Questões de Vestibular
Sobre teoria literária em literatura
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Sete annos de pastor Jacob servia
Luís Vaz de Camões
Sete annos de pastor Jacob servia
Labão, pae de Raquel, serrana bella:
Mas n˜ao servia ao pae, servia a ella,
Que a ella só por premio pertendia.
Os dias na esperança de hum só dia
Passava, contentando-se com vella:
Porém o pae, usando de cautella,
Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.
Vendo o triste Pastor que com enganos
Assi lhe era negada a sua Pastora,
Como se a não tivera merecida;
Começou a servir outros sete annos,
Dizendo: Mais servíra, senão fôra
Para tão longo amor tão curta a vida.
Fonte: CAMOES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.
Leia o trecho abaixo, de Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez.
Mal tinham começado quando Amaranta percebeu que Remédios, a Bela, estava quase transparente, com uma palidez intensa.
— Você está se sentindo mal? — perguntou.
Remédios, a Bela, que tinha agarrado o lençol pela outra ponta, fez um sorriso de lástima.
— Ao contrário — disse —, nunca me senti melhor. Acabou de falar e Fernanda sentiu um delicado vento de luz que arrancou os lençóis de suas mãos e os estendeu em toda sua amplitude. Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas de suas anáguas e tratou de se agarrar no lençol para não cair, no mesmo instante em que Remédios, a Bela, começava a se elevar. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irreparável, e deixou os lençóis à mercê da luz, vendo Remédios, a Bela, que dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos besouros e das dálias, e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e se perderam com ela para sempre nos altos ares onde não podiam alcançá-la nem os mais altos pássaros da memória.
Os forasteiros, claro, acharam que Remédios, a Bela, havia enfim sucumbido ao seu irrevogável destino de abelha rainha e que sua família tratava de salvar a honra com o engodo da levitação. Fernanda, mordida pela inveja, acabou aceitando o prodígio, e durante muito tempo continuou rogando a Deus que lhe devolvesse os lençóis. A maioria acreditou no milagre, e até acendeu velas e rezou novenas.
Assinale a alternativa correta sobre o fragmento acima, considerando, também, a leitura integral de Cem anos de solidão.
I. A narrativa do romance é conduzida exclusivamente em terceira pessoa onisciente, mantendo uma perspectiva distanciada de eventos e personagens.
II. A obra apresenta uma estrutura narrativa não linear, alternando entre diferentes tempos e perspectivas narrativas, o que contribui para a complexidade da trama e a exploração dos temas de identidade e memória.
III. A utilização de um narrador não humano, a osga que acredita ser a reencarnação de um fotógrafo, acrescenta uma camada de realismo mágico à estrutura narrativa.
IV. A estrutura narrativa incorpora metaficção, com personagens que estão conscientes dos processos de criação de histórias e identidades, o que desafia as fronteiras entre realidade e ficção dentro do romance.
É CORRETO o que se afirma em:
Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. [...] Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
ASSIS, Machado de. Conto de escola. In: ASSIS, Machado de. Várias Histórias. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004, p. 100.
Após a leitura do trecho acima e levando em conta aspectos gerais da obra de Machado de Assis, considere as asserções a seguir.
I. O conflito presente no trecho e a posterior decisão de ir à escola revelam aspectos da personalidade do personagem-narrador e sinalizam que a escola não é um ambiente convidativo.
II. A idealização do espaço escolar e a romantização dos relacionamentos entre professores e alunos presentes no trecho dialogam com a estética romântica adotada por Machado de Assis em parte de sua obra.
III. É possível relacionar acontecimentos que marcaram o período regencial com o enredo do conto, pois a ação é localizada no ano de 1840 – ano que marca o fim do período regencial e a antecipação da coroação de Dom Pedro II.
IV. No trecho destacado, estão presentes características da obra de Machado de Assis como o culto à forma, à objetividade, à impessoalidade e o encadeamento sintático, todas relacionadas ao parnasianismo.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.
I. A presença da lua no poema é um símbolo central, a partir do qual se desenvolvem outros aspectos, como a noite propulsora de um ambiente sombrio e o misticismo.
II. A sugestão à morte é uma característica do Simbolismo que, no poema, não se relaciona com a loucura de Ismália, mas apenas ao desejo pela lua, que culmina em uma tragédia acidental.
III. Ismália é tratada, no poema, de forma pejorativa, uma vez que, explicitamente, somente a partir da loucura lhe é permitido sonhar.
É correto o que se afirma somente em
O último verso de O pastor pianista expressa uma verdade da poesia que, até o momento, a mais alta tecnologia não pôde produzir: dar forma sensível, a partir da recriação da vida, ao “antigo clamor do homem” (terceiro verso da segunda estrofe).
João Guimarães Rosa. Campo Geral.
Conforme sugere o trecho, o sofrimento perturba a noção que Miguilim tinha do tempo, porque
( ) A primeira estrofe do poema de Freitas relaciona-se intertextualmente com as estrofes da canção de Alves e Lago, sobretudo no que se refere à similar condição feminina dos dois excertos.
( ) A “mulher de verdade” de Alves e de Lago é resignada e submissa, se comparada à outra mulher, altiva e exigente, a quem o eu-lírico se refere e se relaciona no presente.
( ) A amélia no poema de Freitas desconstrói, no segundo verso, a imagem da Amélia da canção, revelando uma relação homoafetiva.
( ) Freitas aborda a condição feminina, apresentando amplo panorama de mulheres que problematizam as desigualdades de gênero.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Tinham o temor de que aqueles saudáveis expoentes de duas raças secularmente entrecruzadas passassem pela vergonha de engendrar iguanas. Já existia um precedente tremendo. Uma tia de Úrsula, casada com um tio de José Arcadio Buendía, teve um filho que passou a vida toda com calças-balão, e frouxas, e que morreu sangrando depois de haver vivido quarenta e dois anos no mais puro estado de virgindade, porque nasceu e cresceu com uma cauda cartilaginosa em forma de saca-rolha e com uma escovinha de pelos na ponta. Uma cauda de porco que não se deixou ver jamais por mulher alguma, (...). José Arcadio Buendía, com a ligeireza de seus dezenove anos, resolveu o problema com uma frase só: “Não me importa ter leitõezinhos, desde que consigam falar”.
Assinale a alternativa correta sobre o trecho, considerando, também, a leitura integral dessa obra.