“Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunt...

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Q3407995 Português
Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.


Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual. É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro.

É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.

É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.

Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.

É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.

Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.

Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.

É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.

Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários. Experimenta locações contaminadas por juras velhas.

Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.

Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.

Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.

Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.

O que vive está longe de ser amor, é obsessão.

(Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
“Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto.” (13º parágrafo)
O pronome sublinhado refere-se a
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão avalia a interpretação de texto com foco em morfologia, especificamente no uso e no referente do pronome possessivo “sua”.

Regra essencial: De acordo com a norma-padrão, quando o emissor utiliza o pronome de tratamento “você”, os verbos e os pronomes possessivos relacionados devem estar na terceira pessoa:
Exemplo: “Você esqueceu seu livro.”

O pronome “sua” refere-se àquilo que pertence à terceira pessoa, mas neste contexto corresponde ao interlocutor tratado como “você”. Portanto, “sua inocência” significa a inocência de quem se fala (“você”).

Explicação da alternativa correta (E): A alternativa “E” está correta porque, no trecho “Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto”, o sujeito oculto do verbo “acredita” é “você”. Seguindo a norma, o pronome possessivo de “você” deve ser “seu/sua”. Assim, “sua inocência” só pode se referir à inocência de “você”. As obras de referência, como Cunha & Cintra e Bechara, enfatizam que o pronome de tratamento “você” exige pronomes possessivos de terceira pessoa.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) “fórmula”: Não há relação de posse entre “fórmula” e “sua inocência”; “fórmula” está mencionada fora desse trecho.
  • B) “ninguém”: “Ninguém” é sujeito apenas da oração “ninguém comentará o assunto”. O possessivo “sua” não se refere a ele.
  • C) “história”: “História” aparece em outro trecho; não há conexão direta com a “inocência” do sujeito.
  • D) “assunto”: “Assunto” é o objeto direto da ação “comentar”, não possui relação de posse com “inocência”.

Estratégia para evitar erros: Ao encontrar um pronome possessivo, observe cuidadosamente quem é o sujeito da oração e a quem pertence aquilo que está sendo possuído. No português brasileiro, “você” sempre pede “seu/sua”. Atenção para não confundir o referente do possessivo com termos próximos no texto.

Resumo: O pronome “sua”, na frase, refere-se a “você”, indicando posse do interlocutor. Dominar essa relação evita confusões em questões similares.

Gabarito: E

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Comentários

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Rumo APMBB!

E.

(seu, sua) SEMPRE se refere a você.

the trooper again

A minha vó acertou achando que era bingo

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