamente confiável” que “sacos de ossos velhos são usados por alguns padeiros, não infrequentemente”, e que “os ossuários dos mortos são revolvidos para adicionar imundícies ao alimento dos vivos”.
(Em casa, 2011. Adaptado.)
1 terebintina: resina extraída de uma planta e usada na fabricação de vernizes, diluição de tintas etc.
2 alume: designação dos sulfatos duplos de alumínio e metais alcalinos,
com propriedades adstringentes, usado na fabricação de corantes, papel,
porcelana, na purificação de água, na clarificação de açúcar etc.
Nas frases a seguir, preencha as lacunas com uma das preposições sugeridas entre parênteses e depois assinale a alternativa com a sequência correta.
l Nesse caso, é estranho que o Ministro do Meio Ambiente ignore as informações técnicas _____ que detém a posse. (sobre, com, de)
ll De acordo com as fontes _____ as quais mantive contato ontem, a mudança na legislação eleitoral não valerá para 2018. (com, perante, a)
lll Quando um homem _____ quem eu confiava me disse que havia uma solução para isso, eu acreditei. (a, em, de)
lV Logo cedo chegaram dois gaúchos pilchados e um vizinho meu recente, ____ cuja procedência não me lembro. (em, de, sobre)
V Ontem resolvi mandar uma carta à empresa _____ a qual o jornal fez uma longa reportagem, publicada na semana
passada. (com, perante, sobre)
Pesquisado por Robert Rosenthal e Lenore Jacobson na década de 1960, o Efeito Pigmaleão refere-se ao fenômeno da relação entre a expectativa depositada numa pessoa e os resultados decorrentes de seu trabalho. O nome faz referência a Pigmaleão, um escultor mítico grego que se apaixonou pela estátua ______ construía e pediu à deusa Afrodite ______ a tornasse uma mulher real. O Efeito Pigmaleão prescreve que, quanto maior a confiança depositada em alguém, maior é a probabilidade de essa pessoa ter bons resultados. No estudo de Jacobson e Rosenthal, professores foram avisados, no início do semestre, que havia em suas salas de aula alguns alunos excepcionais, que provavelmente se desenvolveriam mais depressa que seus colegas. Ao final do ano, foi constatado que esses alunos realmente haviam tido melhores conceitos. A conclusão foi ______ diversos fatores poderiam ter influenciado o sucesso dos alunos, entre eles o fato ______ professores provavelmente haviam prestado mais atenção a essas crianças e lhes dado tratamento diferenciado durante o semestre. Isso, é claro, ocorreu subconscientemente, de acordo com Rosenthal, crendo que professores muitas vezes têm atitudes que facilitam o desempenho de alunos ______ esperam mais. FURTADO, Júlio. A mediação relacional da aprendizagem. Língua Portuguesa. Escala, n. 53, p. 25.
TEXTO 1
Como o Facebook nos transformou em leitores desatentos
(1) Sinto que venho me tornando um leitor menos atento. Meus olhos passam pelas palavras como se fossem ondas que se quebram e somem. Para ganhar concentração, muitas vezes tenho de me isolar, abrir um livro físico (com o digital fica mais difícil ter foco), respirar fundo e, então, curtir a história. Situação preocupante, principalmente para um leitor voraz como eu. Só que se torna ainda mais alarmante quando noto que amigos, colegas de escrita, repetem essa reclamação em tom uniforme. O que ocorre? Será que há algum mal universal que nos faz ler cada vez pior? (
2) Não chamaria de "mal", mas de "cenário". Trata-se do mundo das redes sociais. Se antes nos acostumamos a livros e revistas, a mergulhar em cada informação (e era tão pouca!) que surgia à nossa frente, agora surfamos pelos dados (e são tantos!), preocupando-nos mais com a próxima onda do que com a que passou. Vamos de um lado para outro, freneticamente, lendo status no Twitter, no Facebook; vendo fotos no Instagram (imagens, afinal, são uma espécie de "leitura"), matérias em revistas, jornais e sites; acessando blogs; assistindo a séries no Netflix. Corremos os olhos do computador para o notebook, para o Kindle, para o smartphone, para o tablet, para um livro impresso… Para a próxima invenção que colar, seja um relógio com mais informações vindas de seu pulso, seja um par de óculos mostrando tudo bem à frente. Não somos mais mergulhadores. Viramos surfistas – e tenha isso como elogio e crítica ao mesmo tempo.
(3) Sim, há vantagens: agora também somos ligeiros. Viramos craques em consumir informações com rapidez. Sabemos o que a vovó está postando no Facebook, ao mesmo tempo em que assistimos a Breaking Bad no computador e conferimos mensagens no WhatsApp. Nossas mentes estão ágeis.
(4) Pelo bem, pelo mal, há uma mutação em curso. Somos leitores diferentes. Algo tem ocorrido em nosso cérebro que mudou nossos processos cognitivos. Enquanto os mais velhos podem até ter dificuldades para lidar com o universo do touch, da comunicação instantânea, uma criança de poucos anos sabe navegar com talento pelo iPad. Porém, na hora de se concentrar em uma só história, em analisar um só caso, podem prevalecer a falta de atenção, as falhas de memorização, a atitude de surfar sem mergulhar em águas profundas.
(5) Uma série de trabalhos científicos tem sido publicada sobre essa transformação do hábito de ler. Um dos estudiosos do tema é o escritor americano Nicholas Carr. Em um agora já clássico artigo para a revista The Atlantic, ele diz: "Nos últimos anos, tenho a sensação desconfortável de que alguém ou algo tem pregado peças com meu cérebro (…). Sinto isso ainda mais forte quando leio. Imergir em um livro ou em um longo artigo era fácil (…). Agora, minha concentração se perde frequentemente depois de duas ou três páginas (…). Acho que sei o que está ocorrendo. Por mais de uma década, tenho gastado tempo demais on-line."
(6) Trata-se de uma preocupação que tem se espalhado. A neurocientista Maryanne Wolf, do Centro de Pesquisas de Leitura e Linguagem da Universidade Tufts, de Boston, vai ainda mais fundo na análise. Para ela, a era da internet tem moldado o cérebro, capaz de se adaptar, de repaginar a rede de sinapses dos neurônios, de acordo com o tipo de leitura que faz. Em um de seus livros, avisa: "Livros sempre foram uma forma de se aventurar, trabalhar a imaginação e crescer intelectualmente. Porém, na era da internet, passou-se a ler rapidamente, sem análise nem crítica." Segundo a autora, isso faz com que os jovens de hoje desenvolvam menos conexões neurais. Ou seja, tenham cérebros menos eficazes.
(7) Não faltam estudos sobre o tema, na maioria muito ácidos e críticos, como os realizados por Maryanne Wolf. Mas vale uma pausa. Grande parte dos cientistas ainda acha cedo para chegar a conclusões irrefutáveis. Estou com essa turma.
(8) Há milênios, ocorreu a mesma reação a uma inovação tão disruptora quanto é a internet para esta época: a escrita. Sócrates, nos idos da Grécia Antiga, irritou-se com a chegada de tal tecnologia. Para ele, a leitura faria da mente, que não mais precisaria memorizar tudo, um ente preguiçoso.
(9) Reações contrárias, por vezes contendo premonições apocalípticas, surgem sempre junto à chegada de novidades tecnológicas — em relação à escrita, à prensa de Gutenberg, à física de partículas, à internet ou aos aplicativos de tablets e smartphones. Mas o que nossa história, a da humanidade, tem provado é que os avanços têm vindo para o bem. Sim, muda o quê e quem somos. Há, porém, um balanço, usualmente positivo. No caso da leitura na era digital, aposto todas as minhas fichas no equilíbrio. Eventualmente, aprenderemos a lidar com essa nova forma de consumir informações. Talvez saibamos juntar com proficiência o mergulho e o surfe. Neste momento, contudo, não vislumbramos a chegada de tal equilíbrio. Por isso, estamos confusos como um animal em adaptação a um novo habitat. A garantia de sobrevivência: leia, sempre, o que for, o que lhe der prazer. E não deixe seu cérebro estacionar.
Acerca de alguns aspectos formais do Texto 1, analise o que se afirma abaixo.
I. No trecho: "Porém, na hora de se concentrar em uma só história, em analisar um só caso, podem prevalecer a falta de atenção, as falhas de memorização, a atitude de surfar sem mergulhar em águas profundas." (4º parágrafo), evidenciamos um caso de sujeito composto, o que justifica a forma verbal destacada no plural.
II. No trecho: "Sabemos o que a vovó está postando no Facebook, ao mesmo tempo em que assistimos a Breaking Bad no computador" (3º parágrafo), o autor opta por seguir a norma-padrão em relação à regência da forma verbal destacada, ainda que, em muitos registros do português brasileiro atual, a preposição 'a‘ não se verifique.
III. No que se refere à colocação dos pronomes, no trecho: "Trata-se de uma preocupação que tem se espalhado." (6º parágrafo), observamos que o autor optou por seguir a norma-padrão apenas no primeiro caso ("Trata-se").
IV. Se o autor quisesse escrever que "os jovens desta geração não leem com atenção", deveria grafar a forma verbal destacada sem acento, como orienta o Acordo Ortográfico atualmente em vigor em nosso país.
Estão CORRETAS:
Texto I
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo que amava
Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade.
De acordo com a opção sintática considerada pelo
poeta ao criar o poema, é correto afirmar que

Disponível em:<http://istoe.com.br/o-acesso-educacao-e-o-ponto-de-partida/>
TEXTO 3
Português, a língua mais difícil do mundo?
Conta outra!
(1) Alguns mitos resistentes rondam como mosquitos
chatos a língua portuguesa falada no Brasil. Diante deles,
argumentações fundadas em fatos e um mínimo de
racionalidade são tão inúteis quanto tapas desferidos às
cegas em pernilongos zumbidores.
(2) A lenda de que se fala no estado do Maranhão o
português mais “correto” do Brasil é uma dessas balelas
aceitas por aí como verdades reveladas – e nem os
tristíssimos índices educacionais maranhenses podem fazer
nada contra isso.
(3) Outra bobagem de grande prestígio é aquela que
sustenta ser o português “a língua mais difícil do mundo”.
Baseada, talvez, na dor de cabeça real que acomete
estrangeiros confrontados com a arquitetura barroca de
nossos verbos, a afirmação é categórica o bastante para
dispensar a necessidade de uma prova.
(4) O sujeito erra o gênero da palavra alface e lá vem a
desculpa universal: “Ah, como é difícil a porcaria dessa
língua! Ah!, se tivéssemos sido colonizados pelos
holandeses”.
(5) Claro que isso não quer dizer que o queixoso fale
holandês. É justamente na imensa parcela monoglota da
população que a crença na dificuldade insuperável da
língua portuguesa encontra solo mais fértil.
(6) Não há dúvida de que o mito das agruras superlativas
do português diz muito sobre a falência educacional
brasileira, cupim que rói as fundações de qualquer projeto
de desenvolvimento social que vá além da promoção de um
maior acesso da população a shopping centers.
(7) Temo, porém, que suas raízes sejam mais profundas.
Percebe-se aí uma mistura tóxica de autocomplacência,
autodepreciação, ufanismo, fuga da realidade e desculpa
esfarrapada que pode ser ainda mais difícil de derrotar do
que nosso vicejante semianalfabetismo.
Sérgio Rodrigues. Disponível em:
http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/portugues-a-lingua-mais-dificil-domundo-conta-outra. Acesso em 06/09/2017. Adaptado.
Leia o texto, a seguir, atentando para responder à questão:
Médico debocha de paciente na internet e é demitido Pacientes e internautas ficaram indignados com a postura do funcionário

Um médico plantonista do hospital público Santa
Rosa de Lima, administrado pela Santa Casa de Serra
Negra, em São Paulo, foi afastado do trabalho após ter
uma foto divulgada em seu Facebook em que debocha
de um paciente que não falou corretamente as palavras
“pneumonia” e “Raio-X” em uma consulta
O médico em questão publicou em sua rede
social a imagem de um receituário em que se lê: “Não
existe peleumonia e nem raôxis”. A postagem foi
comentada pelas funcionárias do hospital, que também
foram demitidas.
O Conselho Regional de Medicina de São Paulo
(Cremesp) informou que vai instaurar uma sindicância
para avaliar a postura do profissional.
O caso ganhou repercussão depois que a
denúncia foi publicada na coluna “Comentando”, e
outros pacientes e internautas ficaram indignados com
a postura do clínico geral. A diretoria do Hospital Santa
Rosa de Lima publicou uma nota em que repudia o
comportamento dos ex-funcionários.
Texto adaptado. Disponível em: <http://noticias.band.uol. com.br/cidades/noticia/100000816630/medico-debocha-depaciente-na-internet-e-e-demitido-de-hospital.html>. Acesso em: 07 nov. 2016.
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo

INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo



I. O verbo haver, no segundo quadrinho, foi utilizado incorretamente pois não estabelece concordância com o termo posterior. II. O termo “vida”, no primeiro quadrinho, assume função de núcleo do sujeito. III.Por solicitar um complemento, no último quadrinho, o verbo viver é transitivo direto. IV.O uso do verbo haver, no segundo quadrinho, caracteriza oração sem sujeito. V. Ao substituir o verbo haver por existir, no segundo quadrinho, este seria flexionado na terceira pessoa do singular (existe).
Estão CORRETAS apenas as afirmações constantes nos itens


