Questões de Vestibular
Sobre interpretação de textos em português
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Este livro, composto de poemas em diferentes línguas indígenas, convidanos a refletir sobre os pronomes pessoais oré e îandé da primeira pessoa do plural das línguas Guarani e Tupi/Tupinambá. O pronome oré é usado quando se exclui o ouvinte e o pronome îandé quando se inclui o ouvinte. Exemplo para oré: “Eu e ele” (exclui o ouvinte). Exemplo para îandé: “Eu e você” (inclui o ouvinte). (Adaptado de Oré-Îandé: Nós sem vocês, nós com vocês – Ademario Ribeiro, 2020. Sinopse. Site da Livraria Maracá.)

A partir de dois pronomes pessoais das línguas Guarani e Tupi/Tupinambá, Ademario Ribeiro convida-nos a uma reflexão sobre o funcionamento dos pronomes. Considerando seus conhecimentos sobre o português e tendo em vista o texto acima, assinale a alternativa correta.
Em seu discurso de posse, a Ministra Sônia Guajajara afirma: "Eu não estou aqui sozinha, eu estou aqui com a força da nossa ancestralidade". A ativista indígena Jamille Anahata destaca o fato de que a Ministra lembra, com sabedoria, que não chegou ali sozinha e não está ali sozinha. Está ali com a força dos encantados e de todos aqueles que vieram antes:

Constituição Federal ganha versão em nheengatu. Foto de Brenno Carvalho. EXTRA, 17/07/2023.)
Quitéria Binga (Povo Pankararu, final de 1970), liderança na Assembleia Constituinte de 1988.
Maninha Xukuru Kariri (Etelvina Santana da Silva), uma das criadoras da Articulação dos Povos do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).
Tuyra Kayapó, desde os anos 1980, contra a hidrelétrica de Belo Monte e uma das lideranças da Marcha das Mulheres Indígenas.
Sineia Wapichana, liderança do Conselho Indígena de Roraima – pelo enfrentamento das mudanças climáticas.
Cacique Pequena (Povo Jenipapo-Kanindé, Ceará), promoveu o reconhecimento de seu povo e a delimitação da terra (ainda não homologada). (Adaptado de Jamille Anahata, manauara, ativista indígena, poeta, pesquisadora de Relações Raciais. O futuro é ancestral: às que vieram antes de nós. Revista AzMina. 06/02/2023.)
Considerando o que disse Sônia Guajajara na posse, Jamille Anahata expõe suas ideias sobre
Meu primeiro contato com fotografia foi com uma máquina Love, com filme acoplado e descartável. Foi amor à primeira vista, com quem pude assassinar toda a comunidade, clique após clique, até acabar a munição. Foi um amigo da família em viagem para Manaus que a levou para revelar e ampliar as fotografias; meses depois chegaram as tão esperadas fotos e todos os fotografados estavam com suas cabeças cortadas na fotografia. Erro engraçado e tétrico. Motivo de risos dos mais jovens e de ira dos mais velhos. Uma parte deles havia sido roubada: decapitação fotográfica. Registros descartáveis, como a Love. (Adaptado de Denilson Baniwa, Ficções coloniais (ou finjam que não estou aqui). Assessoria de Comunicação. Ministério dos Povos Indígenas. FUNAI, 31/05/2023.)
Em seu depoimento sobre sua primeira experiência como fotógrafo, o autor se apoia em
Apresenta-se, a seguir, um trecho de um artigo acadêmico que analisa a obra “Ajuricaba”, uma história em quadrinhos (HQ) criada por Ademar Vieira.
“O protagonista da história, Ajuricaba, da etnia Manao, é apresentado como um herói destemido, valente, justo e defensor incansável das liberdades e prerrogativas dos ameríndios do Rio Negro frente às arbitrariedades lusitanas. Um dos episódios emblemáticos em que se pode observar as qualidades mencionadas acima se dá nas primeiras páginas da HQ: o protagonista liberta uma anta das garras de uma sucuri (...). A facilidade com que realiza a ação é comparável aos atos dos grandes heróis das epopeias clássicas. A força e bravura do Manao dialogam, ainda, com outro personagem indígena, idealizado no romantismo nacional: Peri, protagonista do romance O Guarani (1857), de José de Alencar. No entanto, é importante ressaltar que, embora haja algumas semelhanças valorativas comprováveis entre Ajuricaba e Peri, outras qualidades os diferenciam muito.” (Adaptado de DIAZ, R. Q. Fórum Lit. Bras. Contemporânea, Rio de Janeiro, 14(28), p. 138-158, dez. 2022.)
Apresenta-se, a seguir, um trecho de um artigo acadêmico que analisa a obra “Ajuricaba”, uma história em quadrinhos (HQ) criada por Ademar Vieira.
“O protagonista da história, Ajuricaba, da etnia Manao, é apresentado como um herói destemido, valente, justo e defensor incansável das liberdades e prerrogativas dos ameríndios do Rio Negro frente às arbitrariedades lusitanas. Um dos episódios emblemáticos em que se pode observar as qualidades mencionadas acima se dá nas primeiras páginas da HQ: o protagonista liberta uma anta das garras de uma sucuri (...). A facilidade com que realiza a ação é comparável aos atos dos grandes heróis das epopeias clássicas. A força e bravura do Manao dialogam, ainda, com outro personagem indígena, idealizado no romantismo nacional: Peri, protagonista do romance O Guarani (1857), de José de Alencar. No entanto, é importante ressaltar que, embora haja algumas semelhanças valorativas comprováveis entre Ajuricaba e Peri, outras qualidades os diferenciam muito.” (Adaptado de DIAZ, R. Q. Fórum Lit. Bras. Contemporânea, Rio de Janeiro, 14(28), p. 138-158, dez. 2022.)
“Palavras são estradas. É com elas que conectamos os pontos entre o presente e um passado que não podemos mais acessar. (...) Palavras eram o presente que meu pai trazia de caminhão em minha infância. Elas ressoavam isoladas – boleia, transamazônica, carreta, rodovia, pororoca, Belém, saudades –, ou então formavam narrativas sobre um mundo que parecia grande demais. Eu tinha que imaginá-las com todas as cores, gravá-las na memória, me agarrar a elas, pois logo meu pai iria embora para voltar só dali a quarenta, cinquenta dias.” (BORTOLUCI, J. H. O que é meu. São Paulo: Fósforo, p. 10, 2023.)
No excerto apresentado, o autor explora os múltiplos sentidos dos termos
Instrução: Para responder a questão 30, leia os excertos abaixo, retirados respectivamente de A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé, e de “A fonte”, parte inicial de O continente, de Erico Verissimo.
Tiaraju – o santo guerreiro
Tiaraju é um nome épico. Alguns historiadores chegam a dizer que graças a ele o Rio Grande do Sul é parte do Brasil. Foi um líder nascido em 1723 e que morreu na batalha no dia 7 de fevereiro de 1756. É considerado herói guarani missioneiro rio-grandense. Chefe dos Sete Povos das Missões Jesuíticas de São Miguel.
A fonte
— Vi o combate. O alferes foi derrubado do cavalo por um golpe de lança. Vi quando ele quis erguer-se e um homem... um general... de cima do cavalo varou-lhe o peito com uma bala.
Alonzo segurou a cabeça do menino com ambas as mãos e aproximou-a de seu rosto como se quisesse ler-lhe os pensamentos no fundo dos olhos.
— Como podias ter visto isso tudo se o combate foi travado tão longe daqui?
Pedro respondeu simplesmente:
— Eu vi.
— Disseste que estavas conversando com o corregedor.
— Estava.
— E que te dizia ele?
— Dizia que seu corpo tinha sido atirado num mato perto dum rio. E que a batalha estava perdida.
— Onde estava ele quando te falou?
— Lá em cima. A alma de Sepé subiu ao céu e virou estrela.
Alonzo largou a cabeça do menino, que fez meia-volta e se encaminhou para a janela, puxando o padre docemente pela manga da sobretúnica. Ergueu o dedo e mostrou o crescente:
— Deus botou também na testa da noite um lunar como o de são Sepé.
— São Sepé? — repetiu o padre, meio estonteado.
Sem dizer palavra e sem fazer o menor gesto, Alonzo viu o menino guardar o punhal entre a camisa e o peito, e sair da cela em silêncio.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses excertos, considerando, também, a leitura integral da obra A terra dos mil povos.
( ) Como se observa, a visão dos dois autores é oposta sobre Sepé Tiaraju. No segundo caso, é um homem derrotado e morto.
( ) No primeiro excerto, Jecupé traz a primeiro plano um herói do enfrentamento “O Brasil de pindorama versus o Brasil das capitanias”.
( ) No segundo excerto, o menino Pedro Alonzo conta ao padre sua visão e que Sepé “virou estrela”.
( ) Nos dois trechos, de Jecupé e de Verissimo, Sepé tem a força de um herói fundacional.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Leia o poema, a seguir, de Sophia de Mello Andresen.
Com fúria e raiva
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Junho de 1974
Assinale a alternativa que se refere adequadamente ao poema “Com fúria e raiva”, considerando, também, a leitura integral da obra Coral e outros poemas.
Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados da seção “3 poemas com o auxílio do google”, do livro Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas.
a mulher vai
a mulher vai ao cinema
a mulher vai aprontar
a mulher vai ovular
a mulher vai sentir prazer
a mulher vai implorar por mais
a mulher vai ficar louca por você
a mulher vai dormir
a mulher pensa
a mulher pensa com o coração
a mulher pensa de outra maneira
a mulher pensa em nada ou em algo muito semelhante
a mulher pensa será em compras talvez
a mulher pensa por metáforas
a mulher pensa sobre sexo
a mulher pensa mais em sexo
a mulher quer
a mulher quer ser amada
a mulher quer um cara rico
a mulher quer conquistar um homem
a mulher quer um homem
a mulher quer sexo
a mulher quer tanto sexo quanto o homem
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses excertos, considerando, também, a leitura integral da obra Um útero é do tamanho de um punho.
( ) Os três poemas são construídos com frases prontas, a partir de uma mesma base: a mulher vai; a mulher pensa; a mulher quer.
( ) A estrutura repetitiva, com sentenças contraditórias, mostra o quanto a mulher contemporânea é confusa e não sabe agir, nem definir o que quer.
( ) A colagem de frases feitas, divulgadas pelo Google, instrui como a mulher deve agir, pensar e desejar.
( ) A originalidade do conjunto encontra-se na montagem das frases coletadas no Google.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Para responder a questão 25, considere os fragmentos retirados de A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé.
I. Nessas andanças conheci mil povos, vivenciei suas riquezas: o pensamento, a sabedoria, os ritos, os mitos e a medicina sagrada nativa. [...] A peregrinação na terra e o encontro espiritual me permitiam vivenciar a essência desses mil povos, a qual pretendo expor aqui, como parte da tarefa que desenvolvo atualmente, que é difundir os ensinamentos ancestrais: a tradição do Sol, a tradição da Lua e a tradição do sonho.
II. Ao contar sua história, um índio, um clã, uma tribo, parte do momento em que sua essência-espírito permeou a terra e relata a passagem dessa essência-espírito pelos reinos vegetal, mineral e animal. Há tribos que começam sua história desde quando o clã era formado por seres do espírito das águas, outras trazem sua memória animal como início da história, e há aquelas que iniciam sua história a partir da árvore que foram.
Assinale a alternativa correta sobre os fragmentos acima, considerando, também, a leitura integral da obra A terra dos mil povos.
Leia o trecho abaixo, retirado da crônica “de volta ao campus”, de José Falero. Considere-o no contexto do livro Mas em que mundo tu vive?.
Quando o galpão finalmente ficou pronto, eu dei graças a Deus. Creia-me, leitor: não existe ambiente mais hostil para um pé-rapado do que um ambiente acadêmico. É impossível ficar à vontade. Nada ao redor traz sensação de conforto, nada ao redor lembra minimamente as vielas e os barracos que estamos acostumados a ver à nossa volta, ninguém ao redor nos desperta a mínima sensação de identificação ou nos inspira empatia, é todo mundo pálido demais, é todo mundo civilizado demais, é todo mundo bem-vestido demais, é todo mundo sem ginga, é todo mundo sem suingue, é todo mundo tão diferente de nós, e em tantos sentidos! Eu dei graças a Deus quando o galpão finalmente ficou pronto e eu soube que não precisaria mais ir comprar refrigerante no meio dos universitários. Fiz uma promessa boba para mim mesmo naquele dia: quando eu voltasse àquele ambiente, seria como estudante de letras. Jurei para mim mesmo, tendo como testemunha o matagal que circunda aqueles prédios: em nenhuma circunstância eu voltaria ali, exceto como estudante de letras. Ou bem eu voltava como estudante de letras, ou bem não voltava jamais.
Considere as afirmações abaixo, sobre o segmento.
I - O narrador indica que voltou à universidade como estudante de Letras depois de pronto o galpão.
II - O narrador dialoga diretamente com o leitor – um procedimento típico desta e de outras crônicas do livro.
III - O ponto de vista periférico caracteriza o olhar lançado pelo narrador sobre os acadêmicos que circulam no campus da universidade.
Quais estão corretas?
Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado do capítulo 40, de Niketche, de Paulina Chiziane.
— Diz-me, Tony para quê enganar mulheres e deixá-las com filhos nos braços? O querias tu com elas?
— Nada de sério, confesso. Orgulho, simples orgulho. Ter uma mulher aqui, um filho acolá, dá vaidade a qualquer macho. Não sou o único. Muitos homens fazem isso.
Ele mergulha as mãos no meu peito e me destrói o coração como quem arranca uma planta do chão. Sinto uma dor imensa, ele mata-me, eu morro, quantas vezes me matam por dia, neste lar, eu, que sou a primeira esposa?
— Não me culpes, Rami. Não fui eu quem inventou o mundo e as suas tradições. Muito antes de eu nascer os homens já eram assim.
Como ele tem razão, meu Deus! Esta situação nasce do ventre do passado e desde sempre que as mulheres são peixe na banca do mercado: um quilo deste, dois quilos daquele, fico com este, largo aquele, gosto deste, agora pego, agora pago, agora uso, agora asso, agora como.
— A ideia de juntar essas mulheres foi tua, Rami. Surpreendeste-me. Superaste-me. Conduziste todo esse rebanho com uma mestria incrível. Eu só iria usar e largar sem pensar sequer nas consequências. De vendedeiras de rua conseguiste transformá-las em empresárias.
— Meu Tony cansaste-te de mim e amaste a elas. Cansaste-te delas e agora voltas para mim. Daqui a pouco te cansas de mim outra vez. Não acredito em ti.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra Niketche.
( ) Tony, depois do doloroso aprendizado, mostra-se arrependido e assume a responsabilidade por tudo que ocorreu.
( ) Rami, quando diz que as mulheres são peixes, percebe que elas são como mercadorias a serem compradas, eventualmente largadas e usadas ao bel-prazer do cliente.
( ) Rami, de fato, organizou um sistema poligâmico com ela e as demais amantes. ( ) Rami não acredita nas declarações de Tony, movidas pela perda de poder sobre as mulheres.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre algumas canções de Lupicínio Rodrigues.
( ) “Vingança” expressa a dor e o ressentimento decorrentes do término de uma relação amorosa, em que o eu lírico sugere ter sido traído pela mulher amada e, em um tom de desabafo e de amargura, revela o desejo de vingança.
( ) “Se acaso você chegasse” apresenta uma situação de traição, cantada em primeira pessoa, em que o eu lírico se dirige à pessoa traída, exigindo que não se aproxime mais dele e da mulher causadora da discórdia entre os ex-amigos. ( ) “Nervos de aço” apresenta o eu lírico que se dirige a um “meu senhor”, revelando-lhe que tem um amor, mas que a mulher amada já pertence a outro homem e, conformado com essa situação, ele abençoa o enlace do casal.
( ) “Castigo” apresenta referência às plantas que permanecem eretas até o fim e indica a tentativa da mulher, que outrora preteriu o eu lírico, de manter a dignidade, mesmo diante do declínio inevitável.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados, respectivamente, da canção “Identidade”, de Jorge Aragão, e da obra O avesso da pele, de Jeferson Tenório, considerando, também, a leitura integral desse livro.
Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai
Quem cede a vez não quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
Se preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade
Vocês estavam juntos desafiando a sociedade hipócrita. Quando você entrava sozinho numa loja e recebia um tratamento frio e desconfiado por ser negro, se dava conta de que, quando Juliana estrava e te beijava, os vendedores te tratavam melhor. Uma mulher branca com um negro, ele deve ser um bom homem. E por algum tempo você começou a gostar disso também. A presença de Juliana te dava uma espécie de salvo-conduto em certos ambientes. Porque, quando você estava com ela, você não era qualquer negro diante dos outros. Você era especial.
A partir da leitura dos excertos, considere as seguintes afirmações.
I - Na canção, o preconceito racial é percebido na proibição do uso do elevador social por pessoas negras, que devem usar o de serviço, e a dignidade preta é alcançada ao se aproximar dos valores dos brancos, uma visão crítica que distancia pessoas negras de sua identidade.
II - No fragmento da obra, o estigma sofrido pela população preta, representada pelo pai do narrador, é suavizado quando ele é reconhecido por estar acompanhado de uma pessoa branca, fato que, em determinadas situações, conferia-lhe segurança e algum tipo de privilégio.
III - No fragmento da obra, Pedro, em um fluxo de consciência, revela ao leitor como se sentiu constrangido em uma situação específica de racismo, e o texto grafado em itálico representa a fala dos vendedores da loja.
Quais estão corretas?
No bloco superior abaixo, estão listados os títulos dos livros de Jeferson Tenório, de José Falero e de Ruth Guimarães; no inferior, trechos de alguns desses livros. Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 – O avesso da pele
2 – Mas em que mundo tu vive?
3 – Água funda
( ) Há cadernos e papéis, Há pastas com provas e redações dos seus alunos. Teu caos me comove. Olho para tudo isso e percebo que serão esses objetos que vão me ajudar a narrar o que você era antes de partir. Os mesmos utensílios que te derrotavam e que agora me contam sobre você. Os objetos serão o teu fantasma a me visitar.
( ) O que Sinhá devia fazer era chamar Sinhazinha e falar direto com ela. Isso, caso tivesse alguma razão para não consentir no casamento, melhor do que por ser o moço filho do capataz. Devia fazer. Mas fez? Que esperança! Sinhá tinha queixo duro que nem mula velha. De qualquer jeito, não adiantava, porque ninguém ia passar, em seu lugar, o que lhe estava destinado.
( ) Choro de gente enganada, gente de boafé, que caiu no logro, chama atraso. O que a água deu, a água leva. Não pode ser que não lhe tenha acontecido nada. O inferno é aqui mesmo, moço. Quem faz a Deus, paga ao Diabo. Quem rouba, é roubado. Quem fica devendo, sofre calote do outro. Ninguém faça que não pague. ( ) O Bruno foi meu colega por dois anos no Rio de Janeiro. Não o estado do Rio de Janeiro nem a cidade do Rio de Janeiro, claro: me refiro ao colégio que fica aqui em Porto Alegre mesmo, na Lima e Silva. É que morei um tempo na Cidade Baixa antes de o meu pai morrer. Não foi tanto tempo assim, mas foi o tempo suficiente para me matricular no Rio de Janeiro (...).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados, respectivamente, da canção “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque, e da peça Lisístrata, de Aristófanes, considerando, também, a leitura integral da peça de teatro.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
LISÍSTRATA – Aí está nossa dificuldade. Mas nosso dever é esse. Se resistirmos eles não resistirão. E teremos a paz.
LAMPITO – Dizem que isso aconteceu a Menelau. Quando viu os seios de Helena percebeu que tinha que escolher entre duas espadas. Largou a guerra e empunhou a da paz.
CLEONICE – Uma última hipótese. Se nos pegarem à força? LISÍSTRATA – Segurem-se nas portas, garrem-se nas camas, encolham o corpo em posição fetal.
CLEONICE – E se nos baterem?
LISÍSTRATA – Cedam então, mas não se mexam, não colaborem, sejam cadáveres frios diante da potência e da prepotência até a pospotência. Eles têm pouco prazer quando sentem que não correspondemos. Sobretudo se nossas mãos permanecerem inertes, eles logo se cansarão a brincadeira. No amor as mãos são preciosas.
A partir da leitura dos excertos, considere as seguintes afirmações.
I - No excerto da canção, a mulher é tida como propriedade, existindo, sobretudo, à satisfação dos desejos do homem, cuja realização sexual é percebida somente a partir do lado masculino, que pouco se empenha em satisfazer os desejos e os impulsos femininos.
II - No fragmento da peça teatral, a mulher problematiza o fato de não se submeter aos caprichos sexuais do marido e sofre com a violência física do homem sobre ela, prática socialmente comum à época em que ocorre a proposição da greve de sexo.
III- Nos dois trechos, embora escritos em épocas bastante distintas e com contextos históricos igualmente próprios, a submissão feminina é latente, principalmente no caso de Lisístrata, porque as decisões políticas e sociais estavam a cargo dos homens.
Quais estão corretas?
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Considere a passagem entre as linhas 27 e 32 e as possibilidades de paráfrase.
I - Há perguntas mais diretamente ligadas – ao lado dessas questões políticas preocupantes – ao que a diversidade linguística pode mostrar, tanto sobre a nossa capacidade para adquirir e operar com línguas, quanto sobre as demais faculdades intelecutais humanas.
II - Tanto sobre a nossa capacidade para adquirir e operar com línguas, quanto sobre as demais faculdades intelecutais humanas, há preocupantes questões políticas ligadas mais diretamente ao que a diversidade linguística pode mostrar.
III- Ao lado dessas preocupantes questões políticas, seja sobre a nossa capacidade para adquirir e operar com línguas, seja sobre as demais faculdades há perguntas, mais diretamente ligadas ao que a diversidade linguística pode mostrar.
Quais dessas sugestões poderiam ser efetuadas sem alterar o sentido original da frase, mantendo a correção gramatical?
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Considere as seguintes afirmações sobre palavras e expressões do texto.
I - A palavra hecatombe (l. 19) expressa a ideia de “catástrofe”.
II - A expressão uma janela (l. 41) funciona como uma metáfora para a ideia de “abertura”.
III - A expressão essa dificuldade (l. 56) estabelece uma relação coesiva referencial com a expressão não é nada fácil responder essa questão (l. 54-55).
Quais estão corretas?