Questões de Vestibular Sobre morfologia - pronomes em português

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Q4103031 Português
TEXTO I


O padeiro


         Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abroaportadoapartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lidoalgumacoisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bemuma greve, éumlockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando opovoatomarseu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

         Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquantotomocafévou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar opãoàportado apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

         - Não é ninguém, é o padeiro!

         Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

         "Então você não é ninguém?"

        Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lheacontecerabater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, eouvirumavoz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "nãoé ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

        Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-loparaexplicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempoeutambém,como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quasesempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão umdos primeirosexemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

         Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porquenojornalque levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônicaouartigocom o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro domeucoraçãoeu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, éopadeiro!"

        E assobiava pelas escadas.


Fonte: BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Crônicas I. 27. ed. São Paulo: Ática, 2006, p.61-62.
“Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.” O termo grifado refere-se:
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Q4038066 Português
Quando me vieram chamar, nem acreditei:

— É Zuzézinho! Está caindo do prédio.

E as gentes, em volta, se depressavam para o sucedido. Me juntei às correrias, a pergunta zaranzeando: o homem estava caindo? Aquele gerúndio era um desmando nas graves leis da gravidade: quem cai, já caiu.

Enquanto corria, meu coração se constringia. Antevia meu velho amigo estatelado na calçada. [...]

Me aproximava do prédio e já me aranhava na multidão. Coisa de inacreditar: olhavam todos para cima. Quando fitei os céus, ainda mais me perturbei: lá estava, pairando como águia real, o Zuzé Neto. O próprio José Antunes Marques Neto, em artes de aero-anjo. Estava caindo? Se sim, vinha mais lento que o planar do planeta pelos céus.

(Mia Couto. O fio das missangas, 2004.)
Uma característica das obras de Mia Couto é a presença de marcas do português popular de Moçambique, que se distanciam, por vezes, da norma padrão da língua portuguesa. Exemplifica essa característica a posição do pronome sublinhado na seguinte frase:
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129383 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

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Adaptado de: FARACO, C. A. Apresentação. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 14, 18, 19 e 20, nesta ordem.
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Q4115791 Português
Examine a tirinha do cartunista André Dahmer, publicada na rede social X, em 18.03.2025, para responder à questão.

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Transposta para o discurso indireto, a fala do primeiro quadrinho assume a forma:
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2025 |
Q4114270 Português

Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.


1    Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...



 2   — Bom dia.


3    — Bom dia!


4   — Bom dia, Carvalho!...



5    ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...


6    A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.


7    Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.



(Os ratos, 2022.)


1 porte-monnaie: porta-moedas.

Ocorre objeto direto preposicionado quando o objeto direto de uma oração é introduzido por uma preposição, por motivo de ênfase, clareza ou estilo. Identifica-se um exemplo de objeto direto preposicionado em:
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Ano: 2025 Banca: FCM Órgão: UNIFEI Prova: FCM - 2025 - UNIFEI - Vestibular |
Q3882365 Português

A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.


Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos

Julián Fuks


Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.


A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.


Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.


"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.


De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.


Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.


E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim. 


Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.

Analise o que se afirma a seguir.



I- Na sentença “A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, ‘e viveram felizes para sempre’, é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte.”, o pronome “nela” se refere a “existência feliz”.


II- A expressão “olhos turvos”, presente em “Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.”, foi usada de maneira metafórica.


III- Ao final do texto, o autor adota uma abordagem metalinguística para marcar que, diferentemente da vida, seu texto tem fim.


IV- Embora classificado como um artigo de opinião, o tipo textual predominante explorado por Fuks foi o narrativo.



Está correto apenas o que se afirma em

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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2025 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q3840959 Português

Texto II


Inculta e Bela


Como todos sabemos, essa expressão saiu da pena de nosso aclamado príncipe dos poetas, Olavo Bilac, logo no primeiro verso do seu famoso soneto “A Língua Portuguesa.” Bela, sim, por que não? As vezes que primeiro ouvimos dos lábios de nossas mães ficam-nos no espírito como pura melodia. “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha.” E esse canto encantado é música das palavras que nos afagaram no colo materno. Mas inculta? Como assim? O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante. Língua culta e de cultura, eis a coroa que há séculos lhe ornara a fronte, onde resplandecem as galas de patrimônio de uma civilização.


Nada, pois, que admirar venha a língua portuguesa continuamente atraindo inteligências e dedicações para o seu estudo em tantos dos recantos deste mundo de Deus. E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular.



ELIA, Sílvio. 50 textos errados e corrigidos, Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica. 

No Texto II foram sublinhados cinco pronomes que estão relacionados a termos anteriores. Assinale a opção que apresenta a frase em que o termo anterior está identificado de forma inadequada.
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Ano: 2025 Banca: FUNDEPES Órgão: Qualin Prova: FUNDEPES - 2025 - Qualin - Vestibular - Medicina - Segundo Semestre - 1º Dia |
Q3747846 Português
Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver 
Disponível em: https://www.letras.mus.br/marisa-monte/47268/. Acesso em: 28 mar. 2025.

Dadas as afirmativas acerca do pronome em destaque nos versos: “Deixa eu dizer que te amo / Deixa eu pensar em você”,

I. Evidencia-se, nos versos, a prática da maioria dos falantes do português brasileiro (de todas as regiões, de todos os níveis de escolaridade) em usar os pronomes pessoais retos para exercer as funções sintáticas: objeto direto do primeiro verbo e sujeito do segundo.
II. Nota-se uma tendência cada vez mais acentuada que leva o português do Brasil a preferir usar o pronome sujeito (reto) quando a norma-padrão conservadora cobra um pronome-objeto (oblíquo).
III. Nos versos, há um fenômeno sintático que, na tradição gramatical, recebe o nome de sujeito acusativo, usado praticamente pelos falantes incultos brasileiros.

verifica-se que está/ão correta/s  
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Ano: 2025 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: FAME Prova: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2025 - FAME - Vestibular - Primeiro Semestre - Medicina |
Q3747580 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://www.tumblr.com/tirasarmandinho/tagged/medicina. Acesso em: 5 set. 2025

No trecho “Quero estar onde precisam mais de mim!”, a escolha do pronome em destaque justifica‑se por 
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Ano: 2025 Banca: IPEFAE Órgão: UNIFAE - SP Prova: IPEFAE - 2025 - UNIFAE - SP - Vestibular - Medicina |
Q3729474 Português
Se essa rua fosse minha...

    Era uma vez uma rua. As meninas brincavam de elástico e amarelinha. Os meninos, de gude e jogavam pelada. E todos, num pique, escondiam-se e pegavam bandeirinhas e colavam e subiam nos muros. Havia gente. O São João era uma festa. A alegria misturava-se aos mitos, aos medos, às amizades, aos namoros, às fofocas, às brigas, aos perdões.

    Então, deu na tevê que ninguém mais podia sair na rua, por causa de uma bactéria alienígena. Tudo arrefeceu, ao contrário do medo. As festas minguaram. O riso acabou. As ruas, vazias, atraíram a violência. Sem perceber, a geração seguinte passou a juventude inteira em casa, por medo da bactéria. E dizem que é assim até hoje.

Disponível em <https://folhadabaixada.com.br/noticia/758/se-essa-ruafosse-minha>.
Acerca do título do texto, “Se essa rua fosse minha”, é correto afirmar que: 
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Ano: 2025 Banca: Ibest Órgão: UCB Prova: Ibest - 2025 - UCB - Vestibular - Medicina |
Q3664573 Português

Texto para a questão.






Luís Fernando Veríssimo. Papos. In: Ana Maria Machado. (org.)

Comédias para se ler na escola. 1.ª ed. Editora Objetiva,

2001 (adaptado).

No texto, são apresentadas diferentes combinações entre pronomes átonos e formas verbais, que resultam tanto em construções que estão de acordo com a norma-padrão do português brasileiro quanto em estruturas gramaticalmente inadequadas do ponto de vista dessa norma. Nesse sentido, um trecho gramaticalmente correto, no qual a colocação pronominal está em conformidade com a norma-padrão, é
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Ano: 2025 Banca: FUNCERN Órgão: IF-PE Prova: FUNCERN - 2025 - IF-PE - Vestibular - Técnico Integrado |
Q3186438 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

No dia em que o gato falou

      Era uma vez uma dama gentil e senil que tinha um gato siamês. Gato de raça, de bom-tom, de filiação, de ânimo cristão. Lindo gato, gato terno, amigo, pertencente a uma classe quase extinta de antigos deuses egípcios. Esse gato só faltava falar. Manso e inteligente, seu olhar era humano. Mas falar, não falava. E sua dona, triste, todo dia passava uma ou duas horas, repetindo sílabas e palavras para ele, na esperança de que um dia aquela inteligência que via em seu olhar explodisse em sons compreensivos e claros. Mas nada!

      A dama gentil e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali mesmo à sua frente, preso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também animal, inferior até ao gato, pois era somente uma pobre ave, mas que falava! Falava mesmo, muito mais do que devia. Um papagaio, que falava pelas tripas do Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando cuidados para ver se conseguia que seu miado virasse fala.

      Exatamente no dia 16 de maio de 1958 foi que teve a ideia genial. Quando a ideia iluminou seu cérebro, veio acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não me ocorreu isso antes?”, perguntou ela para si própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso antes?” O papagaio viu no brilho do olhar da dona o seu (dele) terrível destino e tentou escapar. Mas estava preso. Foi morto, depenado e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação, não era evidente que o gato começaria a falar? Era? Não era? Veria. O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu intuito, a dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateulhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia no estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):

     — Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!

    A mulher, tremendo de emoção e alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:
   
    — Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu gatinho!

    Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:

     — Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.

     Nesse momento, com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama gentil e senil em meio aos seus escombros.

    O gato, escondido melancolicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:

     — Veja só que cretina. Passou vida inteira para me fazer falar e, no momento em que falei, não me prestou a mínima atenção.


Moral: O mal do artista é não acreditar na própria criação.


FERNANDES, Millôr. In: Antologia do Pasquim, volume III: 1973-1974. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.
Leia o trecho a seguir.

O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu experimento científico, a dama gentil e senil procurou forçá-lo [1]. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateu-lhe [2] mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou.

No trecho, os pronomes 1 e 2 
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Ano: 2025 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2025 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q3157203 Português
Lélia Gonzalez criou o termo “pretuguês” citado no texto 1 da questão anterior. O trecho a seguir apresenta algumas reflexões da autora sobre esse tema.

É engraçado como eles gozam a gente quando a gente diz que é Framengo. Chamam a gente de ignorante dizendo que a gente fala errado. E de repente ignoram que a presença desse R no lugar do L nada mais é que a marca linguística de um idioma africano, no qual o L inexiste. Afinal, quem que é o ignorante? Ao mesmo tempo acham o maior barato a fala dita brasileira, que corta os erres dos infinitivos verbais, que condensa “você” em “cê”, o “está” em “tá” e por aí afora. Não sacam que tão falando pretuguês (Lélia Gonzalez).
(GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: LIMA, Marcia; RIOS, Flavia (org.), Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janiero: Zahar, 2020. p. 80.)

Segundo o excerto, 
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Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2024 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4139970 Português
Leia o texto publicitário a seguir.
Sua saúde está em festa.
Há 50 anos o Conselho Federal de Farmácia vem valorizando o farmacêutico e defendendo o direito da população à saúde. E promove tudo isso inscrevendo-o, habilitando-o e fiscalizando o exercício profissional. A fórmula para chegar tão bem aos 50? Ética e compromisso com a saúde. É o nosso jeito de comemorar e parabenizar o farmacêutico.
As opções sobre o texto acima estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q3483053 Português

Este livro, composto de poemas em diferentes línguas indígenas, convidanos a refletir sobre os pronomes pessoais oré e îandé da primeira pessoa do plural das línguas Guarani e Tupi/Tupinambá. O pronome oré é usado quando se exclui o ouvinte e o pronome îandé quando se inclui o ouvinte. Exemplo para oré: “Eu e ele” (exclui o ouvinte). Exemplo para îandé: “Eu e você” (inclui o ouvinte). (Adaptado de Oré-Îandé: Nós sem vocês, nós com vocês – Ademario Ribeiro, 2020. Sinopse. Site da Livraria Maracá.)


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A partir de dois pronomes pessoais das línguas Guarani e Tupi/Tupinambá, Ademario Ribeiro convida-nos a uma reflexão sobre o funcionamento dos pronomes. Considerando seus conhecimentos sobre o português e tendo em vista o texto acima, assinale a alternativa correta. 

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Q3407995 Português
Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.


Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual. É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro.

É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.

É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.

Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.

É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.

Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.

Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.

É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.

Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários. Experimenta locações contaminadas por juras velhas.

Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.

Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.

Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.

Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.

O que vive está longe de ser amor, é obsessão.

(Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
“Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto.” (13º parágrafo)
O pronome sublinhado refere-se a
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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2024 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3352128 Português

Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. 



Cai a cinta a Vênus1 bela,

Sem cautela recostada;

E turbada2 entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


O tesouro se procura,

Os desejos se interessam,

Os cuidados já se apressam,

E a ternura vai também. 


Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

Mas em vão: que perda triste!

Só eu vi, sei onde existe;

E dizê-lo não convém. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


Roubador do puro ornato

Foi Antero e foi Cupido3;

E o levaram escondido

Com recato, eu sei a quem.


Receosos pelo insulto,

Que traidores cometeram,

No teu seio se acolheram,

Onde oculto asilo têm. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


Dos meus olhos não se escondem

Os meninos4 , a quem amo:

Se os procuro, espreito e chamo,

Correspondem, mas não vêm.


Com acenos expressivos

De alegria suspeitosa

Mostram faixa preciosa,

Que atrativos mil contêm. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


Se piedade aflito rogo,

E que cessem teus rigores,

(Ah cruéis, lindos Amores!)

Fogem logo e com desdém. 


Abrandá-los não consigo,

E já deles tenho medo:

Guarda, Ninfa, este segredo,

Que não digo a mais ninguém. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.



(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)



1Vênus: deusa do Amor.

2 turbada: aflita, transtornada.

3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

Dois pronomes átonos, quando ocorrem numa mesma oração, podem ser contraídos, como no verso “Pede aos mares que lha deem.”, em que “lha” é a junção de “lhe” + “a”. Esses pronomes referem-se, respectivamente, a
Alternativas
Ano: 2023 Banca: COTEC Órgão: IFN-MG Prova: COTEC - 2023 - IFN-MG - Bacharelado em Medicina Veterinária |
Q3683964 Português
Texto 03
Pronominais
Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro 
Fonte: ANDRADE, Oswald. Pronominais. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/7793/pronominais. Acesso em: 15 out. 2023. 


Da leitura do texto 03, é CORRETO afirmar que
Alternativas
Ano: 2023 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2023 - UFGD - Vestibular - Ingresso em 2024 |
Q3249050 Português
O peso sobre a Geração Sanduíche, que cuida ao mesmo tempo de pais idosos, filhos e netos
Faz dez anos que a paranaense Lady Daiane de Vargas Flores cuida em tempo integral da mãe, que sofre de demência. Dona Maria Joana tem 68 anos e já não fala, não anda nem se alimenta sozinha.
“Ela virou um bebê total”, explica Daiane, 39 anos, à BBC News Brasil [...]. “Quando você vai ganhar um bebê, quer que a sua mãe esteja ao seu lado. Mas, comigo, o que aconteceu é que virei órfã de mãe e passei a ter uma filha a mais.”
[...]
Nos Estados Unidos, por exemplo, uma pesquisa do centro Pew estimou que quase um em cada quatro adultos americanos potencialmente se encaixa nessa definição [...]. Dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) do IBGE em 2019 apontam que 54,1 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais cuidavam de outros moradores da sua casa ou de outros parentes, mas não se sabe ao certo quantos cuidam de duas gerações ao mesmo tempo [...]. Há uma combinação de motivos por trás desse fenômeno global: como as pessoas estão tendo filhos mais tarde, e seus pais estão vivendo mais, muitas se veem lidando com os cuidados das duas gerações. Ao mesmo tempo, as famílias ficaram menores — e há menos pessoas com as quais dividir essas tarefas.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g7ppnwn0zo. Acesso em: 20 jul. 2023 (adaptado).

Assinale a alternativa que traz em destaque exemplo de pronome relativo.
Alternativas
Q3247747 Português

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BRUNO, Elias. Fomo, Fobo e Jomo: conheça as síndromes que podem surgir com o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos. Disponível em https://www.segs.com.br/demais/352747-fomofobo-e-jomo-conheca-as-sindromes-que-podem-surgir-com-o-usoexcessivo-dos-aparelhos-eletronicos

No trecho “A internet e as redes sociais aumentaram a velocidade em que as informações são atualizadas e provocaram, consequentemente, uma necessidade de conexão e atualização permanente na humanidade” (linhas 01-05), o termo destacado é classificado como
Alternativas
Respostas
1: E
2: B
3: A
4: E
5: B
6: C
7: A
8: C
9: D
10: B
11: B
12: D
13: A
14: E
15: B
16: E
17: C
18: D
19: A
20: B