Questões de Vestibular
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Instrução: A questão toma por base uma passagem da Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2008).
Prioridade para a competência da leitura e da escrita
A humanidade criou a palavra, que é constitutiva do humano, seu traço distintivo. O ser humano constitui-se assim um ser de linguagem e disso decorre todo o restante, tudo o que transformou a humanidade naquilo que é. Ao associar palavras e sinais, criando a escrita, o homem construiu um instrumental que ampliou exponencialmente sua capacidade de comunicar-se, incluindo pessoas que estão longe no tempo e no espaço.
Representar, comunicar e expressar são atividades de construção de significado relacionadas a vivências que se incorporam ao repertório de saberes de cada indivíduo. Os sentidos são construídos na relação entre a linguagem e o universo natural e cultural em que nos situamos. E é na adolescência, como vimos, que a linguagem adquire essa qualidade de instrumento para compreender e agir sobre o mundo real.
A ampliação das capacidades de representação, comunicação e expressão está articulada ao domínio não apenas da língua mas de todas as outras linguagens e, principalmente, ao repertório cultural de cada indivíduo e de seu grupo social, que a elas dá sentido. A escola é o espaço em que ocorre a transmissão, entre as gerações, do ativo cultural da humanidade, seja artístico e literário, histórico e social, seja científico e tecnológico. Em cada uma dessas áreas, as linguagens são essenciais.
As linguagens são sistemas simbólicos, com os quais recortamos e representamos o que está em nosso exterior, em nosso interior e na relação entre esses âmbitos; é com eles também que nos comunicamos com os nossos iguais e expressamos nossa articulação com o mundo.
Em nossa sociedade, as linguagens e os códigos se multiplicam: os meios de comunicação estão repletos de gráficos, esquemas, diagramas, infográficos, fotografias e desenhos. O design diferencia produtos equivalentes quanto ao desempenho ou à qualidade. A publicidade circunda nossas vidas, exigindo permanentes tomadas de decisão e fazendo uso de linguagens sedutoras e até enigmáticas. Códigos sonoros e visuais estabelecem a comunicação nos diferentes espaços. As ciências construíram suas próprias linguagens, plenas de símbolos e códigos. A produção de bens e serviços foi em grande parte automatizada e cabe a nós programar as máquinas, utilizando linguagens específicas. As manifestações artísticas e de entretenimento utilizam, cada vez mais, diversas linguagens que se articulam.
Para acompanhar tal contexto, a competência de leitura e de escrita vai além da linguagem verbal, vernácula – ainda que esta tenha papel fundamental – e refere-se a sistemas simbólicos como os citados, pois essas múltiplas linguagens estão presentes no mundo contemporâneo, na vida cultural e política, bem como nas designações e nos conceitos científicos e tecnológicos usados atualmente.
(Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Língua Portuguesa / Coord.
Maria Inês Fini. São Paulo: SEE, 2008. p. 16. Adaptado.)
As informações fornecidas pelo texto permitem responder à(s) pergunta(s):
( ) Que é subjetividade?
( ) Que é tendenciosidade?
( ) De que decorre a falta de objetividade?
( ) O que se pode concluir sobre o estilo?
( ) Qual a relação entre objetividade, falácia e ideal, no jornalismo?
O preenchimento correto dos parênteses, de cima
para baixo, é
A noite dissolve os homens
A noite
desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
guerreiros.
E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
perdão
simples e macio...
Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)
I. De acordo com os estudos realizados, os jovens brasileiros são, dentre os nove países pesquisados, os que possuem maior poder de compra;
II. No Brasil, quatro entre dez jovens gostam de fazer compras;
III. Os jovens brasileiros que participaram da pesquisada realizada sobre consumo preferem realizar compras em shoppings centers.
De acordo com a análise das proposições, a alternativa verdadeira é:

Neste poema, os retratos antigos
I. buscam uma espécie de diálogo com o observador, porque nunca perdem a sua humanidade.
II. mesmo pendurados na parede, parecem ter vida própria.
III. simbolizam um passado fantasmagórico que pode continuar aterrorizando, por isso devem ser olhados com cautela.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:

Todas as afirmativas estão corretamente associadas ao excerto, EXCETO:

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I. a retomada de um tema fantástico, que é a representação do sujeito através da sombra, do reflexo, da fotografia ou do sósia.
II. um Eu poético sugerindo que o retrato falante é tão raro quanto a felicidade.
III. um retrato que, de modo coercitivo, impele o Eu poético a ter uma experiência triste.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
( ) O retrato tem uma determinada hora para dialogar com o Eu poético, primeira voz no poema.
( ) O leitor pode ser levado, pelo retrato, a pensar sobre a brevidade da vida.
( ) O retrato é uma espécie de duplo ameaçador do Eu poético.
( ) O poema sugere que o retrato é mais duradouro do que a vida.
( ) O retrato suscita terror na alma do Eu poético.
A sequência correta de preenchimento dos parênte- ses, de cima para baixo, é:

Com base no texto, afirma-se:
I. Ao remontar lembranças familiares, o retrato assume contornos fantasmáticos nos seus pequenos detalhes, que parecem metamorfosear elementos como o jardim e os próprios parentes.
II. Os limites físicos do retrato, definidos pela moldura, são ultrapassados pela sugestão de imagens que simbolizam uma realidade lírica de reminiscências.
III. O retrato de família caracteriza-se como um elemento mágico que responde fielmente às dúvidas do cotidiano dos familiares.
IV. O poema propõe uma metáfora sobre a invenção do passado, enquanto perspectiva do observador.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:

( ) O texto apresenta uma caminhante que inicia um processo de reflexão interior, a partir de um encontro inusitado com um rato.
( ) A narradora divaga sobre uma possível conexão divina entre a sua liberdade e o seu estranho encontro.
( ) Inserida na prosa urbana, esta narrativa realista, desprovida de uma consciência interior, discute os problemas da cidade contemporânea.
( ) O texto materializa, de modo insólito, uma espécie de prosa poética na qual inexistem certezas absolutas sobre a condição humana.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
II. O narrador é um defunto-autor que relata suas memórias no além-túmulo, para, de modo irônico, expressar seu pessimismo em relação ao ser humano e à sociedade.
III. É inusitada a forma como Brás Cubas, por meio de um delírio, empreende uma jornada através dos séculos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:

Sobre o excerto acima, afirma-se:
I. A sequência de fatos sugere a iminência de um acontecimento excepcional.
II. A paisagem é descrita com adjetivos que contrastam serenidade e beleza com inquietude e mistério.
III. A jovem vislumbrada pelo observador é a mulher que ele buscava encontrar naquela noite erma.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
O texto acima, da obra Vidas Secas , de Graciliano Ramos, é uma caracterização de Fabiano, personagem da novela. Indique, nas alternativas abaixo, aquela que também o caracteriza de forma correta.
— Depois, acrescentou ele abrindo expressivamente com o polegar a pálpebra inferior dos olhos, cautela e faca afiada para algum meliante que se faça de tolo e venha engraçar-se fora da vila e termo... Minha filha... Pereira mudou completamente de tom: — Pobrezinha... Por esta não há de vir o mal ao mundo... É uma pombinha do céu... Tão boa, tão carinhosa!... E feiticeira!
TAUNAY, Viconde. Inocência. 6. ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28- 29.
Levando em consideração a leitura do fragmento e da obra “Inocência”, é correto afirmar:
O poeta nasce no poema,
Inventa-se em palavras.
KOLODY, Helena. Viagem no espelho e vinte e um poemas inéditos. Curitiba: Criar Edições. p. 77.
Esses versos sugerem que


