Questões de Vestibular Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 6.532 questões

Q2092731 Português
TEXTO 2

1_- 29 2.png (373×686)

Adaptado de: MARQUES, Jairo. Como uma das maiores bandas
de rock do mundo faz a diferença pela inclusão.
Disponível em: https://bit.ly/3OAjYix. Acesso em: 27 abr. 2022.

Sobre o conteúdo e a estrutura do texto 2, afirma-se:
I. O desenvolvimento do tema é do particular para o geral. II. A frase “Foi um momento de fazer passarinhar o coração de quem tem fé na alma.” (linhas 05 e 06) revela a emoção do autor com a banda Coldplay. III. As expressões “o amplo convívio” (linha 29) e “a visibilidade” (linha 30) são complementares no texto. IV. A atitude da banda inglesa com o menino autista revela todo o seu prestígio.
Estão corretas apenas as afirmativas
Alternativas
Q2092729 Português
TEXTO 2

1_- 29 2.png (373×686)

Adaptado de: MARQUES, Jairo. Como uma das maiores bandas
de rock do mundo faz a diferença pela inclusão.
Disponível em: https://bit.ly/3OAjYix. Acesso em: 27 abr. 2022.

Sobre os recursos linguísticos empregados no texto, afirma-se:
I. O pronome “lhe” (linha 13) complementa o adjetivo “peculiar” (linha 13). II. As três ocorrências do verbo “parecer” (linhas 13, 34 e 38) conferem caráter de incerteza ao discurso do autor. III. As correlativas “não só ... como” (linhas 18 e 19) estabelecem relação de adição no período. IV. “Para” (linha 34) introduz a finalidade da expressão “oportunidade incrível” (linha 34).
Estão corretas apenas as afirmativas
Alternativas
Q2092723 Português
TEXTO 1

1_- 22 1.png (375×750)

Adaptado de: LUC, Mauren
Após AVC, médica se forma usando comunicação
por piscadas em aula e estágio.
Disponível em: https://bit.ly/3F6WLQu.
Acesso em: 03 maio 2022.
Sobre o conteúdo e a estrutura do texto, afirma-se:
I. A história de Elaine Luzia dos Santos é narrada em primeira pessoa. II. A presença do discurso direto confere veracidade aos fatos. III. O emprego do pretérito imperfeito do indicativo no quarto parágrafo descreve o processo de formação de Elaine Luzia dos Santos. IV. A médica recém-formada sofreu preconceito relacionado a sua condição física durante o período da faculdade.
Estão corretas as afirmativas
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073471 Português

TEXTO I 


texto_13 .png (369×365) 


TEXTO II

Você já imaginou uma Bancada do Cocar? Como seria o Brasil depois dela?
Desde o século XVI, os povos indígenas vêm sendo aldeados pela política. Acreditamos que a política com mais representatividade e diversidade indígena é fundamental para criarmos uma sociedade mais coletiva, confiante, justa e resiliente às mudanças climáticas. Vamos aldear a política!

Aldear a política significa eleger representantes dos povos indígenas em todos os estados, em defesa da forma de viver e da natureza em que habitamos. 


(Adaptado de Mídia Guarani Mbya. Disponível em https://www.facebook.com/ midiaguaranimbya/photos/pcb.550687360075915/550687173409267/. Acesso em 12/08/2022.)

Compare as afirmações a seguir: 
“Desde o século XVI, os povos indígenas vêm sendo aldeados pela política.
“Aldear a política significa eleger representantes dos povos indígenas.” 
A proposta de formar uma Bancada do Cocar e aldear a política, na segunda afirmação, está marcada pela
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073470 Português

TEXTO I 


texto_13 .png (369×365) 


TEXTO II

Você já imaginou uma Bancada do Cocar? Como seria o Brasil depois dela?
Desde o século XVI, os povos indígenas vêm sendo aldeados pela política. Acreditamos que a política com mais representatividade e diversidade indígena é fundamental para criarmos uma sociedade mais coletiva, confiante, justa e resiliente às mudanças climáticas. Vamos aldear a política!

Aldear a política significa eleger representantes dos povos indígenas em todos os estados, em defesa da forma de viver e da natureza em que habitamos. 


(Adaptado de Mídia Guarani Mbya. Disponível em https://www.facebook.com/ midiaguaranimbya/photos/pcb.550687360075915/550687173409267/. Acesso em 12/08/2022.)

No texto I, a expressão “aldear a política” é referida por meio de uma
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073469 Português
O post a seguir, publicado em rede social, faz referência ao texto jornalístico “Alter à venda”, publicado no site Amazônia Real.
Grande parte do que foi queimado no incêndio criminoso em Alter do Chão, que tomou proporções internacionais em 2019, está sendo loteada desde então. Os jornalistas visitaram vários lotes à venda, consultaram corretores ao longo de novembro de 2021 e constataram que tudo ocorre de forma escancarada em redes sociais. Além disso, há cartazes espalhados pela PA-457, estrada que liga Santarém à turística vila conhecida como o “Caribe Amazônico”. 
Essa história revela a existência de uma rede de grilagem de terras públicas que avança em ritmo acelerado sobre a mesma área incendiada que foi palco da criminalização de brigadistas que lutavam para preservar Alter do Chão.
(Adaptado de https://www.facebook.com/amazoniareal. Publicada em 15/08/2022. Acesso em 16/08/2022.)
Alguns elementos do post indicam que o texto jornalístico referido é
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073465 Português
Pranto Geral dos Indígenas do Javari Wilmar D’Angelis
Ouço o lamento marubo das mortes anunciadas.
(...)
Não faz tempo, parecia serem fatos isolados; no dizer de autoridades: “infeliz fatalidade”. Mas já não existem meios de esconder a realidade, ou negar os interesses por trás dessas crueldades.
(...)
Ouço vozes embargadas pelo choro dos matsés; os prantos intermináveis dos korubus consternados, e o mais profundo lamento nas línguas desconhecidas de povos abandonados.
Nos unimos aos seus prantos que nos vêm do Javari. Também a floresta chora seus filhos mortos ali. Ela já os adotara e chora ao vê-los partir.
(Adaptado de: https://kamuri.org.br/kamuri/pranto-geral-dos-indigenas-do-javari/. Acesso em 22/07/2022.)
As palavras que resumem os principais temas do poema são
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073460 Português
Leia o depoimento da professora e ativista indígena Célia Xakriabá.
“E o mundo, por exemplo, olha para a Amazônia por satélite. O mundo olha pra essa Amazônia com um olhar de satélite, por cima, e só consegue enxergar o verde e a beleza dos rios. Mas a vida dessas pessoas aqui embaixo, que não consegue ser olhada, tem sido impactada, e ninguém cuida das pessoas. As pessoas querem proteger as árvores, o rio, mas não cuidam das pessoas que protegem as árvores e os rios. A gente precisa inverter os olhares, porque a vida dessas pessoas é mais importante, porque são elas que mantêm a floresta em pé. São elas que conseguem proteger o rio a partir desse modo de vida, de respeito com a natureza, o meio ambiente, a fauna, a flora, tudo que nos cerca. Porque a gente compreende, também, que somos parte, que nós somos ela, que a gente está conectado em todos os sentidos.” 
(Disponível em https://www.instagram.com/reel/Ce3ZthyFw1a/. Acesso em 20/07/2022.)
Em seu depoimento, a indígena destaca a existência de uma relação de
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Ano: 2023 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2023 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q2073458 Português
A imagem a seguir foi publicada no Instagram da professora de português, Laura Boesing.
1.png (363×429) 
(Disponível em https://www.instagram.com/p/CdzDGaFLBFh/. Acesso em 20/07/2022.)
Qual a função dos elementos não-verbais na imagem?
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Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146232 Português
     Nenhum ser humano deveria ser ameaçado de “transferência” de sua casa ou de sua terra; nenhum ser humano deveria ser discriminado por não pertencer a esta ou àquela religião; nenhum ser humano deveria ser destituído de sua identidade ou de sua cultura, seja qual for o motivo.

(Edward W. Said. A questão da Palestina, 2012. Adaptado.)

O excerto pertence a um livro que discute a condição dos palestinos, mas sua ideia geral pode também ser aplicada à situação
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Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146224 Português
Leia o excerto para responder à questão.


    O início da colonização, após 1530, não criou a unidade, e foram várias as frentes colonizadoras que se abriram, mais ou menos independentes, quase sempre autocontidas, isoladas, comunicando-se mais facilmente com a Corte [portuguesa] — como é o caso das terras ao norte — do que umas com as outras. Se as capitanias hereditárias, cedidas pela Coroa a particulares, foram o início da vida na terra, a expressão dessa configuração espacial fragmentada e isolada persistiu por vários séculos, sendo uma das feições dominantes do território brasileiro até praticamente o século XX.


(Laura de Mello e Souza. “O nome Brasil”. In: Luciano Figueiredo (org.). História do Brasil para ocupados, 2013. Adaptado.)
Segundo o excerto, a colonização na América portuguesa
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Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146210 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
O cronista inclui o leitor em sua narrativa no seguinte trecho:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146209 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
“Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata?” (11o parágrafo)

Nesse trecho, o cronista ressalta o incômodo dos fazendeiros
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146208 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
De acordo com o cronista, a razão de José de Nanuque ter se afastado da civilização foi, sobretudo,
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146204 Português
Leia o soneto de Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, também conhecida como Marquesa de Alorna, para responder à questão.





(Sonetos, 2007.)

1herdade: propriedade rural de dimensões consideráveis; fazenda.
No soneto, está implícita uma crítica à
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2022 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4142170 Português
Observe o seguinte texto descritivo:
“O que mais chamava a atenção era a grande quantidade de igrejas, pelo menos era o que mais se destacava do alto do morro onde eu estava. Ao longe, apesar de algumas árvores impedirem uma visão limpa, via-se uma imensa serra e, mais perto, dois pequenos rios e muita vegetação. As casas próximas eram do estilo colonial, todas elas brancas e azuis, bonitas, embora algumas estivessem com a pintura um pouco suja.”
Assinale a opção que indica uma observação inadequada sobre esse texto.
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2022 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4142164 Português
Em todas as opções abaixo, a primeira frase mostra uma imprecisão de sentido no termo sublinhado; a segunda frase mostra uma possibilidade de reduzir essa imprecisão. Assinale a opção em que a segunda frase não reduz a imprecisão da primeira.
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2022 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4142158 Português
Observe o seguinte relato pessoal:
“Nossa cadelinha, com a qual convivíamos há 15 anos, morreu em 2020 e foi enterrada num pequeno canteiro de nosso quintal, no qual plantamos flores vermelhas. Ontem, após entrar em casa, depois do trabalho, observei, pela janela da cozinha, o canteiro florido abaixo de uma modesta parreira, mas a emoção me impediu de ver mais.”
O processo de descrever pode mostrar problemas em sua realização em função de limites impostos ao observador.
No caso do texto acima, a descrição da cena não pôde ser completada em função de problemas
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2022 - EINSTEIN - Vestibular Unificado - Prova I |
Q4112857 Português
Analise o mapa e leia o excerto. Imagem associada para resolução da questão
Hoje, eles formam uma comunidade unida por raça, cultura e linguagem, ainda que não tenham um dialeto padrão. Eles têm diversas religiões e credos, mas a maioria é muçulmana sunita.
(www.bbc.com. Adaptado.)
A área destacada no mapa e as características apresentadas no excerto correspondem
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2022 - EINSTEIN - Vestibular Unificado - Prova I |
Q4112843 Português
Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

    Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

    Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
     Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
    — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
    Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
    Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
     — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
    — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
    — Logo esta? — protestei.    
    — As outras estão muito gastas.
    Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

    Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

(Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
Para evitar sua repetição, omite-se um substantivo que pode ser facilmente identificado pelo contexto linguístico em:
Alternativas
Respostas
241: B
242: D
243: C
244: B
245: C
246: B
247: A
248: A
249: D
250: B
251: C
252: D
253: A
254: E
255: E
256: E
257: B
258: B
259: D
260: D